HJS – Semeando Conhecimento https://semeandoconhecimento.com.br Adiel - São Lourenço Mon, 24 Dec 2018 18:49:21 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.4 O Simbolismo do Natal https://semeandoconhecimento.com.br/o-simbolismo-do-natal/ Mon, 24 Dec 2018 18:49:11 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4366 Professor Henrique José de Souza 

Um dos mais belos e significativos acontecimentos do ano é, sem dúvida alguma, o Natal. O mundo cristão comemora nesta data o nascimento de Jesus, o Cristo. Aquele que os cristãos consideram o Salvador do Mundo e que os verdadeiros Teósofos e Ocultistas reconhecem, além do mais, como a manifestação cíclica do Espírito de Verdade, ou seja, como um Avatara Divino. Nessa data, plena de encantamento e de amor, as famílias cristãs se congregam em reuniões as mais íntimas e santas para cultuarem no recesso de seus lares o simbolismo do Natal.

Na noite de 24 para 25 de dezembro, conhecida há perto de vinte séculos como a Noite de Natal, comemora-se em todo o mundo cristão o nascimento do Menino-Deus, com as manifestações do maior regozijo e da mais pura devoção. Papai-Noel faz nessa noite sua visita tradicional aos petizes, deixando-lhes uma lembrança no sapatinho posto à beira da cama. Nos lares, engalanados com enfeites multicores, há o Presépio e a Árvore de Natal. Desse modo, ano após ano, de uma forma inconsciente e agradável, é transmitida de geração a geração uma tradição extraordinariamente bela, cuja origem se perde na noite dos tempos, anterior mesmo ao advento do Cristianismo.

O simbolismo do Natal oculta transcendentes mistérios. À luz dos conhecimentos eubióticos, procuraremos levantar uma pontinha do denso véu que encobre, aos olhos profanos, tais excelsitudes.

Diz a tradição que o Anjo Gabriel apareceu à Virgem Maria e Lhe anunciou o nascimento do Filho de Deus.

As religiões de todos os povos possuem as suas Virgens-Mães, Marias ou Mayas que são: Adha-nari, a brâmane; Ísis, a egípcia; Astaroth, a hebraica; Astarté, a síria; Afrodite, a grega; Vesta, a romana; Herta, dos germanos; Ina, da Oceania; Isa, a japonesa; Ching-Mu, a chinesa, e muitas outras, inclusive a que o nosso tupi denomina de Jaci, “a mãe dos frutos”, etc., pois como é sabido, Maria provém de Mare – o Mar – simbolicamente “a grande ilusão”. Entre os iorubanos da África, Iemanjá, o orixá feminino, é a mãe d’água ou o próprio mar divinizado, equivalente no seu culto àquilo que em tais religiões simboliza a Virgem Mãe, Ísis, a Lua, desde que Osíris representa o Sol.

Os egípcios acreditavam que o pequeno Hórus era filho de Osireth e de Oset, cujas almas se transformaram respectivamente nas do Sol e da Lua, depois da morte desses personagens.

Os antigos israelitas, muito antes da nossa Era, chamavam a rainha do céu (ou “Regina Coeli”) de Mênia, donde se derivou Neomênia (Nova Lua), que vem a ser a mesma Maria (em seus diversos nomes), mãe de Deus encarnado, nos vários cultos religiosos.

Quanto ao lugar do nascimento do Menino Jesus, diz a Igreja que ele se deu em Belém, cidade da Palestina, tendo sido a criança recém nascida colocada numa manjedoura. A palavra Belém é formada de duas letras hebraicas, Beth e Aleph, significando cabalisticamente a Casa de Deus ou Templo de Deus. Este é também o significado da palavra Apta, muitíssimo mais antiga, pois provém da submersa Atlântida, tendo sido o nome de sua oitava cidade, a Shamballah ou “Região dos Deuses”, que mantinha a espiritualidade entre as demais cidades que se podem interpretar também como províncias ou países, governadas pelos “Sete Reis de Edom”, Reis que eram na Terra as expressões humanas dos Sete Dhyans-Choans. Seria supérfluo assinalar a identidade de sentido entre Edom e Éden, o bíblico Paraíso terrestre.

APTA tem ainda o significado de “creche”, manjedoura, presépio e também “O lugar onde nasce o Sol”. O simbolismo do presépio é uma cópia fiel do que existe nos ritos bramânicos, além de outros. Segundo Bournouf, assim se explica sua origem: A cruz Suástica (não confundir com a Sovástica do Nazismo que tem a rotação em sentido contrário, símbolo portanto da involução) é representada por dois pedaços de madeira que, para não se moverem, são cravados com quatro pregos e na junção dos braços da cruz passa uma corda que, pela fricção, produz fogo. O Pai do Fogo Sagrado é o divino carpinteiro Tuashtri, que prepara a cruz e o pramanta que deve gerar o filho divino. A Mãe do Fogo Sagrado é Maya, que eqüivale à Virgem Maria cristã.

Quando o pequeno Agni nasce (Agni é fogo em sânscrito; Agnus, em latim, é o Cordeiro. “Agnus Dei Qui tollis peccata mundi”…) – é colocado num berço (manjedoura) entre animais, e ao lado fica a Vaca mugidora. Ora, Vach (o mesmo que vaca), em sânscrito significa o Verbo Sagrado, Palavra Criadora ou Logos Criador.

Procuremos agora relacionar esses fatos com aquela conhecida passagem bíblica: “No princípio era o Verbo, e o Verbo se fez carne e habitou entre nós…”

O sacerdote brâmane toma o pequeno Agni em suas mãos, coloca-o sobre um altar untando-lhe o corpinho com manteiga clarificada, do que se originou a sagrada unção pelos santos óleos adotada pela Igreja nos batismos. É justamente quando o menino Agni recebe o nome de Ungido (Iluminado), Akta em sânscrito e Christos, em grego. Torna-se ele resplandecente, pois que tudo em seu redor se ilumina. As trevas desaparecem e os demônios fogem espavoridos ao clarão de sua luz cintilante.

Ele é o Guru dos gurus (ou Maha-Guru, Grande Instrutor, etc.) o Mestre dos mestres e toma o nome de Jâtavâdas: Aquele em quem a Sabedoria é inata.

Como se vê, a tradição da Sagrada Família aqui no Ocidente representada por Jesus, Maria e José (o carpinteiro), se encontra nos Vedas, a escritura sagrada dos hindus, com uma antigüidade de 3100 anos anterior à nossa Era.

A mãe de Krishna, que surgiu na Índia cerca de 3500 anos A.C. se chamava Devaki, linda e virtuosa princesa, irmã do Rei de Madura, em torno da qual se criaram as mesmas lendas relativas a outras Virgens-Mães ou Marias. É curioso também assinalar a estranha semelhança de grafia e de som entre a expressão latina Jesus Christus e Ieseus Krishna…

Escreve Blavatsky em sua Doutrina Secreta: “Desde os rischis indianos até Virgílio, e de Zoroastro à última sibila, todos, sem exceção, desde o começo da Quinta raça-mãe, profetizaram, cantaram e prometeram a volta cíclica da Virgem e o nascimento de uma criança divina, que faria voltar a “Satya Yuga”, a idade de ouro sobre a Terra. Logo que as práticas da Lei estiverem na ocasião precisa de terminar o ciclo da “Kali Yuga” (idade negra, em que ainda vivemos), um Aspecto do Ser Divino, que existe em virtude de sua própria natureza espiritual, na pessoa de Brahmâ, e que é o Começo e o Fim (Alfa e Ômega), descerá sobre a Terra. Ele nascerá na Família de Vishnujasha, como um Eminente Filho de Shamballah e Senhor dos oito poderes do Iogui. Por seu imenso poder, destruirá Ele todos aqueles cujo mental é voltado à iniquidade. Então a Justiça se fará na Terra, e os que viverem até o fim da “Kali Yuga”, despertarão com o mental transparente e puro como o cristal”.

Nenhum Ser de tão elevada expressão como Jesus, nasceu jamais num estábulo… Pelo contrário, em todas as teogonias, o nascimento de Seres Iluminados se verifica sempre no seio de famílias nobres, abastadas, de sangue real.

Gautama, o Buda, era o Príncipe Sidarta, de Kapilavastu; abandonou riquezas, palácios, títulos e bens terrenos para conviver com os humildes da plebe, viajando como um nômade, ensinando as verdades do espírito para plantar a semente da salvação sobre seus passos e criou gerações de discípulos cujas luzes iluminam os séculos dos povos orientais. Seu nascimento foi marcado pelos mesmos mistérios que envolvem o de todos os Seres da Divina Hierarquia. Um deva de luz ou anjo o anunciou à sua mãe que, antes de concebê-lo, teve a visão de um elefante branco ostentando o Loto das Mil Pétalas, como símbolo da Centelha Divina manifestada na Terra.

Os grandes iluminados nunca nasceram de pais indigentes, muito menos em um cocho ou manjedoura. Se assim fosse, menores teriam sido seus sacrifícios e renúncias em favor da humanidade. Não poderiam sentir em todos os seus horrores as agruras da miséria dos homens se nela tivessem nascido.

Jesus, o Cristo, cujo nome original era Jeoshua Ben Pandira (O Filho de Deus, melhor que “o filho do homem”) não nasceu nas paupérrimas circunstâncias descritas pela tradição exotérica, por isso que era um Ser proveniente de Salém, a Cidade Luz das escrituras hebraicas, que é a mesma misteriosa SHAMBALLAH das tradições orientais, “a ilha imperecível que nenhum cataclismo jamais poderá destruir”.

Segundo a lenda cristã, quando Jesus nasceu foi visitado por três Reis Magos do Oriente. Qual a verdade que se oculta nessa lenda? Eis a nossa resposta: os Três Reis Magos representam os Três Chefes do Governo Oculto do Mundo (sob o ponto de vista de Governo Espiritual). Representam os Três Chefes ou Triumvirato governador da AGARTHA, que são: o Chefe Supremo que possui o título de Brahâtmâ ou Brahmâtmâ (apoio das almas no Espírito de Deus) e seus Dois Assessores ou Colunas: o Mahâtmâ, representando a Alma Universal, e o Mahanga, símbolo de toda a organização material do Cosmos. Segundo Ossendowski, o Mahâtmâ conhece todos os acontecimentos futuros e o Mahanga dirige as causas desses mesmos acontecimentos; quanto ao Brahâtmâ, pode falar com Deus face a face.

O Mahanga oferece ouro ao Menino-Deus, e o saúda como Rei; o Mahâtmâ oferece-Lhe incenso e o saúda como Sacerdote; enfim, o Brahâtmâ oferece-lhe mirra (o bálsamo da incorruptibilidade, imagem de Amritâ), e Lhe dá as boas vindas como Profeta, o Mestre espiritual por excelência. Desse modo, o Cristo recém-nascido é homenageado nos Três Mundos, como sendo seus próprios domínios. Maitréia significa, igualmente, o Senhor das Três Mayas, ou dos Três Mundos.

Na tragédia do Gólgota, diz a tradição vulgar, a cruz de Jesus é ladeada pelas de dois “ladrões”. Na Maçonaria o grão-mestre é ladeado por duas “colunas”, J. e B., iniciais de Jakim e Bohaz, que coincidem, significativamente, com outras da biografia daquele Iluminado: Jeoshua Ben Pandira, os nomes das cidades onde nasceu e expirou, Belém e Jerusalém, o nome de João Batista, seu Arauto ou Iokanã que o batizou no Rio Jordão, no momento em que sobre Ele desceu o fogo do Espírito Santo simbolizado na pomba imaculada.

Todos os grandes seres, antes de consignarem sua presença entre os homens através do ventre de uma mulher “eleita”, são anunciados por outros seres também de grande excelsitude, que são os Iokanãs. Este vocábulo pode ser decomposto em Io, com o significado de “o grande princípio universal feminino” (Ísis, Maya, Lua, etc.), e Canã ou Canaã, a terra da promissão. Na melhor interpretação, Iokanã é aquele que conduz, anuncia alguém, pelo Itinerário de IO ou de Ísis, o Caminho Real por onde deve passar um novo clã, família, raça. Caminho de IO ou de Ísis é o caminho percorrido pelas Mônadas. IO dá ainda a figura aritmética dez, podendo ser relacionado com a décima lâmina do Taro divinatório dos boêmios que simboliza a Roda da Fortuna, a roda dos nascimentos e das mortes nos três mundos. Quem faz girar essa Roda é o Divino Rotan, o Chakravarti, o mesmo Senhor dos Três Mundos.

Duplicando-se o monossílabo IO, temos IOIO, que pode também significar mil e dez; substituindo-se a segunda e quarta vogal por S, temos ISIS, e permutando-se a posição dos dois últimos algarismos (01) forma-se o mil e um que faz lembrar as Mil e Uma Noites dos maravilhosos contos iniciáticos, nos quais se encerram profundos mistérios ligados ao longo e sinuoso Itinerário de IO ou de ISIS. Tais mistérios, na sua totalidade, são conhecidos apenas pelo Supremo Arquiteto como Logos Criador, do qual se têm emanado ciclicamente os Avataras Divinos, que vêm com a Sua palavra (a Boa Nova de cada ciclo) impulsionar as mônadas (para tanto “julgadas” aptas) pelo extensíssimo IO.

Assim foi com Krishna, Buda e Cristo e com todos os outros Iluminados que têm vindo a este mundo inferior. E há de ser assim em futuro próximo, isto é, no começo do século XXI com a Nova Manifetação cíclica do Grande Senhor, o MAITRÉIA BUDA. Este Glorioso Ser, o Kalki-Avatara das tradições multimilenares, é também denominado o Cavaleiro Akdorge, que virá esmagar o dragão do Mal que ameaça devorar a Bela Princesa acorrentada à porta do palácio, que outra não é senão a própria humanidade encarcerada nas trevas das superstições e da ignorância, mãe dos erros de toda espécie.

Maitréia, o Senhor dos Três Mundos ou das Três Mayas, cavalgando seu corcel branco, simboliza o Ternário Superior do Espírito, dominando e dirigindo o Quaternário inferior da persona, e pessoa do homem físico, ou seja, o veículo denso através do qual o Som, o Verbo se expressa…

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Quanto ao Papai Noel, este bom velhinho de longas barbas de neve carregando às costas um grande saco de brinquedos e presentes para alegrar os corações de crianças e adultos no dia 25 de dezembro, quem é Ele? Quem inventou essa personalidade tão generosa quanto pontual no cumprimento do seu dever de renovar anualmente as esperanças da humanidade?

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Quem diz todos os anos, diz “ciclicamente”. Podemos vislumbrar nessa maravilhosa personalidade natalina o Pai Onipotente, de infinita bondade, que se manifesta de ciclo em ciclo para premiar os homens que se mantiveram fiéis ao Espírito de Verdade, presenteando-os com a Boa Nova, isto é, com novos conhecimentos que propulsionam o progresso das mônadas, através de mais uma etapa no longo Itinerário de IO.

E a Árvore de Natal, essa dadivosa planta que nos oferece no fim de cada ano brilhantes frutos simbolizados nas bolas de ouro, de turquesa, esmeralda e rubi? Ela exprime a Árvore Sefirotal, representa a Árvore dos Avataras, sendo o seu tronco o Bija ou Semente de todos Eles, a Árvore da Vida plantada no Quaternário da Terra, que floresce e produz maravilhosos frutos de ciclo em ciclo. Ela nos diz também da Árvore de Bodhi, ou da Sabedoria divina, cujos vários ramos com seus frutos multicores significam os diversos aspectos e as múltiplas expressões da Verdade Única, da Eterna Verdade apregoada aos homens pelos Avataras cíclicos.

Fiat Lux!

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O SEGREDO DA ELEVAÇÃO DE BONAPARTE E DE SUA QUEDA – Henrique José de Souza https://semeandoconhecimento.com.br/o-segredo-da-elevacao-de-bonaparte-e-de-sua-queda-henrique-jose-de-souza/ Sat, 04 Jun 2016 14:20:22 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4278 O SEGREDO DA ELEVAÇÃO DE BONAPARTE
E DE SUA QUEDA
Henrique José de Souza
28 de Setembro de 1941

O fim parecia ter chegado, quando as armadas francesas, vitoriosas, poderiam ser lançadas, imediatamente, sobre a Europa e ser implantada uma vasta Federação de Estados. Quem foi que realizou tal coisa? Um homem, cuja história interior não era conhecida. Tal vida oculta de um ser, que tanto foi admirado por uns, como desprezado por outros, vamos desenhá-la em rápidos traços:

Começamos por declarar que Napoleão I foi um “traidor”, do ponto de vista iniciático. E foi a razão única de ter sido deportado para Santa Helena. Dito isso, comecemos a narração.

Um general francês da República encontrava-se no Egito… E era o primeiro a proclamar aos seus soldados: “de cima dessas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam”. Ilustrava-se ele por suas coragem e capacidades. Era um homem de gênio, como o mesmo S. Germano, já o previra, naquela profecia quando ainda criança, chamando-o de Bonaparte. De há muito as Sociedades secretas, para não dizer algo de maior valor… lançavam as suas vistas para a referida “criança”, e por isso mesmo, aproveitavam a melhor ocasião para fazê-lo chegar à sua presença, estando no Egito. Entre os civis que o acompanhavam, houve alguém que se incumbiu de semelhante coisa, no que ele acedeu de boa vontade, recebendo, desse modo… uma iniciação nas galerias subterrâneas, bem próximas das mesmas pirâmides, se é que não se unem todas, entre si, unindo-se também, com a Esfinge… Foi em tal momento, que se lhe prometeu a maior proteção secreta, se quisesse ele trabalhar a favor da organização dos “Estados Unidos da Europa”. Bonaparte aceitou. E depois de ter prestado juramento, diante de inúmeras testemunhas, volta à França. Tinha ele apenas vinte e sete anos. Inicia-se a campanha da Itália, Bonaparte a dirige. Era informado de tudo. Inúmeros agentes encontravam-se à sua disposição, inclusive o tradicional “homem da capa encarnada” (raio de Marte…). Por isso, tornou-se vitorioso nas famosas batalhas, que o leitor está farto de conhecer. Tornou-se Imperador dos Franceses e Rei da Itália. Que fez ele? Colocou seus irmãos e irmãs nos tronos da Europa. Resiste-lhe o Papado; ele se revolta, pois que, completa mudança se tinha dado com ele… Traiu então, o seu Juramento, tudo querendo realizar em proveito de sua ambição pessoal. Ele julga que “seu momento havia chegado, e menospreza as “Ordens dos Superiores Desconhecidos”. Mais uma vez o “Homem da capa vermelha” procura chegar à sua presença, mas… o ingrato o recebeu debaixo de ridículo. Chegou mesmo a exasperar-se com o seu fiel Conselheiro de outrora, quando este lhe faz lembrar o “Juramento nas galerias subterrâneas das pirâmides…”. E quando vai dar “ordem para que o prendam”, o mesmo desaparece de suas vistas, como se fora um fantasma…

Desde então ficou ele abandonado às suas próprias forças. Começa a perder todas as batalhas, que se findam, lamentavelmente, na de Waterloo. As tropas que deveriam socorrê-lo chegaram demasiadamente tarde. E ele perde a Coroa, como a perderam os próprios Reis divinos, nos dias trágicos da Atlântida…
Finalmente, a Inglaterra se apodera do “traidor” e o encerra em Santa Helena, onde ele pôde meditar à vontade… sobre semelhante “traição”. Pobre Napoleão Bonaparte!
Semelhante história, por completo desconhecida, não diminui, entretanto, as suas glórias… E isso também concorre para que a França, por sua vez, fosse gloriosa perante os demais povos do mundo. Podemos, pois, admirar semelhante gênio, que venceu todos os generais da Europa, e que realizou milagres que hoje, pela lei da relatividade – não mais poderiam ser realizados, mesmo com os processos de destruição muito mais avançados que os daquela época!
Eis aí, a França desmembrada. Os Maçons começam a fazer sua pequena história de libertação das inteligências pelo ateísmo. Assim agindo, eles, por sua vez, vão de encontro à Maçonaria Universal, por isso mesmo, são postos de lado, aparecendo então, a Franco-Maçonaria, que mesmo assim não deve ser confundida com aquela.

A seguir, aparece um outro homem na Itália. Seu nome é Louis-Napoleon-Bonaparte. Iniciado no Carbonarismo, jurou lançar o Papa por terra. Note-se bem que era livre tanto em o fazer como em não o fazer… Jura, ainda, “sem que ninguém lho pedisse”, que tudo fará para aniquilar o Papado, se lhe desse o Poder. Ele sobe ao trono, por meio de um golpe de Estado, que se qualificou de irregular, mas que se tornou regularíssimo, como sempre, por parte daquele que sai vitorioso. Uma vez no poder, Napoleão III esqueceu tudo quanto de “motu-próprio” prometeu. Não pensa que existe um Papa, nem uma Itália. Então, se lhe enviam vários bilhetes que ele encontra atravessados, sempre, por um punhal. E como continuasse a não ligar importância, se lhe envia um tal Orsini, que antes lhe dirigiu uma mensagem toda especial. Desta vez, ele compreendeu. Tropas francesas são mobilizadas e enviadas para a Itália. O Papa é privado de seu poder temporal (que nunca deveria ter, diga-se de passagem, como o mesmo Antônio Vieira foi o primeiro a demonstrar… “que o Poder Temporal é um, e o Espiritual, bem outro”). Napoleão III esquece de novo a sua promessa. Foi então, que se passaram os seguintes fatos, que em síntese vamos relatar:

A missão de formar um grupo com todos os Estados da Europa foi confiada a um novo soberano. Era Guilherme I, rei da Prússia. Comprometido por juramento, a constituir a Federação dos Estados Alemães, e mais tarde, a dos Estados da Europa, foi admiravelmente auxiliado na primeira etapa, por um chanceler sagaz e um tanto brutal, mesmo em seu modo diplomático de “golpe de punho um tanto fácil”. Chamava-se Bismarck, como o mundo inteiro o sabe. Com semelhante auxiliar, foi capaz de cumprir a sua promessa. Poderia ter colocado os membros de sua família em todos os tronos da Alemanha, e, no entanto, não o fez. Poderia ter escolhido melhor alguns personagens de mérito, para esses mesmos lugares. Se errou, não o fez por maldade. Do mesmo modo, não se deixou conduzir, como outros o fizeram, pelas famílias reinantes da Alemanha. Todos conhecem a que ponto chegou o referido País, no que diz respeito ao seu formidável poder industrial, comercial e até militar, e ninguém ignora finalmente, a rivalidade existente entre ele e a Inglaterra, que já em 1914, mediam forças, ao lado da França etc. Em tal época, a Alemanha sob o férreo pulso de Guilherme II, que “acaba de morrer no exílio, no seu castelo, em Endem, na Holanda”, e que, por sua vez, embora o mundo ignore, também estava ligado por um Juramento idêntico ao de Napoleão, com certas Associações secretas… acabou por se sentir tão poderoso, que ouvidos não mais quis dar a nenhuma delas… E o resultado, foi aquele que se viu…

Uma grande reviravolta, entretanto, se deu no mundo. E já então, passa à mesma Inglaterra* uma outra missão que infelizmente não podemos apontar neste estudo, nem em outro qualquer, de modo minucioso. Diremos apenas que é por essa mesma razão, o poderoso e eficacíssimo apoio que lhe dá a América do Norte, arrastando os demais Países da América do Sul.
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* Não pertencem seus reis à Maçonaria escocesa (rito de York), sem que isso jamais afetasse à religião por eles adotada? Grave erro, entretanto, o de se negar direito de continuar no trono ao atual Duque de Windsor, pelo fato de “ter amado uma mulher que não era de sangue nobre”. Ou melhor, de não ser aquela que, politicamente falando, deveria ser a sua esposa. Quantas vezes foram insinuadas várias princesas para este lugar… e quantas vezes se negou ele a aceitá-las como tal. O arcebispo de Londres, através de Lord Baldwin, um fanático religioso, os que mais concorreram para o referido erro. Nostradamus, já há quatro séculos prognosticara tal coisa. Mas o fato é que, dentro da “lei do livre arbítrio”, acompanhando a própria evolução do mundo, permitiria algo justamente contrário. Nessa união ou casamento, esotericamente falando, estaria firmado o “futuro pacto político (ou união) entre Inglaterra e América do Norte.

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AS MISTERIOSAS PERSONALIDADES DOS CONDES DE CAGLIOSTRO E S. GERMANO Henrique José de Souza (Dharana 110, 1941, páginas 85 a 98) https://semeandoconhecimento.com.br/as-misteriosas-personalidades-dos-condes-de-cagliostro-e-s-germano-henrique-jose-de-souza-dharana-110-1941-paginas-85-a-98/ Wed, 27 Apr 2016 18:18:46 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4265 O mundo ignaro – como acontece sempre com todos os Iluminados que se apresentam em diversos períodos críticos da História – formou em torno da Personalidade do Conde de S. Germano um bem tecido véu de diabruras e calúnias; porém, através de semelhante véu acabam por transparecer – por pouco que se estudem os estranhos poderes taumatúrgicos, a sabedoria e a elevada moral de tão incompreendido Ser, a quem um homem tão frívolo e de intenções um tanto duvidosas, como era Voltaire, considerou “como possuidor de um saber universal”, e a quem a condessa Ademar compara com o Zanoni de Bulwer Litton, “cuja obra” – embora alguns defeitos de ordem cabalística – “parece calcada nos maravilhosos fatos realizados pelo primeiro”.
Daremos ao leitor – transcrevendo as Memórias da Condessa Ademar pela Sra. Isabel Cooper Oakley – uma sucinta ideia das principais passagens à mesma acontecida, nos tempos a que nos referimos:
“Certo dia, pela manhã e com o pseudônimo de Saint-Noel (1) penetrou S. Germano no apartamento da Condessa, lépido, jovem, como se os anos não tivessem passado desde a época de Luiz XV, cuja amizade havia ele cultivado. Madame Ademar logo entabulou uma conversa a respeito dos bons augúrios que se faziam, naquela ocasião, a respeito do sucessor de Luiz XVI, ao que o conde contestou, segundo consignam as referidas Memórias:
— Senhora, sinto não ser de vossa opinião. Este reinado será fatal… Formou-se gigantesca conjuração para derrubar o existente, reedificando-o debaixo de novo plano (o novo plano, dizemos nós, estava velado por baixo daquela frase, do aviso lançado por Cagliostro, ou seja o do “novo Templo de Jerusalém”. Tal palavra, como se sabe, interfere, de modo direto, na do rei Melki-Tsedek…). A família real, o clero, a nobreza e a magistratura, estão ameaçadas de morte. Há, entretanto, tempo ainda, para salvá-las, se me for facultado chegar à presença do rei, mas que o ignore o seu inepto ministro (Maurepas), que é quem precipita a nação à sua total ruína. (2)
— Senhor Conde, suas palavras são bastantes para o conduzir imediatamente à Bastilha, até o fim de seus dias… replicou madame Ademar, que depois de lhe ter relatado várias coisas sobre o estado do país e as intrigas da Corte, prometeu que no dia seguinte o levaria à presença de Maria Antonieta.
Antes do mesmo partir, perguntou-lhe a condessa:
— O Sr. Conde vai fixar residência em Paris?
— De modo algum, senhora condessa. Passará mais de um século, ou sejam três gerações, antes que eu tenha de voltar…
E eu, continua a sua narração a condessa Ademar, não pude contar estrepitosa gargalhada, ao ouvir semelhante promessa completamente fora das leis naturais, por sua vez correspondida pelo sorriso de superior desdém, com que o Conde de S. Germano costumava receber qualquer réplica que se fizesse às suas palavras. No mesmo dia fui a Versailles entrevistar-me com a rainha, que informada do acontecido, teve estas palavras:
— É assombroso! Ainda ontem recebi uma nova carta de misterioso e anônimo amigo, fazendo-me ver que, no dia seguinte se me faria uma importante revelação a que, de modo algum, seria conveniente não atender… Diante disso, pode trazer a minha amiga, esse misterioso Conde, disfarçado com a libré de vossos lacaios.
E tal aconteceu.
— Não duvido, Conde – disse a rainha, na entrevista marcada – que tendes grandes coisas para me revelar.
— Rainha – respondeu este, sem lhe dar o título de Majestade e em tom solene – procure examinar, na sua sabedoria, o que lhe vou revelar: o partido enciclopedista deseja o Poder, e como não o obtenha sem a queda definitiva do clero, para consegui-lo terá que derrubar a Monarquia. Tal partido, que hoje procura encontrar um chefe entre os membros da família real, pensou no Duque de Chartres. Este príncipe se fará um dócil instrumento de pessoas que acabarão por sacrificá-lo. Ser-lhe-á oferecida a coroa de França, e em lugar do trono, encontrará o cadafalso; porém, antes de semelhante data, quantas desgraças e quantos crimes não se despenharão sobre a pobre França! As leis não mais serão protetoras do bem, nem aterrorizadoras do perverso, pois que serão estes que arrebatarão o Poder com as suas mãos ensanguentadas, abolindo a religião católica e a magistratura…
— De sorte que não ficará, senão, a realeza? perguntou a rainha com febril impaciência.
— Não ficará sequer a realeza, mas uma República caótica, cujo cetro será o chicote do verdugo.
— Senhor – interrompi indignada – tendes em conta o que dizeis diante de quem o fazeis?
— A gravidade das circunstâncias desculpa o meu atrevimento – replicou friamente S. Germano. Eu não vim aqui para render à rainha as homenagens de que já deve estar enfastiada, mas, para apontar-lhe os perigos que ameaçam a sua coroa, se não tomar imediatamente as providências que o caso requer. Ademais, sendo estrangeiro, toda vassalagem em mim, é um ato gratuito.
— Senhor – observou a rainha, aparentando uma certa frieza – o verdadeiro pode, muitas vezes, tornar-se enganador…
— Pode, respondeu o conde – porém me permitireis fazer-vos lembrar que, Cassandra predisse a ruína de Tróia e ninguém acreditou em suas palavras. Eu sou Cassandra, e a França, o pobre reino de Príamo. Alguns anos se passarão sob enganadora calma… mas, depois, surgirão de várias partes, homens ávidos de vingança, de poder e de dinheiro, que destruirão tudo quanto se anteponha a sua marcha… Um delírio frenético de roubos, assassinatos e proscrições se apoderará de todos os cidadãos, em plena guerra civil. Então, muitos deplorarão, embora que inutilmente, não me terem ouvido…
Dizendo isto, logo o Conde manifesta à rainha a necessidade de falar com o rei, sem a presença do seu inimigo pessoal, o inepto Maurepas, mas a rainha, apresentando razão de Estado, negou-se, peremptoriamente a atender ao seu pedido. Com isso, ficou sem efeito a entrevista, embora que, antes de partir o Conde, a frívola soberana, admirada, lhe perguntasse pelo lugar de seu nascimento.
— Nasci em Jerusalém (novamente o termo ligado a Melki-Tsedek, e consequentemente, dizemos nós… com o “reino da Agartha”), faz tanto tempo, que nem desejo lembrar-me… Não gosto, também, de dar a minha idade, pois isso pode trazer desgraça… Basta apenas, acrescentar que todo ato de obediência, por minha parte, é de pura cortesia… Não desejo ir à Bastilha nem tampouco que outro por mim vá ter a semelhante lugar…
— E que importa isso, desde que, com semelhantes poderes, será capaz de passar através dos próprios muros e das grades da prisão?…
— Prefiro, senhora, não ter que recorrer a milagres… Só vos digo que se o Rei me chamasse, aqui tornaria a voltar…
— Porém, como poderíamos chamá-lo?
— Não vos preocupeis por tão pouco, rainha… Não me faltam meios para sabê-lo… (outras palavras reveladoras, dizemos nós).
Nas Memórias da Condessa Ademar vem logo a entrevista da rainha com o rei e deste com Maurepas, com o resultado negativo previsto por S. Germano:
— “Conheço esse solene impostor, senhores – disse Maurepas à Condessa, em sua entrevista com a mesma alguns dias depois. Só uma coisa nele me surpreende, como é que continua aparentando a idade de quarenta anos, enquanto nós, vamos, cada vez mais, envelhecendo?… De qualquer modo, nossos policiais em breve darão com ele, e nada de mau sucederá ao truão, a não ser que será conduzido à Bastilha, onde, bem hospedado e alimentado, permanecerá até que se digne revelar onde pôde saber coisas tão interessantes…
Mal acabara de pronunciar tais palavras, a porta do gabinete se abriu, para dar passagem ao Conde, em pessoa, o qual se defrontando com Maurepas, arrojou-lhe na face estas julgadoras palavras:
— Senhor conde, o rei necessitava de um conselho valioso e desinteressado, mas vós vos incumbistes de mantê-lo afastado, sobre o frágil pedestal em que vós mesmo vos encontrais. Opondo-vos a que eu com ele me defrontasse, acabastes de aniquilar a Monarquia, pois não me resta senão pouco tempo para dedicá-lo à França, o qual uma vez transcorrido, só tornarei a ser visto depois de esgotadas três gerações… Tive ocasião de dizer à rainha tudo quanto me foi permitido revelar-lhe; uma entrevista minha com o rei, entretanto, mais completos e concisos seriam os meus conselhos, se não tivésseis servido de barreira. Ninguém, pois, poderá acusar-me de indiferente à mais feroz anarquia que se vai desencadear sobre a França… Ela estava entre dois dilemas: o de erguer-se ou o de esboroar-se (o DESTRUERE e o CONTRUERE da própria Justiça agartina, a que já nos referimos…). Preferiram o segundo, mas chorarão por não me terem ouvido. Quanto a tais horrores, vós não os vereis; porém, só o fato de terdes concorrido para a sua manifestação, bastará para que vossa memória seja execrável. Sim, ministro frívolo, mentecapto e odioso, dos muitos que arruínam os povos!…
E tais palavras proferindo, desapareceu o conde de S. Germano. Inúteis foram todos os esforços para ser o mesmo encontrado…
E tal fato se deu – continua a Condessa Ademar – em 1788; porém, antes de 1793 já a catástrofe havia chegado… Não posso resistir ao desejo de falar de certa carta que recebi do conselheiro Sallier, enviada antes dessa época.
— Ah! Senhora! Tudo treme sob os nossos pés. E só agora, infelizmente, começo a crer que o vosso Conde tinha razão…
A rainha fez-me chamar no dia seguinte. Trazia na mão uma carta escrita em versos proféticos, onde já era apontada a execução da própria família real.
Procurando tranquilizar-se, começou a falar como se estivesse sozinha:
— Quem será esta personagem que há tanto tempo vem se interessando por mim, sem querer revelar a sua identidade sem a menor recompensa, mas… dizendo sempre a verdade? Quanto aos demais que me cercam, nem vale a pena falar a seu respeito… “os reis estão condenados a se enfastiarem sós…”.
Depois da proscrição dos realistas em 1789, novo aviso recebeu a rainha, do desconhecido que tanto se preocupava com ela (além do mais, dizemos nós… em relação com algo de interessante passado em uma de suas “vidas anteriores”, coisa que aqui não pode ficar demonstrado).
Na dolorosa cena de despedida, a que assisti, entre a rainha e a proscrita duquesa de Polignac, tive ocasião de ouvir o que a mesma dizia:
— Desde a minha chegada à França e em todos os acontecimentos importantes da minha vida, misterioso protetor me preveniu sempre de tudo quanto me ameaçava (3). Lede esta carta:
“Senhora: Fui Cassandra. Minhas palavras caíram no vácuo e a tempestade já se desencadeou como eu previra… Todos os Polignac e seus amigos serão condenados à morte: seus carrascos serão os mesmos que acabam de servir ao Corregedor e aos oficiais da Bastilha”.
Nesse ínterim, deu entrada o Conde de Artois, relatando, com todos os detalhes, a proscrição dos realistas. Ao chegar à casa, por minha vez, encontrei uma carta que me era dirigida, e que tinha os seguintes dizeres:
“Tudo está perdido, senhora condessa. Este sol será o último que alumiará a monarquia. Amanhã ela não existirá, substituída pelo caos da anarquia (sim, dizemos nós, o próprio Karma de quem não quer atender à sábia Voz da Razão… Nada pior aos homens, por mais elevados que estejam, do que se julgarem inabaláveis, indestrutíveis… firmes, enfim, em seus tronos, se a vida no mundo é transitória!). Já agora sabeis a razão de todas as minhas tentativas para imprimir aos negócios públicos uma marcha completamente diferente; porém, desdenharam os meus conselhos; agora é tarde. Conheço a obra preparada pelo demônio de Cagliostro (sim, como o destruere para o construere, que era ele mesmo, S. Germano. Ai daqueles que não quiserem ouvir a Palavra da Lei!… Acontecerá o mesmo que outrora na Atlântida… e em todos os tempos que se lhe seguiram, quando um ciclo entra em franca decadência…). É a Justiça divina, manifestada como terrena. Ninguém o duvide!… Dies irae! Dies irae!… (mais reveladoras, ainda, semelhantes palavras, donde, o termo Jehovah, daquele aviso de Cagliostro aos maçons franceses e ingleses…).
“Mantende-vos afastada, que eu velarei por vós… Se fordes prudente, vivereis ainda depois que a tempestade a todos tenha destruído… Resisto ao desejo que tinha em ver-vos agora, pois sei que me suplicaríeis algo impossível: salvar aos reis e demais membros da sua Família. Tudo tem a sua hora apropriada: passada esta, nada mais se pode fazer em contrário… Os homens ignoram tal coisa! O duque de Orleans, que triunfará amanhã, atravessará em louca disparada para o Capitólio… e logo depois será precipitado pela rocha Tarpeia. Entretanto, se quiserdes ainda ver este velho amigo que mais uma vez vos escreve, procurai-o às 8 horas da manhã, na igreja dos “Enjeitados”, na segunda capela da direita… Vosso: Conde de S. Germano”.
Não pude reprimir um grito de surpresa, ao ler a assinatura: vive ainda o homem a quem todos considerávamos morto em 1754 ou em 1780!… Era uma hora da madrugada quando li semelhante carta; inútil dizer que passei toda a noite em claro… Às oito da manhã já estava no lugar indicado, deixando um lacaio, de toda minha confiança, postado à porta da igreja. Mal concentrei meu Pensamento em Deus (o grifo é nosso), vi aparecer S. Germano com o mesmo frescor de juventude com que o conheci em 1760, enquanto que eu, pobre de mim!… estava envelhecida devido aos anos que haviam passado!…
— Donde saiu, Sr. Conde? – perguntei-lhe, depois de me ter beijado, reverentemente, a mão. (4)
— Venho da China e do Japão, respondeu, ou melhor, do outro mundo (sim, do mundo agartino ou Jina…). Porém, quem quer que tenha conhecido, como eu, a França de Richelieu e de Luiz XIV, poderá reconhecê-la hoje?… “Quem semeia ventos colhe tempestades”, disse Jesus, no Evangelho, mas não antes de mim, talvez… (nova revelação, e das mais preciosas, sobre a sua elevada hierarquia! Só os néscios não o compreenderão…). Como vos disse em minha carta, nada mais posso fazer. Há períodos, já disse certa vez, em que se pode retroceder, e outros, nos quais a sentença, o JULGAMENTO se tendo pronunciado, mister se faz ser cumprido (mais outra revelação… Sim, dizemos nós, na razão do Destruere et Construere!).
— Vereis a rainha? perguntei-lhe.
— Não, já foi sentenciada.
— Sentenciada?… A que?
— À morte!
………………………………………………………………………………………….

Depois de diversos detalhes relacionados com os infelizes Reis, o Conde acrescentou:
— Completa será a ruína de todos os Bourbons (não esquecer das 3 iniciais que o mesmo Cagliostro trazia no peito, isto é,
L.P.D. “Lilia Pedibus Destrue”), os quais em menos de um século, passarão à mais baixa categoria, expulsos, como serão, de todos os seus tronos… A França atormentada, agitada, desviada… será reino, república, império e estado misto, numa sucessão verdadeiramente apavorante. Tiranizada por hábeis perversos, passará de ambiciosos a ambiciosos, dividida, despedaçada, tal como o Baixo Império. Dominará o orgulho, abolidas serão as distinções, não por virtude, mas por vaidade (é nosso o grifo). E por vaidade também se volverá às mesmas. Os franceses, como verdadeiras crianças, jogarão aos títulos, honras e cordões.
E… sob a ditadura dos filantropos, os retóricos e os pronunciadores de belas frases (esses “discursos”, dizemos nós, inúteis, e até prejudiciais), a Dívida do Estado montará a muitos milhões…
— Mas, Sr. Conde – fiz-lhe ver – tornou-se um terrível profeta! Quando o tornarei a ver?
— Ver-me-eis, senhora, apenas cinco vezes. .Não procureis encontrar-me a sexta vez. Vou deixar-vos para tomar a diligência que segue para a Suécia. Um grande crime se prepara, também ali, e eu preciso – como sempre – evitá-lo. S. M. Gustavo III, interessa-me. (Sim, o “rei dos reis”, o Rei do Mundo, no seu mais amplo sentido espiritual… não pode deixar de se interessar pelos “reis” de sua superfície, apenas. Sim, “reis transitórios” mas de qualquer modo, “dirigentes de povos”, dizemos nós…). Sim, porque vale mais do que se afigura a sua fama.
E como a condessa ficasse alarmada com semelhantes profecias, respondeu justamente, ao despedir-se:
— Tal acontece, sempre, a nós, “os Filhos da Verdade”… A Humanidade só recebe bem ou com louvores, aqueles que a bajulam, enganando…
E desapareceu. Meu criado nem sequer pôde descobrir por onde o mesmo tinha saído”.
E em uma nota solta:
“De fato, tornei a vê-lo cinco vezes. E sempre, possuída de grande emoção; a primeira, quando da morte da rainha; a segunda na véspera do Dezoito Brumario; a terceira, quando morreu o Duque de Enghien; a quarta em janeiro de 1815, e… a quinta, na véspera do assassínio do Duque de Berry. Espero – termina o diário em 1821, um ano antes da morte de sua autora – a sexta visita de meu amigo, quando Deus for servido”.
“A transcrição – acaba dizendo Isabel Cooper Oakley – defende as diabruras lançadas contra o Mestre (bondosa amiga condessa Ademar! diria ele se novamente aparecesse…) e as asserções do Dr. Bester, a respeito de sua morte em 1784. S. Germano, como todos os Enviados (muito mais Ele, do que qualquer outro…) pode repetir a famosa frase: “Eu sou a Voz que clama no Deserto!… De nada serviram à França, tais advertências com o fim de a desviar da desgraça”.
Pobre França, dizemos nós, na humildade de nossa própria hierarquia de “homem vulgar”. Quanto ao resto: Honni soit qui mal y pense!…
Franz Graffer por sua vez, relata as repetidas “aparições” do Conde de S. Germano em Viena, “com uma missão relacionada a negócios futuros; nada menos que, com o século XX, esse mesmo século, dizemos nós, onde nos encontramos exaustos, deprimidos, esmagados… com os horrores de uma guerra, mil vezes mais séria do que a anterior. E em cujo começo de século, também vínhamos do Oriente, depois de cumprirmos o nosso dever…
“Uma dessas vezes” diz o mesmo autor, “veio o Conde a Viena para visitar Mesmer” (o primeiro experimentador do Magnetismo, no Ocidente; donde o termo “mesmerismo”), com quem discutiu, de porta cerrada, sobre o “Elixir da Vida”, como aquele que “lhe assegurava, sua eterna Juventude (eterna não é bem o termo, mas algo que se deve manter até realizada uma missão por completo… Depois, o próprio mistério da Agartha).
As várias Lojas maçônicas, citadas anteriormente, também testemunharam diversas reações alquímicas realizadas pelo Mestre, em companhia do mesmo Cagliostro (nada mais claro e mais lógico, podemos afirmar).
Ao volver, certa vez, ao seu consultório, Rodolfo, irmão do mesmo Franz Graffer, como narrador do que estamos agora transcrevendo, ouviu de seu criado, o seguinte: “Faz uma hora senhor, que um nobre de porte elegante, aqui esteve, sem que eu pudesse saber como entrou… e foi logo dizendo: “Encontro-me em Fedalhofe, na mesma casa que habitava Leibnitz em 1714”. “Quando lhe quisemos falar, já havia desaparecido, deixando-nos aterrorizados”.
“Abrimos o laboratório – continua Graffer – e não pudemos conter uma exclamação de assombro: S. Germano estava ali, manuseando uma obra de Paracelso (outra revelação! Não esquecer que dois séculos antes, profetizava aquele… “a queda da Flor de Lis dos Bourbons”!). A descrição feita pelo empregado, bem longe estava da realidade.
Brilhante auréola, continua o narrador, parecia envolvê-lo. Toda a sua pessoa respirava majestade e domínio… Com voz sonora, melodiosa e sem afetação, foi logo me dizendo: “Sei que tendes para mim uma carta de apresentação do senhor Seingalt. Esse senhor é o Barão de Linden. Sabia que os dois estariam aqui a esta hora. Tendes, também, uma outra carta de Bruhl. Pobre amigo! Seu pulmão está arruinado e por isso vai morrer a 8 de julho de 1805. Um homem, que no momento é ainda uma criança (enormíssima revelação, que aqui não pode ser dita…) chamado Bonaparte, será a causa indireta de sua morte. Conheço muito bem os vossos leais procederes. Em que posso, pois, servir-vos?”
Linden tratou de preparar uma rápida refeição, com pastéis, colocando-os diante do Conde, e depois se dirigiu para a adega. O conde fez sinal a Graffer para que se sentasse, fazendo ele o mesmo… Graffer encontrava-se muito impressionado… Linden volta e coloca duas garrafas de vinho velho sobre a mesa…
S. Germano ao vê-las, sorri com indescritível dignidade. Linden, envergonhado, prepara refrescos para substituir o vinho. Novo sorriso do Conde, que foi logo dizendo: “Qual a pessoa que já me viu comer ou beber?… Este Tokay não veio da Hungria, mas, de minha grande amiga Catarina da Rússia. Ela, agradecida pela pintura da batalha de Modling, enviou-lhe um tonel deste vinho estando o pintor enfermo”.
Graffer e Linden ficaram assombrados. Tinham, de fato, comprado o vinho ao grande Casanova! Depois, o Conde dividiu uma folha de papel ao meio e colocando cada metade em separado, tomou uma pena, em cada mão, e encheu-as até mais de meio, depois, subscrevendo-as, disse: — Escolhei, cada qual de vós, uma delas para a vossa coleção de autógrafos. “Isto é Magia, exclamamos os dois, assombrados”. Justapostas as duas folhas de papel, as escrituras concordaram, perfeitamente! O Conde, então, sorriu e pediu que entregassem a outra folha a Ângelo, o companheiro do príncipe de Lichtenstein. (5) “O portador, dizia receberá uma caixinha que… “Neste ponto, S. Germano tornou-se, instantaneamente, pálido, rígido, como se fora uma estátua além de perder o fulgor dos olhos, pois que, desdobrado… naquele momento, realizava, à distância, a materialização da referida caixa (quantos fatos idênticos se deram na STB, no seu início, restando, ainda, muitas coisas, no seu arquivo, inclusive “caixinhas”… onde vieram os mais preciosos perfumes!”…). Logo se reanimou e com a mão erguida, despediu-se de nós, dizendo: “Parto para Constantinopla e depois irei à Inglaterra, para ali… lançar as bases de dois inventos (melhor dito, “descobertas” pois que, Nihil novi sub sole… dizemos nós) de que muito necessita agora a Humanidade: estradas de ferro e embarcações a vapor. As estações mudarão pouco a pouco; virá primeiro, a primavera e depois, o verão. É o gradual decreto dos tempos; o prenúncio do… fim do século. Vejo-o claramente. Astrônomos e historiadores nada sabem. Deviam ter estudado, como eu, nas Pirâmides. Muito há ali para se aprender; já não falo das profecias que elas trazem internamente… No fim do século, desaparecerei do Ocidente, para volver no começo do outro, do Oriente… Esta será a minha nova Obra! Dito isso, os dois discípulos do Conde, deixaram, por alguns momentos a estância, imensamente comovidos. Então repentinamente começou a chover e a trovejar, como se a abóbada celeste quisesse vir abaixo…! Quando os dois discípulos voltaram da chuva, o Mestre havia desaparecido…”

MISTÉRIOS SOBRE MISTÉRIOS
Duas horas da madrugada e diante de misterioso palácio existente em uma das ruas menos movimentadas de Strasburg, para uma carruagem… Um dos cocheiros, embuçado em longa capa se dirige para o grande portão de ferro e faz soar a aldraba por meio de três avisadoras pancadas (6). Dentro de alguns instantes, trazendo na mão uma lanterna de azeite, aparece o porteiro, por sua vez envolvido em grossa e longa capa, além do mais, porque o inverno era dos mais rigorosos…
Saudando ao porteiro, o homem que acabava de saltar da carruagem, manda anunciar ao Conde de San Lorenzo “que a mesma estava às suas ordens”.
Dentro em pouco, também, um casal de nobres, acompanhado pelo velho porteiro, sempre trazendo a lanterna para alumiar o caminho, descia a escadaria de mármore, que ficava à direita do misterioso palácio, dando para uma alameda cercada de simétricos arbustos, que se aprofundando pelo terreno, ia ter à cavalariça e às casas dos empregados.
Saudado o casal, mui respeitosamente, pelo cocheiro que havia dado o aviso, e o outro, que se mantinha ereto na boleia, entraram na carruagem, fechando sem estrépito, a portinhola, donde se destacava o brasão do Conde de San Lorenzo. E os cavalos, no começo, “em marcha lenta e cadenciada”, arrastaram a carruagem até a primeira esquina, tomando daí em diante, maior velocidade, principalmente ao passar pela grande praça onde se ergue ainda hoje a famosa “Catedral de Strasburg”.
Uma hora não havia passado, e já outra carruagem, parava à porta do referido palácio. Nova chamada… e o mesmo porteiro, abrindo o grande portão de ferro que rangia nos gonzos, de modo estranho, erguia a lanterna acima da cabeça, para que um outro casal, que acabava de sair da mesma carruagem, pudesse alcançar a escadaria de mármore e a porta que à esquerda do patamar, dava entrada para o hall, donde partiam as várias ramificações internas de tão rico, quão enorme palácio. Na porta os esperava a velha esposa do porteiro, que aos mesmos recebeu – num misto de respeito e de alegria – conduzindo a Sra. Condessa Serafina para os seus régios apartamentos, que ficavam logo à esquerda do corredor, onde ia ter a escadaria interna, que era vista desde a entrada. Seu esposo, entretanto, dirigiu-se para uma espécie de laboratório, onde um rico candeeiro pendente do teto, repleto de velas, iluminava, por completo, principalmente a mesa cheia de livros e papéis, ali deixados, propositadamente, para que outras mãos prosseguissem o mesmo trabalho iniciado pelas primeiras: as do Conde de Cagliostro substituindo as do Conde de S. Germano, justamente, aquele que, ao lado também da sua companheira, acabava de deixar tão “misterioso palácio”.
O fato, entretanto, não se dava pela primeira vez.
Pela manhã, os vizinhos, os conhecidos, ou melhor, os poucos que logravam divulgar as figuras de qualquer dos dois casais, não se aperceberam, nem poderiam aperceber-se dessa troca tão necessária… Ademais, além de parecidos ambos os casais, nada melhor para encobrir, outrora, semelhante disfarce do que as famosas cabeleiras à Luiz XV.
Sim, o verdadeiro nome do Conde de S. Germano no que diz respeito à parte mais esotérica de sua missão, era LORENZO PAOLO DOMICIANI, cujas iniciais são as mesmas que o Conde de Cagliostro trazia pendente do pescoço, e costumava mostrar às Associações secretas de antemão prevenidas pela Ordem de Malta, ou mesmo, às do Egito etc., donde ele procedia… Como tudo na vida de caráter esotérico, as três referidas iniciais, possuíam sete chaves interpretativas, tendo por origem o referido nome do Conde de S. Germano; a seguir, o da missão do mesmo Cagliostro, ou seja, LILIA PEDIBUS DESTRUE desde que, se a Voz do primeiro (seus conselhos etc.) não fosse atendida, teria este que desaparecer, tomando o seu lugar, o segundo. Como o dissemos em outros lugares, na razão do Destruere et Construere.
Alexandre Dumas, no seu imortal romance As Memórias de um Médico, confunde – como outros mais, a esposa do Conde de Cagliostro com a do de San Lorenzo ou melhor, com a de LORENZO PAOLO DOMICIANI, ou o mesmo S. Germano, chamando-a de Lorenza, quando o daquela era Serafina (7).
Lorenza Feliciani Domiciani, era o nome por inteiro da esposa do Conde de S. Germano, por sua vez, possuidor como se viu, de mais dois nomes: Lorenzo Paolo Domiciani e Conde de San Lorenzo… E se ao invés de Paolo (o nome de ambos composto de três, na razão simbólica da mesma Trindade que ambos representavam…) possuía ela o de Feliciani, para indicar que a mesma, “representava o aspecto feminino do referido Ser”. Sim, e além do mais, porque as duas cruzes egípcias (a chamada cruz ansata), muito conhecidas daqueles que se dedicam a semelhantes leituras, a do Sacerdote é fechada, enquanto a da Sacerdotisa é aberta; na mesma razão o P para o F…
Quantas coisas novas que os próprios Ocultistas e Teósofos, ignoravam por completo!…
Já não queremos falar nas dolorosas ofensas, que o escritor português Camilo Castelo Branco, quis fazer ao casal, Cagliostro-Serafina (para outros, Lorenza) no seu romance bem pago, intitulado José Balsamo. Por infelicidade, ou melhor, por seu mau Karma, teve o fim de vida desastroso, que todos conhecem: o suicídio. Em nada adiantaram os bondosos conselhos que lhe deu o genial poeta Guerra Junqueiro. “Quem semeia ventos, colhe tempestade”. Ou então, “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Castelo Branco, que “negro” se fez vendendo a sua prodigiosa pena aos “Jesuítas”. Sim, os mesmos que meteram na prisão do Castelo San Ângelo, esse mesmo Cagliostro! além de destruírem pelo fogo, todos os documentos que lhe pudessem servir de defesa, mas ignorando até hoje, que existe um livro, como cópia fiel dos referidos documentos, que virá ainda à luz do dia… como virão outros documentos, que hão de fazer morrer de vergonha, os que tão criminosamente levaram às inquisitoriais fogueiras tantas almas verdadeiramente “santas”…! Como já dissemos, quer H.P.B., quer o mesmo Roso de Luna, bem longe estavam de saber, ao certo, todos os mistérios, que envolviam as vidas dos Condes de Cagliostro e S. Germano.
Nas descrições feitas por H.P.B. existem algumas coisas verídicas, mas outras completamente errôneas…
Não desejamos apontá-las, muito menos, comentá-las… Preferimos o testemunho, mais do que insuspeito, de um cartão postal romano que, de modo idêntico ao primeiro estampado neste estudo, veio ter às nossas mãos, por sua vez, na presença de inúmeras pessoas. Quem o enviou, teve a gentileza de assinalar com uma seta, a janela por onde escapou o mesmo Conde de Cagliostro, deixando um outro em seu lugar, que nada sofreu, nem poderia sofrer, pelas razões que abaixo vão apontadas:
O Conde de Cagliostro, como “um ser agartino”, não podia deixar de ser uma “criança trocada”. Por isso também “não podia deixar de ter um pai terreno”… E esse, era irmão do famoso Cardeal de Rohan, por sinal que, amigo de Cagliostro, e muitas vezes salvo por ele… (8)
Quando o mesmo Sr. de Rohan… soube quem era seu filho (e isso por um Adepto…), correu imediatamente à presença do Papa, embora que disfarçado. Apresentado o seu cartão à S. S., foi ele imediatamente recebido. Sim, por ser o Grão Mestre da Ordem de Malta, à qual também pertencia o referido Papa… Este, já ao par de tudo quanto lhe relatara o Conde de Rohan, tomou as devidas providências a fim de que “o Conde de Cagliostro pudesse fugir da prisão onde o meteram os membros… da santa Inquisição…”

"Postal Romano" que faz parte do Arquivo particular do Presidente Geral da STB. Tal "postal" se comenta por si mesmo... E muitissimo mais se fosse possivel mostrar na integra, de público, a mensagem contida no verso... C'EST DEFENDU.

“Postal Romano” que faz parte do Arquivo particular do Presidente Geral da STB. Tal “postal” se comenta por si mesmo… E muitissimo mais se fosse possivel mostrar na integra, de público, a mensagem contida no verso… C’EST DEFENDU.

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(1) Noel lido anagramaticamente, equivaleria a Leon (ou Leão), que além de outros sentidos, possui o do signo do Sol. No entanto, devido à sua brusca aparição diante da sua amiga, a condessa Ademar, fazia o significativo papel do “Papai Noel”, embora que não portador de “presentes” nem de boas novas, e sim, de preciosos conselhos… Voltar

(2) Note-se que S. Germano possuía o papel do Construere, enquanto Cagliostro, o do Destruere. Por isso, procurava aconselhar antes, para que a mão da Justiça (a sua coluna da direita, para a esquerda, Sabedoria…) não se manifestasse, com o rigor kármico de todos os erros da época. Voltar

(3) O fato se reproduz sempre com todos os dirigentes de povos. Sim, para que estes por sua vez, sejam salvos, bem guiados, instruídos etc. Em outros estudos já falamos dos “homens de capa, desta ou daquela cor”, de acordo com a sua própria linha, ou hierarquia, se o quiserem… Nem todos, entretanto, gostam de aceitar conselhos, pensam que tudo sabem, por isso mesmo, resolveram sós, todas as dificuldades. Não foi assim que se deu com Napoleão que, embora tenha ouvido outros conselhos do “homem da capa encarnada”, não aceitou o último, justamente, quando “a sua estrela se encontrava em exílio?” Que aconteceu? Respondem: Waterloo e consequente “exílio” na ilha de Santa Helena… Voltar

(4) Nunca é demais dizer que a condessa Ademar, por sua vez, estreitamente ligada estava ao mesmo Conde de S. Germano, quer naquela vida, quer em outras… anteriores. Riam aqueles que não acreditam nas duas sábias leis da Reencarnação e Karma. Mas, rirão como pobres ignorantes que são. Por isso mesmo, sofrem.Voltar

(5) Considerado o Conde de S. Germano como uma personagem enigmática pelos escritores modernos – diz H.P.B. em seu Theosophical Glossary e em A Modern Panarion – Frederico I da Prússia afirmava que “ninguém poderia compreendê-lo”. Era extraordinariamente belo, falava inglês, francês, italiano, português, espanhol, russo, alemão, sueco, dinamarquês e muitas línguas eslavas e orientais, como se pertencesse a tais países. Riquíssimo, presenteava os seus amigos com soberbas jóias; era um músico maravilhoso que tocava todos os instrumentos, sendo o violino o seu favorito. “Neste, S. Germano rivalizava com o próprio Paganini”, disse em 1835 um octogenário belga, depois de o ter ouvido. Enfim, um barão da Lituânia, que havia ouvido aos dois, exclamou: “Paganini é S. Germano ressuscitado, que toca violino no corpo de um esqueleto italiano” (Maneiras de dizer, primeiro porque pairam muitas dúvidas a respeito da espécie de magia empregada por Paganini… e segundo, porque S. Germano nunca foi “italiano”. E se sabia tantas línguas, era por conhecer a “língua-Jina” ou agartina, como “língua universal”, que bem poucos conhecem).

Nunca pretendeu possuir poderes taumatúrgicos, porém, mil vezes provou que os possuía. Passava de trinta e seis a quarenta e oito horas sumido em transe mortal… E sabia tudo quanto queria saber, como o provou centenas de vezes. Prognosticou a Luiz XV e XVI, os seus destinos. Não são poucos os que testemunham a sua maravilhosa memória. Lia um escrito por inteiro, só em lhe passar os olhos e jamais se esquecia do conteúdo. Escrevia com ambas as mãos, muitas vezes, ao mesmo tempo, verso com uma, e prosa com outra. Lia cartas fechadas sem tocá-las. E era um alquimista de tal ordem, que tanto fabricou ouro, como brilhantes de imenso valor; arte essa, que dizia “ter aprendido com certos brâmanes, que lhe ensinaram a cristalização do carbono” (na Agartha, dizemos nós, não há necessidade de fabricação dessas preciosidades… Tudo existe ali com fartura. O filme Horizonte Perdido, que foi passado em alguns cinemas, é um mísero arremedo do que se passa nessa “região” conhecida como “mundo dos Imortais”… Nas mesmas condições, o romance e filme “Ela”). Em certa visita que fez ao embaixador francês em Haia, em 1780, com um martelo dividiu um diamante de tal forma, que vendeu um dos fragmentos a certo joalheiro, por 5.500 luíses afirma um nome insuspeito, que é Kenneth Makenzie. Foi grande amigo de Frederico, o Grande, da Prússia e de outros sábios e príncipes. Como era natural, também tinha muitos inimigos, que o caluniaram a mais não poder… A maneira pela qual trataram os escritores ocidentais (inclusive, as enciclopédias, do mesmo modo que, a Cagliostro e Paracelso), a um tão elevado Ser, representa verdadeiro estigma à natureza humana. E assim, outros mais que tiveram o grande pecado de quererem trabalhar, em várias épocas da História, pela felicidade e grandeza da mesma Humanidade.

Contrariamente aos que asseguram – sem documento algum de valor – ter o mesmo morrido em 1783 (trata-se de um ciclo misterioso, que teve lugar em tal época, ou seja, um século antes do de 1883, tido nas mesmas condições etc.), respondem a entrevista privada de 1785, com a imperatriz da Rússia, sua aparição na província de Lamballe, quando a condessa desse nome se achava diante do Tribunal, ou seja, momentos antes que um carniceiro a decapitasse, e também, a Jeanne Dubarry, amante de Luiz XV, quando subiu à guilhotina nos dias do Terror, em 1793. Respeitável membro da Sociedade Teosófica de Adyar, residente em uma cidade russa, possui importantíssimos documentos acerca de tão excelsa personagem, os quais vingarão, a seu tempo, um dos mais elevados caracteres da época moderna (de todas as épocas, seria melhor dizer…). O Conde de S. Germano foi, finalmente, o Adepto Oriental de maior alcance espiritual que a Europa teve ocasião de ver durante os últimos séculos. Talvez, entretanto, que o reconheça melhor… no próximo Terror (quando novamente estiver presente na face da Terra, como ele mesmo o predisse), e que afetará a toda Europa, e não a um ou dois países…” (o próximo Terror, referia-se à guerra atual [2ª Guerra mundial).

Em resumo: Se Tróia teve uma Cassandra e Israel, uma plêiade de profetas, França e outros lugares… um S. Germano; a verdadeira História, que não se desmente, em suas leis, nos apresenta sempre, antes das grandes catástrofes, prodigiosos Seres, que procuram evitá-las, sem ir de encontro à essa lei sagrada e inviolável de homens e povos, a que denomina de Karma, ou Lei de Responsabilidade.

Já há 14 anos, nos números 13 a 17 desta Revista, em artigos dedicados à Obra em que a STB se acha empenhada, ao tratarmos de Seres dessa natureza, dissemos as seguintes palavras:

“Christian Rosenkreutz está chefiando atualmente uma missão no continente americano (o preparo do campo onde se dará o advento das 6ª e 7ª, sub-raças do ciclo ário), cercado por abnegados discípulos de outrora, que O servem conscientemente e, sem temores nem restrições de espécie alguma. (Quem serve à Lei não deve ter preocupações do bem ou mal que lhe possa advir).

“Os tempos são chegados! Os albores de uma Nova Era exigem dos filhos da América latina um esforço conjugado para o mesmo fim, isto é, em prol da Grande Obra espiritual que tão diretamente nos atinge.

“Todos os grandes centros de atividade espiritualista, pela mão oculta do principal Dirigente de tão excelso Movimento, se agitam – pouco importa se conscientemente ou não como verdadeiros formigueiros nas entranhas da Terra, para que dentro em breve o Grande Trabalho possa entrar em franca atividade, isto é, com maior eficiência, quando a maioria dos seus componentes houver compreendido que, intolerância, desrespeito, hipocrisia, orgulho, vaidade, mentiras ou falsidades, que atingem ao máximo dos crimes de lesa-Lei, ou seja, o da Traição, não são as ferramentas de que se serve (embora que, para demonstrar o dever que incumbe a todos os espiritualistas dignos desse nome, se tenha que usar de palavras, para muitos, tomadas como condizentes com o que antes é condenado) quem O dirige, e seus principais auxiliares, para a Construção de tão suntuoso Edifício.

“Para o verdadeiro Iniciado, não existe nem tempo nem espaço. Por isso mesmo, tanto lhe faz trabalhar para algo que tenha resultado imediato, como para aquele que se realize alguns séculos depois. Sim, por não visar recompensa alguma, nem mesmo “o reino do céu”, que em si já representa “interesse”, ou mesmo temor de algo que não conhece, tal como uma criança que estuda as suas lições, visando qualquer dádiva por parte de seus pais (um brinquedo, um passeio, a ida ao cinema etc. etc.), e sim, o cumprimento do Dever que lhe incumbe na presente vida, e ao qual se pode denominar de “missão” (donde provem o de messias), pois, não há um só homem na Terra, que não tenha a sua: o médico, o verdadeiro sacerdote, o Chefe de Estado etc. etc.

“Para aqueles que conhecem as sublimes leis da Reencarnação e Karma, uma vida não é mais do que um milésimo da Eternidade. Mas sabem, também, que uma vida perdida inutilmente, representa um borrão difícil de ser apagado no Grande Livro da Evolução Humana.

“Daí a necessidade que tem o homem – o Pequeno Arquiteto – de imitar a sua própria Origem ou seja o Grande Arquiteto, na sua eterna faina de construir, edificar… coisas belas e perfeitas.

“Trabalhemos, pois, todos sem exceção alguma, pouco importa os credos religiosos ou ideais a que pertençamos, além do mais, respeitando as leis de nosso País, e também as dos outros, pois somos todos sem exceção alguma as células de que se compõe esse Grande Todo, que se chama Humanidade”.

Em anotação de um dos citados artigos, transcrevendo palavras de Blavatsky, transmitidas a pequeno número de teósofos por A. Besant, fomos obrigados a fazer alguns comentários sobre o assunto:

“O fundador de todo o Movimento espiritualista moderno (não apenas o moderno, dizemos nós, se já provém de Kunaton, como a Origem de todas as Associações secretas) foi Christian Rosenkreutz que, procedente do Oriente (da Agartha, deveria ela dizer) criou, com outros doze Mestres (tal como o “Rei Artus e seus Doze Cavalheiros” etc.) a famosa Instituição ROSACRUZ. Cada um desses Doze membros trazia a missão de facilitar o desenvolvimento da Ciência Moderna (a Renascença), impulsionando o cultivo da antiga Terapêutica, com a fundação da ciência médica atual (por infelicidade, repleta ainda de erros…); o da Astrologia, base de nossa Astronomia (e com a qual já se preocupa o mesmo Einstein); o da Alquimia, base da Química etc. Cada um desses Doze Mestres tinha, por sua vez, um discípulo adequado, por isso mesmo, capaz de perpetuar a respectiva Ciência do Mestre.

“Rosenkreutz reencarnou em Hunjadi Jainos (um tulku seu, e não ele mesmo reencarnado naquele…), célebre defensor da Hungria (todas as vezes que em jogo estiver qualquer trabalho político, veja-se sempre um outro lhe servindo de escudo, de “cobertura exterior” etc. porque, o Poder Temporal é um, e o Espiritual, bem outro). E depois, em Bacon Verulanio (outro erro, chamem a este, de tulku, se o quiserem, ou de outro nome qualquer, para semelhante função…), o grande escritor e filósofo inglês, fundador de outro organismo de caráter rosacruciano (novo engano…) e depois, no húngaro Rakowski, príncipe real que, desaparecendo depois, salvou seu país na luta com a Áustria. E sua personalidade continuando através dos séculos, é a mesma do Conde de S. Germano no século XVIII, preclaro discípulo da Loja Branca ou dos Arhats (novo engano, cuja correção já foi dada em outro lugar deste estudo…). Um amigo e discípulo, por sua vez, de S. Germano foi o austríaco Zimsky, mais conhecido como “Irmão José”. S. Germano e Zimsky trabalharam juntos no século XVIII, fundando muitas sociedades secretas, algumas delas de caráter maçônico, e nas quais eram admitidas, indistintamente, senhoras e homens (dentre as senhoras, a própria mãe de Maria Antonieta, Maria Teresa de Áustria…). Os dois referidos Seres (S. Germano e Cagliostro, pouco importa o nome Zimsky…) tudo fizeram, quando lhes foi possível, para estender o Ideal da Fraternidade entre os povos porém, a Europa, não estava preparada para semelhante Movimento (haja vista, “a queda da Flor de Lis francesa ou dos Bourbons…). Este ensaio, sim teve êxito na América, que estava melhor preparada para recebê-lo (Besant se refere apenas, ao que ela sabia, isto é, Norte América, além do mais, como “mônada anglo-saxônica”… E por isso responde com dois secos Rien! Rien! a Roso de Luna quando lhe diz que pretende ir à do Sul lançar os primeiros alicerces da Missão em que hoje se acha empenhada a STB…”. Sim, pois foi ele, o seu verdadeiro Arauto ou Yokanan, como Blavatsky o foi para a primeira, mas errou, juntamente com Olcoott, em volver às Índias, na razão de um “passado morto”…), com a instauração e independência da grande República, enquanto fracassava na Revolução francesa (não esquecer que, de 1789 para 1899, que foi a Brasileira… vai um século justo! Que poderia saber ela, Besant, a respeito?… Rien! Rien! dizemos, também hoje, repetindo suas próprias palavras de outrora ao incomparável Teósofo, antes citado). Segundo as palavras que S. Germano deixou consignadas em suas Memórias, “ele voltará a apresentar-se no começo do século XX”. Voltar

(6) Nos velhos tempos, onde não havia ainda a “campainha elétrica, era desse modo que uma visita ou alguém que desejasse falar com o dono da casa, avisava estar à espera do lado de fora”. Inúmeras são as casas, dos tempos coloniais, em diversos estados brasileiros, senão mesmo na Europa, que ainda conservam a “aldabra”.
Na cidade do Salvador, por exemplo, a mesma se distingue – como na do misterioso palácio a que nos referimos, em Strasburg – por u´a mão voltada sobre si mesma, sustendo uma bola de metal amarelo, que era justamente o que, batendo em uma placa do mesmo metal, servia de “aviso”. Voltar

(7) Já estamos a ouvir dizer aos pseudo-rosacruzes de hoje: “S. Germano não era casado. Nem um só dos documentos que se conhece a seu respeito, diz semelhante coisa”. O termo em nada influi ao caso, se em outros lugares deste estudo já demos a razão de ser de um “aspecto feminino”… Fique, pois, cada qual com a sua opinião, pois que não será isso que influirá a favor da “redenção do mundo”. Voltar

(8) Cagliostro não era um agente da Ordem dos Templários, da de Malta ou de outra qualquer, como julgam os mais famosos escritores ocultistas e teosofistas, dentre eles Eliphas Levi (pseudônimo do Abade Alphonse Constant), Saint-Yves de Alveydre e outros mais. Como se viu no texto, era um Ser procedente da Agartha, do mesmo modo que o era S. Germano, além de um terceiro (S. Germano representando o próprio Rei do Mundo, Melki-Tsedek etc. e Cagliostro e o outro, seus dois Ministros, Colunas vivas, o nome que lhes quiserem dar). Todas as Ordens Secretas, Instituições de valor, as próprias religiões, reis, imperadores, dirigentes de povos, sejam eles quais forem, dependentes se acham de semelhante Governo Oculto do Mundo, para não dizer, sob a sua proteção. No momento em que se desviarem da Lei (lei de Amor, de Verdade e de Justiça), abandonados ficarão a si mesmos e, consequentemente, a tudo quanto lhes possa acontecer, se tal proteção deixar de existir. Por isso, essa mesma Representação Ternária, quando nas grandes debacles do mundo, para não dizer, em ciclos maiores ou menores, se faz sentir através de um Movimento Oculto da maior transcendência, para que tenha lugar um novo equilíbrio, tanto de ordem material, como espiritual, na face da Terra. Em ciclos maiores, como se sabe, tal fenômeno (ou Movimento) vem direto dos céus, através de um avatara. Assim se deu com Rama, Yeseus Krishna e outros mais, o que não deve ser confundido, entretanto, com o aparecimento de outros Seres. Os termos deuses, semideuses e super-homens são bastante claros para definir tudo quanto fosse possível dizer em uma simples anotação como esta. Inútil, portanto, dizer que o Conde de Cagliostro não podia deixar de se cercar dos mais bem tecidos véus (os “véus de Maya”, ou da “ilusão dos sentidos”), no que diz respeito a profanos, para que ninguém, ao certo, pudesse saber quem ele era, muito menos donde provinha e qual a sua missão. Muito mais, ele próprio servindo de “cobertura exterior”, uma espécie de escudo, ao lado de outro, em defesa da Coluna Central, que – como foi dito – era S. Germano. E este, por sua vez, ao referido Governo Oculto (ou espiritual) do Mundo, o próprio Melki-Tsedek, reconhecido pela mesma Índia como Bhagavan Narayana (“Poderoso Chefe da Jerarquia Espiritual”). Há uma frase que, a cada passo se encontra nas escrituras ocultistas e teosóficas, a que até hoje ninguém ligou a menor importância, ou melhor, passou despercebida aos mais eminentes representantes do Neo-espiritualismo. Referimo-nos àquela onde se diz “que cada globo de um sistema serve de corpo ao respectivo Planetário”. Sim, aquele que, espiritualmente o dirige. Logo, tal Ser, Força, forma arcangélica, o nome que lhe quiserem dar, não podia deixar de ser representado por este mesmo Governo a que tanto nos referimos: o Governo Espiritual (ou oculto) do Mundo. É ele que faz manter a Lei (ou Dharma) na face da Terra. Quer por meio da referida Tríade (a mesma que sempre se apresenta nas ocasiões de certos Movimentos da mesma natureza, como se disse anteriormente), quer pelos próprios Adeptos da Boa Lei (o nome o diz), ou sejam, os preclaros Membros da Excelsa Fraternidade mais conhecida como Sudha-Dharma-Mandalam. Reconhecem Eles como Lei: A Causa desconhecida dos efeitos, que podem ou não ser observados, chama-se Vida Una, imutável em sua eternidade, essência de tudo quanto não poderia existir sem Ela, que não teve princípio nem nunca terá fim, do qual emana Mahat, o mental ou Inteligência Universal, como Síntese de todas as Inteligências, diferenciadas, por sua vez, em todas as manifestações existentes, inclusive nos seres humanos. É o movimento eterno e imutável, que governa as demais leis da Natureza, que regem, por sua vez, o equilíbrio dinâmico dos Universos e a Harmonia perfeita que envolve, soberana e completamente, tudo quanto nos é possível sentir ou observar na mesma Natureza, excedendo tudo quanto a nossa mais do que cega inteligência possa abranger ou compreender. Tal Movimento ou a Suprema Lei que a rege, é a Única Divindade Eterna e Absoluta que um verdadeiro Teósofo pode conceber. Por isso mesmo prefere dar-lhe o nome de LEI. Sim, a Lei que a tudo e a todos rege. Por tudo isso e muito mais ainda, serviram-se tais Seres (Cagliostro, S. Germano etc.) de processos fenomênicos, com o fim de atrair discípulos da Sabedoria Iniciática das Idades, como fiéis auxiliares desses mesmos Movimentos, que se apresentam no mundo, em tais ou quais épocas.
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Colaboração de Zélia Scorza Pires
São Lourenço, 21.04.2016

 

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A MISTERIOSA PERSONALIDADE DE CAGLIOSTRO – Henrique José de Souza https://semeandoconhecimento.com.br/a-misteriosa-personalidade-de-cagliostro-henrique-jose-de-souza/ Mon, 14 Mar 2016 13:09:02 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4199 A MISTERIOSA PERSONALIDADE DE CAGLIOSTRO
Henrique José de Souza

Publicando a fotografia de um “adepto” tão mal compreendido pelo mundo profano, e sob quem pesa uma fama tão injusta, aliás, pela obra nefasta dos “eternos inimigos dos Portadores da Verdade”, tomamos como dever dizer algumas palavras em defesa do mesmo, para que outra opinião seja formada a respeito de quem nada mais foi do que “um instrumento do Karma” a favor da coletividade.

A História – essa mãe bastarda da Humanidade – que não nos diz com exatidão os fatos mais recentes de nossa época; ela que até hoje desconhece o berço natal do grande descobridor do Novo Mundo – Cristóvão Colombo ousa atirar sobre a memória de Cagliostro a pecha de charlatão e… até de conivente ou pior ainda, principal autor do furto do célebre “Colar da Rainha”, estribada única e exclusivamente no que subsiste de falso e de perverso nos Arquivos da Polícia parisiense, obra maquiavélica da “Companhia de Jesus”, pois até mesmo os seus livros foram queimados em uma fogueira pública, por ordem da respeitabilíssima “Santa Inquisição”.  

No entanto, despreza tudo quanto ele fez em benefício da Humanidade – como um fiel e dedicado membro da Maçonaria egípcia – ou o Tronco de onde emanou “Aquela que em todos os tempos foi considerada “a gloriosa Mensageira da Verdade e do Bem, que através dos séculos vem abrindo largo sulco de caridade e justiça”.

Em um dos cantões da Suíça, por exemplo, se poderá encontrar lendo uma obra que se diz da autoria dele e cujo título é “O Evangelho de Cagliostro”, foi erguido um monumento em homenagem aos habitantes daquela localidade, e no mármore, cantados em versos os seus gloriosos feitos. Uma cópia da dita estátua se acha na fachada principal da mesma obra.

Baseados ainda nos falsos arquivos da Polícia parisiense foi que o ilustre romancista português Camilo Castelo Branco inspirou-se para escrever o seu livro “José Bálsamo”, e também o insigne escritor francês Alexandre Dumas, sendo que este ainda fez outras buscas em diferentes lugares por onde dizem ter passado o “misterioso adepto”, para escrever as suas “Memórias de um médico”, tal como as demais obras suas, um verdadeiro repositório de ensinamentos iniciáticos.

O mundo teosófico, por sua vez, através a erudição de A. Gedalor, de quem o dicionário “Rhéa” se serve para descrever a personalidade de Cagliostro, diz dele o seguinte: “Este “iluminado” de quem tanto bem como mal se diz, nem é digno “desse excesso de honra”, nem dessa indignidade. Fundador de um “Rito egípcio” (seria ele mesmo o fundador? perguntamos nós), procurou, evidentemente, aliar as formas maçônicas com o “Iluminismo” e serviu-se da magia, do hipnotismo, do mesmerismo etc. etc. (isso, muita gente boa o tem feito até mesmo Jesus, porquanto a Humanidade para não viver afastada da Lei, exige que se lhe faça milagres). Ele tomava, então, o título de “Grão-Copta”, e por outra parte, foi conhecido sob diversos nomes. Desgraçadamente envolvido (diz-se) no assunto do “colar da Rainha” (com vistas às batinas de sua época…), ele perdeu pouco a pouco o crédito e morreu (o grifo e demais interpolações são nossos), fora da França, no Castelo Santo Ângelo, em Roma (“si non é vero é bene trovato!”), onde dizem que pelos maus tratos que lhe deram seus carcereiros (?), foi forçado a suicidar-se. Nada é menos seguro, entretanto (ainda bem!) e o mistério paira sobre o fim desse original adepto das ciências secretas”.

Motivos que não desejamos interpretar levaram nossa amada Mestre H.P.B. a dar uma opinião toda pessoal a seu respeito (dele Cagliostro), tal como se pode ver em seu “Glossário Teosófico”, pg. 126, edição espanhola, aumentada por J. Roviralta Borrell, Barcelona, 1916: “Sua história corrente (diz ela) é conhecida de sobra, para que haja necessidade de repeti-la, enquanto que a sua verdadeira história nunca se relatou (é nosso o grifo). Finalmente foi processado e sentenciado em Roma, como herege, e diz-se que foi forçado a suicidar-se em seu cárcere. Entretanto, seu fim não foi de todo imerecido, porquanto Cagliostro havia sido infiel aos seus votos em alguns conceitos… e quebrado o seu estado de castidade e cedido à ambição e ao egoísmo”.

Quando outro não menos “misterioso ser” assim se expressa… Principalmente quando para conduzir “os sequiosos da Luz” através a Vereda dos Mestres, por sua vez forçado a lançar mão dos “véus mayávicos da Iniciação” (1), tal como a todo instante dizia o seu dedicado auxiliar Cel. Olcott, “que não sabia se tal ou qual fato era real, mas se devido à “maya hipnótica” de H.P.B”, que poderemos nós, míseros discípulos dizer desse seu julgamento para com o “pobre” Cagliostro, senão aquilo que a nossa opinião pessoal nos induz a fazê-lo, embora com todo respeito que a sua memória nos merece, e como fiéis servidores de sua Obra grandiosa no mundo?

É opinião de alguns que Cagliostro afastou-se da Lei etc. etc. No entanto, tendo a Mestra H.P.B. tomado parte na batalha de Mentana, ao lado de Garibaldi, onde foi ferida mortalmente… estando, portanto, de armas na mão lutando contra irmãos, não deixou com isso de ser “a excelsa inspiradora dos ensinos teosóficos no mundo, como discípula eleita da Loja Branca”.

Não, absolutamente não!

Do mesmo modo Cagliostro cuja missão até hoje desconhecida, como a própria Mestra o afirma, foi o escolhido para uma missão mais que espinhosa, principalmente para a corte de um “rei devasso…” e em época de céticos e maliciosos como os Voltaires, os d´Argens, os Diderots e outros muitos!…

Assim foi, na mesma época, a missão do Conde de São Germano!

Diz o adágio: “Cada povo tem o governo que merece”, cujo adágio pode muito melhor ser aplicado ao verdadeiro governo oculto que dirige os destinos humanos.

Sim, Cagliostro era um charlatão; porém, desde que a opinião pública fez dele o “divino Cagliostro”, ele devia operar prodígios… e foi o que aconteceu.

Joana d´Arc também era charlatã, porque o ”charlatanismo quanto triunfa é, pois, em magia, como em tudo mais, um grande instrumento de poder”. Joana d´Arc era, portanto, magia à frente do exército, mas em Rouen a pobre moça não foi feiticeira.

Levada à fogueira inquisitorial, no entanto hoje seu nome e as suas práticas de feitiçaria, outrora condenadas pela Igreja Romana… e demonstradas pela eminentíssima pena do Marquês de Mirville, como obras satânicas… se transformaram, por sua vez, segundo a MÁGICA Igreja… em “milagres” de uma “santa”, digna de figurar no “Flos Sanctorum!…

Napoleão à frente de suas tropas era um verdadeiro mago… Mas deixou de sê-lo quando ele próprio pronunciou as memoráveis palavras: “a minha estrela já não mais me protege”.

Dizem, ainda, os sábios e historiadores, que São Germano era enviado especial de Paris, enquanto que Cagliostro vinha de Nápoles.

Achamos esses dois lugares demasiadamente “exotéricos” para serem, em realidade, os pontos de onde os mesmos vieram em missão especial para o mundo!…

Assim, preferiríamos, antes, afirmar que o primeiro procedesse da Índia ou mesmo do Tibete… E o segundo, de misteriosa Fraternidade africana… Lugares esses para onde deveriam ter voltado após realizadas as suas missões, embora isso prejudique a lenda do suicídio em Santo Ângelo e outras tantas fantasias que correm sobre o nosso biografado de hoje.

Quem nos poderá negar que a “Queda da Bastilha” não houvesse sido de fato, um dos muitos manejos ocultos empregados pelo “misterioso adepto” enviado do Egito?

Do mesmo modo que São Germano, Cagliostro poderia dizer a respeito de seus pais: “Com sete anos de idade fui proscrito e vaguei com minha mãe na floresta…” Sim, porque a sua verdadeira mãe era a ciência dos “adeptos”; os seus sete anos, a dos Iniciados promovidos ao grau de Mestres; as florestas são os impérios privados da Verdadeira civilização e da verdadeira Luz, “como ainda a gloriosa Agartha ou o Sacrossanto lugar onde se realizam as grandes Assembléias dos deuses!

Salve Cagliostro; é outro charlatão quem te defende!…

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Niterói, 18.11.1928 – Dharana n. 29/36.

(1) Que seria de Dharana – Sociedade Mental Espiritualista [hoje Sociedade Brasileira de Eubiose], se não houvesse empregado os mesmos recursos para poder fazer a tão difícil separação do “bom trigo do joio”, para transformá-la no que hoje é: uma agremiação de homens que vivem na mais perfeita harmonia, que se compreendem e se justapõem como peças da mesma máquina, como dedos de uma só mão?

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NATUREZA E EFEITO DOS PENSAMENTOS – Henrique José de Souza https://semeandoconhecimento.com.br/natureza-e-efeito-dos-pensamentos-henrique-jose-de-souza/ Sat, 16 Jan 2016 01:52:46 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4175

NATUREZA DOS PENSAMENTOS

O pensamento é o resultado das vibrações na matéria dos corpos invisíveis do homem. Tal como acontece a todas as vibrações, elas se transmitem no meio que lhe é próprio. A diferença entre as ondas produzidas pelo som e as que se originam do pensamento está em que estas se propagam por dimensões desconhecidas no mundo físico. À medida que a onda se afasta do seu ponto de partida, vai diminuindo seu poder, alcançando, porém, as do pensamento uma distância incomparavelmente maior que as emanadas de qualquer outra fonte.

Quanto à natureza e vitalidade dos pensamentos, depende de vários fatores, entre os quais está a espécie da matéria que os produziu. Emitidos pelo intelecto de um homem vulgar, sua potência é limitada nos mundos em que deve agir devido, principalmente, a se projetarem em planos onde turbilhonam milhões de pensamentos da mesma natureza inferior que, de certo modo, logo anulam seus efeitos. Emanados, porém, dos homens superiores, encontram campo mais livre que lhes permite atingir grandes distâncias e permanecer ativos durante mais tempo.

Vibrações desta natureza são, por exemplo, as produzidas por pensamentos teosóficos ou eubióticos que, pairando nas mesmas alturas dos de caráter puramente religioso ou científico, acham-se destes separados pela nitidez e precisão de suas formas. Um pensamento teosófico ou eubiótico assemelha-se a um som produzido no meio do mais absoluto silêncio. Ele age em matéria mental ainda pouco utilizada, tocando as fronteiras do plano búdico, onde não podem chegar nem os mais elevados pensamentos filosóficos e científicos, em geral indecisos e impregnados de matéria em que se origina a vaidade e o orgulho.

É no plano búdico que se faz a leitura dos anéis “acásicos”, podendo-se distinguir a identidade de nossas vidas anteriores; por isso o “Akasha” é chamado o Grande Livro da Vida.

 

EFEITO DOS PENSAMENTOS

O pensamento, principalmente quando dirigido por uma forte vontade, é sempre uma entidade viva, capaz de realizar a ideia que lhe deu origem. Projetadas no ambiente, essas entidades vivas representam outros tantos mensageiros, destinados a propagar o bem ou o mal, o amor ou o ódio, a virtude ou o vício. Acordam os germes das boas e más tendências latentes nos cérebros humanos, não raro dependendo deles o impulso original de uma vida virtuosa ou pecaminosa. Conscientemente projetados em uma determinada direção, por mais distante que esteja o objeto visado, agem tão eficazmente como se estivessem fisicamente presentes os indivíduos que os emitem.

Incalculável é o mal que homens e mulheres causam ao mundo e a si próprios pela força destruidora de seus pensamentos hostis, de suas palavras de ódio, de inveja, de egoísmo. A calúnia, a maledicência, o rancor são outros tantos inimigos mortais da alma.

Felizmente, como consoladora compensação, existem as formas-pensamento de paz e amor, de bondade e solidariedade, emitidas pelos que se dedicam à felicidade humana, capazes de induzir calma, coragem, resignação, tranquilidade e toda a sorte de benefícios morais e mesmo materiais, às almas aflitas e sofredoras.

Os efeitos dos pensamentos são tão intensificados quando emitidos conjuntamente por várias pessoas. Daí os maiores benefícios que auferem as coletividades onde militam associações espiritualistas e escolas de iniciação, como a Sociedade Brasileira de Eubiose, em cujas sedes e templos se reúnem seus membros para ensinar e vivenciar as regras de paz, do amor e da concórdia universal.

As poderosas egrégoras assim formadas movem-se e vibram em todas as direções, afastando ou dominando as vibrações negativas dos gênios do mal. Quantos benefícios esses pensamentos coletivos tem trazido à humanidade! Ninguém jamais o poderá saber, porque as entidades que eles representam vibram e agem na matéria sutil que não se vê e na qual, por isso, poucos acreditam.

 

EVOLUÇÃO DA MATÉRIA MENTAL

As ondas de pensamentos altruístas e generosas propagadas no plano da matéria mental, não se limitam a favorecer e beneficiar apenas os que são por elas alcançados; concorrem para o desenvolvimento e enriquecimento da própria matéria que lhes serve de condução, de veículos transmissores.

No estado atual da humana evolução, apenas quatro das espirilas de cada átomo se acham vivificadas, e a última só entrará em plena atividade no presente período de vida do Globo, desenvolvendo a faculdade correspondente à consciência mental. A maioria dos homens só agora inicia o desenvolvimento dessa faculdade que irá futuramente dar-lhe posse plena dessa consciência, ainda incipiente.

O homem dotado de um corpo mental em que os átomos constituintes já contenham essa espirila ativa emitirá constantemente átomos dessa natureza superior, suscetíveis de adentrarem o aura de pessoas afins e de serem por estas utilizados. Desse modo, todos os pensamentos puros levam em si átomos evoluídos que irão despertar no mundo mental, as espirilas daqueles cujas consciências mentais, por ausência de veículo apropriado, ainda não puderam manifestar-se.

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Capítulo 6, pg. 87, da 1ª edição (1995) de “Os Mistérios do Sexo”, de Henrique José de Souza.

*imagens por Charles Webster Leadbeater

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Palestra de Henrique José de Souza – Ano 1936 https://semeandoconhecimento.com.br/palestra-de-henrique-jose-de-souza-ano-1936/ https://semeandoconhecimento.com.br/palestra-de-henrique-jose-de-souza-ano-1936/#respond Sat, 16 Jan 2016 01:29:08 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4167 Esta é a terceira e última da minha série de palestras, que embora possuindo cada uma um título adequado com o assunto que lhe servia de tema, simbolizam as três: ciência, religião e arte, formando um acorde musical perfeito.

A sessão será iniciada com o “Hino Dharana”, nome que possuía a nossa Sociedade no começo de sua vida, pois, como sabeis, foi uma época “mística”, tal como a sua origem, isto é, as Fraternidades lamaístas (budistas) transhimalaias, que a criaram.

Nesse caso quem o vai acompanhar possui algo de místico em nossa Obra, tal como outrora nos Templos sagrados do Oriente, a Sacerdotisa guardiã do Fogo Sagrado. Ademais, seu próprio nome – Helena – proveniente de “Hélios”, o Sol (que por sinal é também seu planeta de nascimento, como o era o de Helena Blavatsky), harmoniza-se perfeitamente com o que acabamos de dizer. Nesse caso, serei eu quem a finalizará (a sessão), acompanhando o Hino atual, “O Alvorecer de Um Novo Ciclo”, como a parte intelectual ou dirigente da mesma Obra, não pelo meu Saber insignificante, mas por motivos que somente a Lei os poderá explicar.

A Idade de Ouro ou Satya-Iuga, anunciada desde tempos imemoriais, já pela boca dos “rishis” indianos, das sibilas, dos profetas, e até do próprio Virgílio, através a sua Eneida etc., Era da Humana Redenção, e que tem ocasionado por parte de fanáticos, muito comum nesse fim de Ciclo apodrecido e gasto, as ideias messiânicas, só terá lugar quando, por esforços próprios, no mínimo quando dois terços da Humanidade houverem tomado o Caminho verdadeiro que conduz a essa mesma Redenção. Tal época, já os Grande Seres de Compaixão – pela boca de seus discípulos e arautos – cognominaram de “amanhã resplandecente” ou “Era da Felicidade!”  Por isso mesmo que será a do Equilíbrio perfeito das coisas, sempre dentro das iniciáticas fórmulas de Harmonia, Melodia e Ritmo; Amor, Verdade e Justiça; Beleza, Bondade e Verdade etc. Ademais, o próprio termo “Idade de Ouro” se ajusta à cor da matéria Sattvica, que é o amarelo-ouro!

E é assim que nem sempre a música melodiosa agrada às naturezas passionais, mas sim a emocional, porque provoca os sentimentos estéticos de aparente felicidade. As maiores melodias que o povo prefere, são as encerradas nas canções populares, que refletem tanto as alegrias como os pesares, as esperanças e as paixões de um país… e levam séculos para serem formadas.

Nenhuns povos do mundo possuem canções dessa natureza, como Portugal, Espanha e Brasil e demais nações da América latina, justamente, por serem daquela origem (ibérica), onde além do mais – quer         queiram ou não os contrários à nossa opinião – predomina o sangue “árabe”, cujas desérticas canções… são de natureza puramente espiritual!…

A Música de ordem artística mais elevada começa pelo princípio harmônico. Tal espécie de Música age não somente sobre as mais elevadas emoções, como sobre o Intelecto. O Ritmo é uma manifestação puramente física. A Melodia, que sem determinado fim, nenhum sentido possui, é uma simples série de sons… que conduz nossas emoções de um lado para outro… A Harmonia, porém, afeta simultaneamente o Coração e a Mente. Sim, porque a Harmonia é a própria Lei da Natureza. E com a combinação dos princípios harmônicos e rítmicos, são formadas todas as coisas dentro da Criação.

música_Wagner

A Harmonia estimula no homem o amor ao Belo e faz vibrar nele uma célula correspondente ao seu idealismo. Ouvir uma Sinfonia é proporcionar imensa energia mental. Ouvindo-se as composições dos grandes Gênios, goza-se de uma música divinizada, que nos conduz aos reinos místicos da mais transcendental espiritualidade. A grande Música não requer apenas compositores que tenham penetrado no mundo Intuitivo para poder compô-la. Mas também de artistas criadores de primeira ordem que a saibam interpretar.

Em verdade, nossa Música espiritual deve ser a Síntese das demais, desde que seja reproduzida em instrumentos capazes de emitir notas de um matiz mais delicado que o das outras a que estão costumados a ouvir os auditórios ocidentais. Tal acontece com as músicas hindus, egípcias, árabes etc. etc.

O amante da música emotiva deverá dar preferência às de Schubert, Weber, Schumann, Mendelssohn, Chopin e poucos mais dos melhores românticos que se conhece. Ouvindo a Beethoven e a Brahms, experimenta-se um sublime sentimento e uma excelsa aspiração. Com Bach, se tem a impressão de estar construindo uma catedral de pedra e cal. Com Tchaikovsky, o mestre que sabe dar colorido aos sons, é-nos possível, quase, desenhar imagens tão brilhantes como as etéricas luminosidades do Arco-Íris. O Espírito da Música criada pelo gênio adorável de Ricardo Wagner é impossível analisar-se fora de sua própria poesia, pois como ele próprio disse: “Cresceram juntas…” Foi Wagner, provavelmente, quem mais se aproximou, dentre todos os compositores, das mais sublimes emoções da humana natureza.

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Como vemos, a Música exerce influência poderosa na educação Emocional, Mental e Espiritual do gênero humano. Debaixo de sua misteriosa influência, a humanidade pode agitar-se comovida por múltiplas emoções. Pode ir do mais baixo ao inferior, ao mais alto ou superior. Pode fundir-se na voluptuosidade de uma música sensual e rasteira, como é, por exemplo, a do jazz etc., ou escalar os mais altos cimos espirituais, onde se encontra o Eu… E daí, extasiar-se na mística União com o Todo!

Como já foi dito, entre os grandes Gênios inspiradores da Humanidade, destacam-se Wagner e Beethoven.

Wagner, através de seu drama líteromusical, como um gigantesco comentador dos Edas – ou Vedas escandinavos – como sejam: O Anel de Nibelungo, O Ouro do Reno, Valquíria e Sigfried, Os Mestres Cantores de Nuremberg, Parsifal, Lohengrin etc., imprime na Música toda a Epopéia grandiosa das iniciações humanas, através a Vereda da Vida.

Quanto ao “menino prodígio” com o nome de Wolfgang de Amadeu Mozart, seria o protótipo desses excelsos Filhos da “Divina Arte”, se não houvesse cometido o grande erro de musicar o “D. João”. A Lei não poderia jamais perdoar ao autor do “Desposório de Fígaro”, de “A Flauta Mágica”, das “33 Sinfonias” e um sem número de músicas clássicas, emprestar seu talento para consolidar ainda mais os falsos e tenebrosos alicerces do Amor inferior, que há milênios domina o mundo! Daí três misteriosos seres que o procuraram para que compusesse seu próprio “Réquiem”, como provam estas suas próprias palavras: “Dentro em breve esta música será cantada nos meus funerais”. E assim foi!… Bem razão teve o grande Roso de Luna em afirmar no seu valioso trabalho intitulado Cuando se muere: “Todo aquele que traz missão elevada, mas que por um motivo qualquer não afina consigo mesmo, com a sua missão, morre! Não importa como, porém, é forçado a deixar o mundo!”

Infelizes, por sua vez, Molière e Byron, dando vida e realce à figura sinistra de quantos D. Joãos por aí existem, desde que a Humanidade se dividiu em sexos. Enquanto isso, por exemplo, um Guerra Junqueiro procura destruir o pesado madeiro do Sexo, que desde idades sem conta faz cair por terra essa pobre humanidade a que pertencemos. De fato na nota final da “Morte de D. João”, o excelso poeta, anunciando a sua Trilogia, revela bem nítido e claro o pensamento do seu Prometeu: “Depois da negação, a afirmação. Depois de ter destruído o Mal, simbolizado nessas duas figuras grandiosas – D. João e Jehovah – é necessário afirmar a justiça encarnada em duas figuras sublimes: Cristo e Prometeu. É a Ciência e a Consciência, a liberdade e a fé, o sentimento e a razão. Quando esses dois termos do espírito humano [a Ciência e a Consciência], há tantos séculos afastados, se fundirem numa harmonia completa, o homem desde esse momento será justo, será bom, será feliz”.

Do mesmo modo, na arte musical foi Beethoven quem levou a palma da Vitória sobre os demais, até o fim de sua vida de Iniciado. Ele não foi apenas o maior músico e mais puro artista que existiu. Foi o generoso coração ferido de todos os infortúnios, que se fez mais forte do que todos eles, consagrando sua vida às gerações futuras.

Tal como os Cristos e Budas que deixam após suas passagens por este planeta de dores, seus corpos celestes, o perfume de suas vidas santas e potentes, para que a Humanidade se auxilie mutuamente nessa constante luta por ascender ao Divino, Beethoven deixou-nos também seu corpo e sua alma no que de prodigioso existe em suas Nove Sinfonias. Elas representam não só uma Bênção para os homens, como uma prova palpável de que por maiores que sejam as dores que nos afligem, haverá sempre uma porta aberta por onde poderemos nos elevar para os céus e participar, internamente, da gloriosa ALEGRIA que ali existe. A sua Décima Sinfonia, que o mundo desconhece, por ter sido escrita em língua sagrada ou “Jina”, é bem a Décima Sephiroth cabalística – Malkuth ou o REINO – por ser justamente para onde evolou a sua alma de Artista incomparável: o Reino da Verdade!…

E assim como ele, que soube transformar uma vida de dores, acalentado por seu próprio Gênio, numa extasiante Alegria, que o conduziu – herói entre os heróis envolvido pela Harmonia das Esferas – assim deverá ser a Alegria que devemos buscar: a do Humano Titanismo.

Tal como a ave que necessita lançar-se no espaço sem as limitações da gaiola, onde a mão impenitente do homem a lançou, para termos a consciência do Infinito necessitamos romper todas as barreiras de nossa gaiola (ou jaula), que é a nossa personalidade limitada, a fim de podermos voar ao Infinito, e sermos banhados no brilhante Mar do Aura dos Deuses e dos Gênios Protetores da Humanidade!

E com isso termino a minha série de Três conferências, num Acorde perfeito de Três Notas dentro da mesma oitava (ou uma semana para cada uma delas), como se tivesse aberto a porta de minha própria jaula, para mostrar-vos um rico vergel, que por breves instantes contemplamos juntos.

Desgraçadamente o tempo não nos permitiu percorrer seus agrestes caminhos…

E muito menos provar de seus saborosos frutos, miraculosamente amadurecidos pelo Sol. Aspiramos apenas às extasiantes emanações que de suas flores e brisa nos quis trazer. E mui de longe, pressentimos o gorjeio argentino de seus pássaros!…

E como sejamos forçados a cerrar novamente a porta dessa jaula tão grosseira, para volvermos aos calabouços da tarefa obrigatória, continuemos, amigos e irmãos queridos, como míseros escravos de uma civilização imperfeita, que fez do Trabalho um castigo e do Amor um pecado…

Quanto ao vergel, outro não é senão o da Sabedoria dos deuses, donde saíram os caminhos da Ciência profana. E também os da Arte, pela implícita INTUIÇÃO filosófica que a mesma encerra.

Sempre que puderdes, vinde gozar conosco desse vergel que é bem semelhante aos Jardins da Academia de Platão.

Vinde embriagar-vos de entusiasmo nesse vinho espiritual que purifica ao invés de embrutecer, pois ele é preparado com a Ambrosia dos deuses. E então um dia acabareis ouvindo e obedecendo a Voz de vossa própria Consciência, que é a da INTUIÇÃO, de que foi assunto o humilde Trabalho que hoje vos ofereço, não só pelo amor e respeito que me mereceis, como o dever que se me impõe de concorrer para a vossa verdadeira felicidade, que é a Espiritual.

Vitam impendere Vero, isto é, A Vida inteira a favor da Verdade!…

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“Que é Intuição?” – Dharana 87/88, ano 1936, páginas 540 a 544.

 

ESCLARECIMENTO

No tempo dessas palestras, a Instituição oficialmente fundada pelo Professor Henrique José de Souza tinha apenas 12 anos de vida e chamava-se Dharana Sociedade Mental Espiritualista, em homenagem à “5ª Rama das Confrarias Budistas do Norte da Índia e do Oeste do Tibete”, onde Henrique, então adolescente, esteve em 1899. Na época de Dharana o grupo de peregrinos interessados em suas palestras era relativamente pequeno, indefinido… Seres de Planos Superiores observavam com critério o interesse da platéia aos Estudos Iniciáticos de Henrique, como a separar com a peneira os que apenas iam por curiosidade ou atraídos pelos fenômenos, daqueles que de fato pretendiam o Caminhar da Evolução.

Como detentor da Obra do Eterno na Face da Terra, uma das múltiplas atribuições de Henrique era passar aos interessados – à medida que se firmavam como discípulos – os Ensinamentos e as Iogas do Novo Ciclo Evolucional, Iniciação única porque REAL e não simbólica como era no passado: Iniciação ao Culto de Melki-Tsedek.

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Zélia Scorza Pires
São Lourenço, 08.01.2016

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TRATAMENTO MENTAL – Henrique José de Souza https://semeandoconhecimento.com.br/tratamento-mental-henrique-jose-de-souza/ Thu, 17 Dec 2015 11:13:07 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4162 TRATAMENTO MENTAL
Henrique José de Souza

O Tratamento Mental é a arte de aplicar o conhecimento metafísico das Leis do Ser e da Natureza em direção aos movimentos automáticos e involuntários da alma inferior ou animal (kama-manas), também chamada de subconsciente, corpo astral. Foi a ciência da direção sistemática da vida humana que formou a base da Ciência da Antiga Magia.

O Tratamento Mental é diferente, quer do Magnetismo, como da Sugestão, do Hipnotismo, da Psicanálise etc., pois inclui na sua prática um fator metafísico de forma elevada: tal fator se baseia na União do Homem com o seu Criador, que é o mesmo objeto da Ioga oriental. Donde a tradicional frase sânscrita do Iogue no momento de entrar em transe ou Samádhi: Tat twan Asi (Eu sou Ele. Eu sou Brahmá, o Eterno Onisciente, Onipotente e Onipresente).

Estes três atributos não são aqui empregados arbitrariamente, pois correspondem às três emanações sucessivas do Infinito: o Pensamento (Manas), a Força (Jiva) e a Matéria (Prákriti).

O emprego do Magnetismo – tal como do Hipnotismo, da Sugestão e da Psicanálise – não necessita do estudo aprofundado da relação existente entre o Homem e Deus (a Unidade Imperecível donde tudo e todos procedem), enquanto o Tratamento Mental exige o indispensável conhecimento metafísico da parte puramente espiritual do homem, que também se poderia chamar de fisiologia oculta ou de hiper-biologia humana.  

O Magnetismo limita-se, com efeito, a determinar, mecanicamente, por assim dizer, certos movimentos mais ou menos extraordinários do Fluído Vital enquanto a Sugestão age sobre o comando psicomental de nossos atos, conscientes ou inconscientes, sem se preocupar com os resultados que do mesmo se derivam.

Não queremos dizer com isto que na prática, esses três métodos de curar estejam isolados uns dos outros; porém, não é menos verdade que, teoricamente, eles são completamente distintos. O Tratamento Mental pelo seu mecanismo de ação exige, certamente, que se ponha em jogo a Autossugestão ou Ideação. A Sugestão, ou Psicoterapia, concorre para os movimentos fluídicos que representam a mola principal do Magnetismo, mas com isto, seria absurdo querer confundir o Magnetismo com a Sugestão.

Uma das particularidades importantes do Tratamento Mental é sua maravilhosa influência contra todas as desarmonias que se dão no corpo humano, por isso mesmo concorrendo para uma cura perfeita.

A introdução do fator metafísico torna seu emprego particularmente eficaz, do mesmo modo que preventivo, de acordo com o que nos ensina o método de governar continuamente as forças ambientes, segundo as leis da Natureza, concorrendo para a Harmonia e, por conseguinte, para a saúde e a serenidade. E isto porque toda desarmonia, toda e qualquer doença não é senão uma contravenção às leis da Natureza, como dizia outrora Mesmer, em seu Aforismo 309: “Não há senão uma doença e, portanto, um só remédio. A perfeita harmonia de todos os nossos órgãos e de suas funções constitui a saúde. A doença não é mais do que uma aberração dessa harmonia. A cura consiste em restabelecer a harmonia perturbada etc.”

Ora, o estudo metafísico do Ser humano conduz precisamente a esse raciocínio, ou seja, que o homem é o resultado físico e biológico de uma série de manifestações vitais, hiperfísicas, todas elas governadas por influências do mais puro mentalismo.

É, pois, natural a captação e canalização da própria fonte da vida (que nós temos a veleidade de dizer que conhecemos) que é não só a base do Tratamento Mental, como de outros fenômenos, a que o vulgo denomina de “milagres”. Este é o único ponto em que a verdadeira Religião está de mãos dadas com a Ciência. Sim, porque ambas se confundem num só e precioso binômio: Religião-Sabedoria, que em verdade é Amor e Inteligência, ou Bhákti e Jnana, como os dois caminhos da Vedanta. No meio se acha Karma, que é aquele por onde se agita a humanidade inteira.

É assim que, nos períodos de crise, onde todo o Ser foi absorvido por uma luta puramente defensiva, que sua aplicação é mais proveitosa, substituindo-se uma ação ofensiva por outra defensiva, e aproveitando a totalidade das forças humanas que, em caso de doença, são minoradas pelo enfraquecimento que disto resulta.

O Tratamento Mental não é mero tratamento médico, por não se tratar apenas de doenças; é um tratamento filosófico: ele se dedica aos homens, quer em estado normal, como anormal, ensinando-lhes como devem melhorar e manter em si mesmos a Harmonia, isto é, a Saúde e a Serenidade, sob todos os seus aspectos.

Podem-se distinguir três graus no Tratamento Mental: o simples, o metafísico e o espiritual. O Tratamento Mental simples, que não é senão uma sugestão mental, telepática, cientificamente aplicada: o operador colocando-se num estado de recolhimento “trata” o seu paciente (esteja este presente ou não), por um método aperfeiçoado de transmissão de pensamento.

O segundo grau ou tratamento metafísico difere do precedente no que ele faz intervir explicitamente (e não mais implicitamente) a relação íntima do Homem com o seu Criador, por uma invocação formal e direta ao mesmo dirigida, porém em nosso imo. Se Ele nos fez à sua semelhança, é lógico supor que em nós reside, e que quando lhe dirigimos preces ou súplicas externamente, estamos separando, assim, o Criador da Criatura. A verdadeira oração ou prece é o recolhimento espiritual, a meditação em silêncio que possa conduzir ao total isolamento do mundo externo, resultando na união mística, que outra coisa não é senão o êxtase dos santos, em tudo idêntico ao samádhi dos iogues. Donde se infere ser absurdo pedir ou pagar a terceiros para rezarem por nós… como se a Justiça Divina tivesse “procuradores” com poderes especiais para interpretá-la e distribuí-la entre os mortais (*).

Qualquer que seja o fim do tratamento, o operador expõe (mental ou oralmente, pouco importa) ao paciente as leis metafísicas da vida, concitando-o a entregar-se com a Fé mais inabalável possível à Fonte Suprema, que alimenta sem cessar a sua existência e a de todos os seres. Enfim, termina por uma espécie de invocação, de caráter eminentemente filosófico, ou seja, o de Religar (ou tornar a unir, na razão do termo religião: Religio, religar ou religare) direta e conscientemente – o doente ao seu Criador (ou Origem divina), segundo as leis da harmonia; porém, como foi dito, sentindo-O em seu próprio imo.

O terceiro grau, ou tratamento espiritual, difere dos dois anteriores, por se achar ainda fora do alcance da maioria dos homens, em vista de o operador se desligar inteiramente de qualquer ação pessoal sobre o seu “paciente”, colocando-se sob o poder do espírito, que é quem opera diretamente a cura – ou antes, realiza o fenômeno.

O tratamento espiritual implica, pois, a faculdade que tem o operador de se desligar completamente da sua natureza material, revestindo-se, momentaneamente, da faculdade espiritual por ele alcançada por meio de exercícios especiais durante algum tempo da sua vida.

Esses três graus ou processos de “tratamento” estão ligados aos exercícios de Ioga que, nas escrituras hindus se chamam Hatha-Ioga ou ciência do bem estar físico; Gnana-Ioga (Jnana, Djin ou Jina, alma, portanto, e não a falsa interpretação que a maioria da ao referido termo). Ou seja, a do preparo da alma (corpo emocional) para entrar em afinidade com o espírito (o Não Eu com o Eu, a alma inferior com a superior). Outro sentido não tem a passagem mitológica onde Psique (a alma) anda em busca do seu bem-amado (o Espírito), por não poder viver sem ele. Finalmente Rajah-Ioga (Ioga-real, como seu nome o diz), ou a do desenvolvimento espiritual. Já agora, a união do Espírito, da Consciência Imortal, com a sua Origem.

Esses três métodos ou graus de desenvolvimento (dos três corpos de que se compõe o homem, segundo Plutarco e outros) estão em pleno acordo com os três caminhos da Vedanta: Jnana, Bhákti e Karma.

(*) Leia-se, a propósito da verdadeira oração, a definição contida no Evangelho de S. Mateus, VI, vers. 6. O ocultista e o teósofo dirigem sua oração ”a seu Pai que existe em segredo”, e não a um Deus extracósmico e, portanto finito: e esse “Pai” é “Deus” latente no homem; é a Tríade Suprema (Atmã, Búdi, Manas) à qual o Iniciado S. Paulo chamava exotericamente de “Cristo interno”.  

É fácil compreender pela enumeração precedente que esses três graus se fundem, insensivelmente, uns nos outros, segundo os diversos operadores, ou melhor, segundo o grau de desenvolvimento psíquico por ele alcançado, que tanto vale dizer, estados de evolução diferentes.

Reportando-se à escala que acabamos de enumerar, o último, que é o Tratamento Espiritual, que parece atributo de um Deus, antes que de um homem, na história está apontado na vida de diversos taumaturgos, dentre eles o Cristo. Da sugestão mental para a sugestão verbal não vai mais do que um passo, pois que, em verdade, é a esta que se chama de Hipnotismo, além de outros métodos empregados “para se obter o sono artificial”. Quanto ao Magnetismo propriamente dito, o operador age sobre o paciente em estado de vigília. Entre os seus diversos processos, figuram: o contato, a relação, os passes, o sopro (quente e frio etc.).

O famoso operador P. P. Quimby capacitou-se do poder ilimitado que todo homem possui sobre si mesmo, pelo emprego judicioso de suas faculdades mentais. Sua teoria principal é a de que “o doente acima de tudo representa um erro mental, que se torna mais tarde um efeito material. Que seja suprimido o erro mental original, e o efeito material, infalivelmente desaparecerá”.

Esta teoria tão simples quanto verdadeira, é a quintessência da filosofia de Quimby. Muito contribuiu para o êxito da sua carreira o fato de ter curado três personagens importantes os quais, depois de se verem livres dos males que os afligiam, fizeram grande propaganda da sua doutrina.

Depois de apontarmos em linhas gerais, o que diz respeito aos métodos empregados no Tratamento Mental, passaremos às provas da sua eficácia, para que não se sujeite ao escárnio com que a maioria tem recebido tudo quanto diz respeito à Metafísica aplicada à vida material.

O Templo do Espírito, nosso corpo visível, é o resultado de tentativas multisseculares para a expressão da Vida, cada vez mais perfeita, na sua monumental estrutura.

Nós somos hoje aquilo que temos pensado, aquilo que mais poderosamente temos desejado em nossas vidas anteriores. E cada vez que a alma se reveste de um corpo visível, ela atrai para seu ambiente (ovo áurico) tudo quanto é mais próprio ou afim com as suas tendências e, portanto, capaz de ser fielmente reproduzido sob a aparência material.

Esta parte de nossa exposição, a bem dizer, é mais importante que a própria FÉ – esta Fé que transporta montanhas, segundo a sentença atribuída a Jesus: “como um grão de mostarda que és, direis àquela montanha que se atire no mar, e ela se atirará” -, dizíamos, é uma condição sine qua non do sucesso em todo o Tratamento Mental. Pode-se mesmo dizer que o sucesso em semelhante Ciência se acha diretamente proporcional à Fé, que se soube inspirar para a sua eficácia.

Não é aqui, propriamente, lugar para se dar provas insofismáveis dessa imensa Verdade, que na opinião dos céticos outra coisa não tem sido senão a negação sistemática de algo ainda desconhecido da maioria, e que não deixa, no entanto, de comprovar a vaidade tola daqueles que, sem conhecimento de causa, pretendem demolir e esmagar, de um só golpe, as experiências que, a bem dizer, representam o próprio passado da evolução humana. Eis uma das muitas razões por que nem a todos se pode dar ensinamentos de natureza transcendente a menos que se queira incorrer naquela outra sentença iniciática atribuída ao mesmo Iluminado, e que é o Margaritas ante porcos (Não atireis pérolas aos porcos). Todo pensamento que se nega, ou que se leva para o ridículo, se desagrega no invisível, é solapado na base mesma da sua vitalidade; toda ideia que se afirma, que se acolhe de modo favorável, que é cultivada com carinho e dignidade, adquire uma vitalidade cada vez maior, suscetível, portanto, de realizar verdadeiros prodígios no mundo material.

Toda ideia, como disse muito bem Paul Emile Levy encerra em si mesma um começo de realização; toda ideia é um começo de ação. Poderíamos acrescentar: um ato em estado nascente.

Mas o que o Dr. Emile Levy não pôde trazer a lume com bastante vigor, é o quanto pode fazer a vontade humana, seja dar vida ou mesmo matar alguém (se se tratar de um criminoso ou antes, um “mago negro”); dar vida e forma aos seus próprios pensamentos, em resumo, realizar os chamados prodígios, que aliás não são outra coisa senão “fenômenos naturais”, por serem levados a efeito de acordo com as leis da Natureza.

A Fé, que é a afirmação superlativa por excelência, torna-se, pois, a base mesma de todo o Tratamento Mental.

Tal como os “milagres” de curas relatados na Bíblia, todos, sem exceção alguma, são operações desse gênero, pois, de uma forma ou de outra, nós os encontraremos no Tratamento Mental; a menos que se admitam “dois pesos e duas medidas”: quando realizados pelos adeptos da Igreja são milagres de santos por obra divina; se, porém, não pertence à Igreja, o autor desse milagre recebe o gracioso epíteto de agente do Demônio.

Caldeus, assírios, egípcios, gregos, romanos e outros povos antigos já praticavam os referidos métodos. Suas escrituras estão repletas de casos idênticos, além de outros até agora desconhecidos por parte daqueles que se orgulham de pertencer a um “século de luzes”…

Os egípcios possuíam em seus templos, principalmente nos de Ísis e de Serápis, verdadeiros colégios de sacerdotes curadores que operavam, principalmente, de acordo com o método mental.

Aos gregos e aos romanos se deve o culto de Asclépios, ou Esculápio, que na sua origem consistia, principalmente, no rito curioso da incubação. Esta prática prescrevia aos doentes passar uma ou algumas noites no Templo do Deus curador, com a esperança de serem favorecidos com uma aparição ou sonho, capaz de lhes restituir a saúde.

Quando a religião cristã se espalhou pelo mundo, este poder de cura “miraculosa” tornou-se o apanágio dos “santos”, e na idade-média, encontramos quantos exemplos sejam necessários para a sua comprovação, nos milagres, por exemplo, dos Santos curadores, como foram Cosme e Damião, Terapon, Martins de Tours e tantos outros.

Já dissemos que todos os curadores pelo processo do Tratamento Mental se apóiam em Dogma Único. Nem era preciso dizer que ele fosse recente: trata-se do que foi exposto pelo sábio hindu Vyasa (que outros confundem com Badaráyana), na sua Filosofia Vedanta, o mais sublime dos sistemas monísticos, e que data, provavelmente, de uns setecentos anos antes de nossa Era.

Este sistema professa que Deus, nosso Criador, é o único SER real e, por conseguinte, tudo mais não passa de ilusão dos sentidos (maya), ou de Manifestação do Grande Todo em aparente diversidade, porque Ele mesmo sendo indivisível, não podia deixar de ser o Único.

E como somente o Grande Todo existe, segue-se, ainda, que tudo mais não pode ser, senão, diferentes ideias que dele formamos, ou antes, Ele mesmo sob múltiplas ideações, formas e aspectos diferentes.

Max Miller foi muito feliz em resumir esta filosofia, no que concerne ao homem, através de um pensamento que foi amplamente divulgado: “Brahma é verdade: o mundo é erro. A alma é Brahma e nada mais”.

O mentalista considera o Criador como Onisciente, Onipotente, Onipresente, isto é, como manifesto por sua Trindade, suas três emanações de Pensamento, Força e Matéria; o homem, sua criatura, como sendo um espírito imortal, feito da sua mesma natureza, momentaneamente provido de um corpo, e destinado, por essa sua mesma natureza, a governar os atos de seu corpo, tanto no visível como no invisível.

É incontestável, metafisicamente falando, que Deus, como Ser Único, seja eterno e incriado. De outra maneira se cairia numa espécie de politeísmo, que parece absurdo, embora para se manifestar tenha Ele que, cabalística e teosoficamente falando, tomar os aspectos numerais da sua essência, ao mesmo tempo Una e Trina, através do Setenário Divino. Donde se dizer que o número 137 é o mais cabalístico de todos os números. Sim, como a unidade (ou origem de todas as coisas), o ternário da sua manifestação, e o setenário da sua evolução.

O homem para ser imortal deve necessariamente participar da essência mesma de Deus, pois que só Ele existe. E como tal essência seja indivisível, por definição, segue-se que o homem – pelo fato mesmo de ser Homem – traz, em estado latente, toda a Divindade do seu próprio Criador. Há uma velha sentença oriental que diz: “Deuses fomos e nos temos esquecido”.

A palavra “homem”, no inglês “man”, provém de manas, manu (sânscrito), o pensamento, o pensador. E como tal é filho da mente universal, que representa o Poder da Vontade Divina.

Ele não é apenas o Filho, nem é distinto de seu Pai, mas idêntico à sua natureza, eterno e incriado como o Pai.

Insistimos: seu Pai e ele não formam, nem podem formar senão Um, pois que tudo fora deles é ilusão. “Eu e meu Pai somos Um”, afirmava Jesus.

O homem é como um raio desta luz infinita donde emana, e sem ser a própria fonte, não pode, entretanto, ser distinto dela.

A doutrina do Tratamento Mental apodera-se avidamente desta grande verdade: como O trazemos conosco como somos Ele próprio, basta Lhe fazermos o conveniente apelo, porém, em nosso próprio imo, apesar dos aparentes obstáculos da matéria grosseira que nos envolve, portanto, ilusórios, que d´Ele nos separam, ou antes, não nos permitem vê-Lo, para que a harmonia da criação tome seu curso primitivo, isto é, que a doença (que não é senão um estado mental e instável da desarmonia), seja forçosamente aniquilada, refluindo no Nada, que é a sua essência, do mesmo modo que uma sombra qualquer se dissipa instantaneamente logo que sobre ela a luz se projete.

Toda questão está, pois, em colocar-nos mentalmente nas condições requeridas, para que este apelo seja eficaz e nos livre tanto quanto possível de todos os liames que nos prendem à materialidade, sob todas as suas formas. Antes de tudo é preciso nos habituarmos a controlar e dirigir todos os nossos atos, tanto intelectuais como materiais. Consideramos, ainda, nossos desejos, nossas paixões, pelo que são realmente; afastar de nós os resíduos dos tempos decorridos de nossa evolução, onde a bem dizer, não éramos ainda homens, ligando-nos ao que hoje somos, mas desligando-nos, o mais rápido possível, de tudo quanto concorra para o atraso de nossa espiritual evolução.

Daí a necessidade imperiosa de desenvolver nossa própria cultura, tanto do ponto de vista espiritual como psíquico, com influência direta até na evolução física pessoal, sem o que iremos fatalmente formar naquela enorme maioria de homens guiados na vida unicamente por seus desejos, instintos e paixões, e por isso mesmo escravos do desequilíbrio, da desarmonia e do mal.

A importância da cultura física, isto é, da participação ativa de nossa inteligência na manutenção da harmonia em nosso corpo, jamais deve ser esquecida. A harmonia de um repercute infalivelmente no outro, e reciprocamente, de maneira que seria positivamente impossível querer viver harmoniosamente na vida, sem o concurso espiritual coletivo. Daí o maior de todos os Ideais, que é o da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção alguma.

O regime vegetariano é um dos mais poderosos elementos de desenvolvimento espiritual (deixando de parte a questão das intolerâncias por esse regime alimentar, que por si só exige grosso volume para ser discutido tal como o merece), ou melhor, da emancipação mental do homem, pois a carne, no seu substratum, possui os perniciosos elementos da animalidade que, ingeridos continuamente, não podem deixar de prejudicar o homem, quer física, quer psíquica, quer espiritualmente falando. Além de excitar naqueles que dela fazem uso, os desejos e as paixões materiais mais grosseiras, constituem entraves à livre manifestação do Ego através do intelecto, na formação dos pensamentos. Eis por que os homens são guiados na vida mais pelas emoções e paixões do que pelo Ego ou Espírito. Não são apenas as bebidas alcoólicas, o tabaco, os entorpecentes e tóxicos de qualquer espécie a contribuir para a degenerescência da espécie humana. Do ponto de vista patológico, o regime carnívoro – pior se exclusivo – provoca por sua vez sérios distúrbios, tais como o reumatismo, o artritismo geralmente relacionado às disfunções hepáticas, a apendicite, algumas doenças nervosas e circulatórias, e outras mais graves, incluindo mesmo certas formas de úlceras e tumores.

A alimentação e a respiração representam os dois fatores principais da manutenção da vida. Alimentos selecionados e ar puro, mais a higiene mental, nos asseguram o equilíbrio essencial à saúde do corpo e da alma.

Estas e outras condições seguidas à risca, nossa parte divina harmoniosa se firmará cada vez mais e nosso poder de serenidade e de saúde irá sempre aumentando, tanto em nosso benefício, como no daqueles que de nosso espiritual auxílio necessitem.

Volvendo à prática da cura mental, o operador em perfeito recolhimento, tanto quanto lhe permita o seu desenvolvimento psíquico, identifica-se com os princípios que acabamos de expor. Procurando transformar-se numa fonte viva dirige a onda vital que daí resulta, sobre aquele ou aqueles a quem deseja curar. A seguir ordena, com uma força irresistível, um poder de vontade inquebrantável, que é o poder da harmonia universal, a bem dizer, o mesmo que presidiu à Criação; ele a sente agindo no caso que está sob a sua guarda espiritual, identificando-se com o seu Criador, e uma vez realizada a imagem curadora, ele a projeta sobre aquele ou aqueles a quem deseja beneficiar.

Durante um momento muito rápido, ele se confunde, e portanto identifica-se com seu Criador; penetra o mistério do Infinito encarnado no homem, e entrevê, com imenso fulgor diante dos seus olhos, a grande Verdade, que a Lei da Evolução lhe reserva para mais tarde, o gozo eterno, o supremo gozo da imortalidade consciente.

O Tratamento Mental desta maneira compreendido identifica-se por completo com o desenvolvimento da natureza psíquica e espiritual do homem que, como se viu, não é mais possível separar. É antes um uso particular de faculdades, que atualmente nos parecem sobrenaturais como um processo qualquer que ainda estivéssemos longe de aprender, e muito menos de comunicar. Evidentemente, todos nós trazemos em nosso imo a Centelha Divina (que é a própria mônada), e somos, sem exceção alguma perfeitamente iguais – pois que semelhantes ao Eterno, somos como a planta que começa a germinar, para depois crescer e florescer, diante de nossa própria evolução espiritual.

O Tratamento Mental confere, imediatamente, dois apreciáveis benefícios: o primeiro é o de nos fazer conhecer nossa natureza divina de modo prático, pairando acima de todas as contingências, e toda destruição possível, por sua própria essência, o que é para nós uma fonte preciosa de inquebrantável otimismo; o segundo, o de nos ensinar o caminho direto, tão infalível quanto necessário, que devemos seguir a fim de possuirmos a saúde e a serenidade. De fato, eles serão bem nossos quando compreendermos que deles jamais nos devemos separar.

Conclusão — Como se viu, o Tratamento Mental é coisa bem diversa de qualquer método de medicar (ou tratar) mais ou menos aperfeiçoado. Ele cura, é incontestável. Sobretudo quando todos os recursos conhecidos já foram empregados. Mas exige do operador um treinamento rigoroso e constante, para que ele mesmo não venha a adoecer por ter oferecido demais aquilo que, de certo modo, para si mesmo devia conservar: a vida. Sabemos de alguns que estão dentro desse triste caso, na razão do velho adágio popular de “quem da o que tem a pedir vem”.

O Tratamento Mental também representa um método de regeneração social, que recomendamos a todos os homens dignos e ilustres, pois é a maneira mais prática de contribuir para a Evolução humana. Melhorar nossa raça segundo os preceitos eubióticos, espiritualizar a civilização que aflora neste continente privilegiado, colocar-se, enfim, ao lado da Lei que a tudo e a todos rege é dever de quantos, aturdidos pelos desastrosos efeitos de guerras e ódios destruidores entre membros da mesma Família, por serem nascidos de um Pai Comum ou da mesma Origem, desejam colocar-se à vanguarda daqueles que ainda esperam salvação – como se “raros náufragos nadando no vasto abismo”, da Eneida (Rari Nantes in gurgite vasto), onde a mesma salvação não mais existe pelo fato de a matéria se ter afastado por completo do Espírito. O passado é como uma velha árvore que precisa ser rejuvenescida com uma seiva nova, cujos frutos sazonados possuem as privilegiadas qualidades de uma longa e proveitosa seleção, enquanto a sua assombrosa vitalidade procede de inesgotável manancial, para cuja existência muitos outros concorreram, pouco importa se conscientes ou inconscientemente: o excelso Manancial da Obra grandiosa a cuja frente se acha a Sociedade Teosófica Brasileira [hoje Sociedade Brasileira de Eubiose], com o seu mais do que expressivo lema: Spes Messis In Semine: A esperança da colheita reside na Semente.

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Comentário de Henrique José de Souza extraído da revista Dharana
nº 21/22, julho 1962/junho 1963, páginas 29/33 e 36/39, inserido no artigo “O Rei do Mundo”, de René Guénon.

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PRECIOSOS ENSINAMENTOS DE HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA – 3 https://semeandoconhecimento.com.br/preciosos-ensinamentos-de-henrique-jose-de-souza-3/ Mon, 30 Nov 2015 18:34:48 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4145 O Poder do Mental Abbás Effendi Filosofo Herder Rui Barbosa João Gibin Amai-vos uns aos outros Espírito de Verdade A ruína do mundo Progresso Cinco Sentidos O músico 3 Gunas na vida das nações


Para que se possa avaliar o poder imenso do Mental, na realização das coisas desejadas, mais que todas a da Fraternidade Humana, citaremos a fraternal providência tomada pelo 28º Presidente dos Estados Unidos, Thomas Woodrow Wilson*: “Ao meio-dia em ponto, todas as atividades eram paralisadas, desde os veículos até o transeuntes, as próprias crianças que se dirigiam para suas escolas. E, durante um minuto de silêncio, todos firmavam seu Pensamento na PAZ”. E esta veio, pouco importa como. A ideia, pois, do grande místico hindu Ghorale é digna de aceitação por “todos os homens de boa vontade”. Em nossa Instituição, além de possuir em São Lourenço um Templo à Paz Universal, todo aquele que dá ingresso nas suas fileiras recebe uma evolução mental, onde o termo PAX (no latino, PAZ, e em sânscrito, “comunhão de Pensamento”) é seu “Bija”, como acontece com o termo AMEM (equivalente ao AUM sânscrito), no final de todas as preces. De fato, Bija, Amem etc., quer dizer “Que tal aconteça”.
(O Luzeiro, 1953, pg. 72).
*Governou de 1912 a1921.



Em 1912 Abbás Effendi*, em visita à Londres, entrando em um templo protestante da grande metrópole, teve ocasião de assistir a celebração do culto, e logo o mesmo terminado toma ele a palavra “para exortar aos fiéis ali reunidos, a prática do Bem e do Amor, dentro da sua própria religião”. Encaminhando-se depois para a Bíblia, nela escreveu: “Este é o livro santo de Deus, de celestial inspiração. É a Bíblia de Salvação, o nobre Evangelho. Nele se acha o Mistério do Reino e sua Luz. É o dom divino, sinal do governo de Deus”.

Este gesto inimitável emocionou a todos os presentes: um muçulmano no templo de outra religião, falando aos fiéis, da Verdade do Espírito Santo, do Deus da Paz!

Da sua mensagem ao mundo, consta, no final, o seguinte apelo: “Agora, mais do que nunca, deveriam os povos – sob o mesmo estandarte humano – não se afastar do preceito: amar e crer em todos os profetas. Assim como os cristãos creem em Moisés, deviam os judeus crer em Jesus. Do mesmo modo que os maometanos creem em Cristo e Moisés, deviam os judeus e cristãos crer em Mahoma. Desse modo desapareceriam todas as disputas, unindo-se os homens sob um só e mesmo espiritual Estandarte. Abbás Effendi vem com o propósito de unir todas as religiões em uma só, levantando o Estandarte da Unidade, da Honra, da Dignidade Humana, no centro do mundo! Devemos, agora, rodeá-lo e procurar com o coração e a alma, que resplandeça a FRATERNIDADE HUMANA”.

Eis aí o critério teosófico na boca de um santo, de um Iluminado.

Abbás Effendi, com semelhante gesto, reconhecia a mesma Verdade por baixo dos vários prismas que os homens lhe deram. Sim, na mesma razão do que está escrito no Rig-Veda, como um dos mais antigos livros do mundo: “Há uma só Verdade, embora que os homens lhe deem nomes diferentes”.
(O Luzeiro, 1953, pg. 73).

*Abbás Effendi nasceu na Pérsia (hoje Irã) em 1844, morreu em Israel em 1921. Filho mais velho do Profeta fundador da Fé Bahá, em 1892 foi escolhido pelo pai para ser Seu sucessor e interpretar Seus ensinamentos. Pela sua bondade e humildade era chamado pelo povo de “o Mistério de Deus”.  



Diz o filósofo Herder*: “As religiões são como as cordas da mesma lira. Cada uma delas tem a sua nota particular, mas, a perfeição da música resulta da união harmoniosa desses diferentes sons”.

Sim, porque o Budismo prega e cultiva a Renúncia, a vitória que devemos alcançar sobre os nossos desejos, as nossas paixões ou sentimentos inferiores, o que representando a base de toda disciplina, é, por sua vez, o caminho para a perfeição, a Superação.

O Bramanismo exalta a natureza espiritual do homem e da criação. Somente o Espírito existe e perdura; as coisas materiais não passam de ilusão.

O Zoroastrismo é a nota de combate espiritual, que exprime a ideia da eterna luta, do conflito gerador de todas as desordens humanas e, por conseguinte, o combate, a luta, o conflito na alma humana.

O Confucionismo admira, antes de mais nada, a ideia da ordem e do equilíbrio, procurando levar a humanidade à compreensão, à imitação da calma, da beleza e da ordem infinita da natureza.

O Judaísmo representa a ideia da imparcialidade, da justiça sobre as quais deve estar fundada a sociedade humana.

E o Cristianismo?

O Cristianismo, digo eu, está no fundo de todas essas religiões, como deve estar no fundo do coração de todos os homens, desde que se o conceba de acordo com o seu verdadeiro significado: Iluminação, Conhecimento, Sabedoria Perfeita, na mesma razão de Budismo, Teosofia etc.
(O Luzeiro, 1953, pg. 73).
*Johann Gottfried von Herder (1744/1803), filósofo e escritor alemão.   



Que diria hoje Rui Barbosa ao ver as nulidades triunfando ainda mais, as injustiças culminando por toda parte, os poderes nas mãos dos maus tão agigantados. Pior que tudo isso, a desonestidade como arma poderosa para o homem galgar os altos píncaros da glória.

Teósofo que fora, o grande RUI diria apenas: Na hora que atravessamos não há como saber selecionar as consciências. Sim, buscando entre os poucos em quem a Inteligência e a moral não cederam lugar à ignorância e à perversão dos sentidos, a SEMENTE DA NOVA RAÇA.

Já o grande escritor patrício, que se chamou Coelho Neto – revoltado contra alguns dos que o cercavam – também proferira: “Não há como passar despercebido no mundo”.

Não se revoltou também contra os homens, o meigo Nazareno, ao dizer: “Corja de víboras, quando me verei livre de ti?”

Nós outros, preferimos dizer: Eleva-se o homem na vida e se choca com a família. Se se eleva ainda mais, choca-se com o povo. Se mais ainda, com a Nação. E finalmente, com o mundo inteiro.

Diante de tudo isso, e muito mais ainda, não há que reclamar coisa alguma, “Águia de Haia”, pois que a civilização se acha em franco declínio. Nesse caso, melhor será “alçar o vôo” pelas regiões sublimes da Inteligência, em busca da Divina Essência. E isto Você o sabe melhor agora do que nos tempos que já se foram…
(O Luzeiro, 1953, pg. 75)


João Gibin, ilustre e querido membro de nossas fileiras, vencedor do Concurso “O Grande Caruso”, tendo ido em visita à cidade de Benxières-Aux-Dames, teve ocasião de visitar a cidade onde “nasceu” a vidente Jeanne D´Arc. Grande comoção ao chegar àqueles dois referidos lugares estreitamente ligados àquela a quem consideramos – de acordo com seu próprio nome, “Jina da Arca ou Agartha” – como são Todos esses privilegiados Seres cuja vida se distancia muito (digamos, muitíssimo) da do vulgar dos homens, chamem-se Jeanne D´Arc, Colombo, Cabral, Germano, Cagliostro e tantos outros.
Quando o cantor deu entrada na privilegiada “cidade”, tendo ouvido, através de um rádio, os primeiros acordes da música de Ari Barroso, intitulada “Brasil”, sentiu grande vibração e muitas saudades da Pátria distante. Pela parte que nos toca, quando ouvimos, por exemplo, outra música do mesmo compositor patrício, intitulada “Na Baixa dos Sapateiros”, também temos muitas saudades da Bahia, pois nos faz recordar os belos tempos da mocidade, quando íamos cobrar os aluguéis da direita (quem vem da Ladeira do Carmo), pertencentes à nossa Família, além de por ali termos de passar muitas vezes, em nosso caminho para a Escola e outros afazeres de nossa vida sempre “agitada”, que passou a puramente intelectual, desde que chegamos ao Rio de Janeiro em 1914.

E que dizer de um Hino Nacional, ouvido em lugares distantes do BRASIL?

Já dizia o Senhor Gotama: “Luta em primeiro lugar pelos de teu sangue (a Família), e os da tua Raça (a Pátria)”, pois que a Religião era Ele mesmo que ensinava tal coisa, querendo provar a lei de Karma ou de “Causa e Efeito”, que a cada um dá a Pátria e a Família que lhe compete na vida, segundo as suas próprias escandas (em sânscrito, o mesmo que “tendências”) de vidas anteriores.

Domrémy, lugar onde “nasceu” Jeanne D´Arc e onde ela “ouviu as vozes do Alto”, em semelhante lugar foi erguido belíssimo e expressivo Monumento. Mais adiante figuram as estátuas do “Pai e da Mãe” da mesma heroína e mártir… E, perto, a Igreja em cujos muros está escrita toda a sua história. “Toda” é termo impróprio, pois que a verdadeira, nenhum “profano”, seja quem for, a conhece… E a prova está que a pobre mártir de outrora “era uma embusteira” – como Savonarolle, Jean Huss, Giordano Bruno e tantos outros – para hoje passar por “santa”.
(O Luzeiro, 1953, pg. 78/79).



O meigo Nazareno ao dizer “amai-vos uns aos outros”, não fazia qualquer distinção racial filosófica ou religiosa dos homens, mas, abraçava-os num único amplexo, como se fossem filhos de uma só família. E por não ter sido compreendido pela turba ignara, insuflada pelos “doutores” e “fariseus” de todos os tempos, o amplexo não chegou a se concretizar e o gesto ficou suspenso, pregado numa cruz, enquanto que do peito da Eterna Vítima, do Coração do Amoroso, vertia o sangue que haveria de manter o mistério…

Ao expulsar os vendilhões do Templo, chamando-o de “casa de meu Pai” (segundo o Evangelho de São João, 2-16), templo este que não poderia ser de nenhuma das religiões denominadas cristãs, por já pré-existir a todas elas – não demonstrava Jesus ser Ele a manifestação cíclica do Espírito de Verdade, ou seja, o Pai manifestado no Filho, através daquilo que, nós teósofos, chamamos de um Avatara? E que, portanto, a Verdade é uma só, embora lhe deem nomes diferentes? E que todo templo dedicado a Deus, e portanto, à Verdade deve ser considerado “casa de meu Pai”?

Mas os homens não o entenderam, como ainda não o entendem. E o Cordeiro foi imolado…

Se a Verdade é uma só, se Deus é um só, se todas as coisas e seres criados, Dele emanaram, por que não hão de as religiões se reunirem em torno da mesma pira para nela queimarem os incensos de suas preces e de seus louvores ao Deus Único e Verdadeiro do Qual dizem terem emanado os seus Evangelhos? No entanto, as lutas religiosas, sustentadas “ad majorem dei gloriam”, têm derramado mais sangue entre os homens do que os problemas raciais, políticos, ou outros.

A Mente e o Coração de mãos dadas devem queimar perfumes na mesma Ara, a favor de um só e mesmo Ideal, de uma só e mesma Verdade. A Religião do Amor compartilhada entre todos os seres da Terra.

Não há mais lugar para os indiferentes, porque os tempos apontados pelos profetas de todas as épocas são chegados e bem chegados.

“Reconstrução!” é o brado espiritual que a Lei faz repercutir por todos os cantos do Globo! E ai daquele que lhe não quiser dar ouvidos.

         Intelectuais do mundo, cuja Palavra escrita ou falada representa aquela prodigiosa “espada do conhecimento” forjada no fogo de Vulcano! Vós, cujo nobre e heróico sacrifício a favor da Humana Causa, tantas vezes vos conduziu ao patíbulo armado pela mão implacável dos “césares, temporais e espirituais” de todas as épocas, sejam defensores da Religião-Sabedoria, para que mais facilmente possam ser banidos da face da Terra a loucura e o vício.

E com isso, mais uma vez ressoam os clarins da Lei. Alea Jacta Est!
(O Luzeiro, 1954, pg. 81/82).


No alvorecer do ciclo de Aquarius, surgirá, como de outras vezes, o Espírito de Verdade como a Divina Essência portadora de uma Nova Era para a humanidade. Seu nome, do qual se tem usado e abusado ultimamente (os falsos profetas e messias já anunciados pelo próprio Cristo), obedece às tradições tanto do Oriente como do Ocidente: MAITREIA é de todos o mais conhecido, principalmente na Índia e no Tibete. É ele o MITRA-DEVA das várias lendas hindus; AKDORGE, o cavaleiro das idades, das lendas transhimalaias; e, finalmente, o pouco conhecido, que é AKTALAYA, “envolvido na alma do Mundo”.

Para definir o ciclo em questão, as tradições orientais lhe dão o nome de APAVANADEVA, isto é, o “avatara aquático” por manifestar-se justamente no ciclo de Aquarius. Não se deve esquecer, no entanto, que todos os Manus ou guias humanos, segundo as lendas, surgem do mar. Lembremo-nos, por exemplo, de Moisés, o “salvo das águas” e do aguadeiro Akad ou Akadir que salva o Rei Sargon* que fora abandonado  numa cesta atirada ao rio, quando recém-nascido, o que é uma perfeita reedição da lenda do famoso Manu judaico.

          O português Diogo Álvares Corrêa, o Caramuru, ou “serpente do mar” como o apelidaram os tupinambás, (…) não deixa de ser um pequeno Manu. É que da fusão monádica havida entre o português e a índia Catarina Paragauçu, nasceu a raça brasileira. Já em seu tempo, Tamandaré ou Tamoindaré, o repovoador, foi um pequeno Manu, como dirigente da raça guarani. José de Alencar, no seu famoso romance “O Guarani”, servindo-se das lendas indígenas, fala nela como tal e num dos muitos dilúvios que têm assolado a Terra. Aliás, não houve apenas um dilúvio na história da humanidade, como julgam as religiões ocidentais, que desprezam as lendas e tradições de numerosos povos.
(O Luzeiro, 1954, pg. 97).
*Rei Sargon da Assíria, reinou 56 anos, de 2270 a 2215 a.C.


A ruína do mundo é uma resultante da maldade, da falsidade e da fealdade, como densas nuvens que procuram eclipsar a brilhante Luz do Sol, cujos são: Verdade, Bondade e Beleza. O primeiro Raio pertence à Ciência, cujos trabalhos analíticos hão de forçosamente culminar na Suprema Síntese. A Religião, no seu verdadeiro sentido de “religar ou tornar a unir” todos os homens entre si- para que um dia voltem à Unidade Síntese, donde emanaram – procura despertar a Bondade latente em cada homem, por mais involuido que pareça, pois não existe um só que não seja o reflexo divino, para não dizer, a própria Divindade manifestada na Terra.

Se, como disse Bunyan*, “a religião é a melhor armadura do homem”, ela é também a que maiores embaraços traz aos seus livres movimentos, e contra sua capa de hipocrisia, lutam ocultistas e Teósofos, como os representantes da verdadeira Religião-Sabedoria, por não proceder de um “deus antropomorfo”, mas, como disse H.P.B. de uma linguagem e sistema de Ciência, comunicados à Humanidade primitiva, por outra Humanidade tão avançada, que parecia divina aos olhos da humanidade imatura”.
(Dharana 87/88, 1936, pg. 534).
*John Bunyan, 1628/1688, escritor inglês.



Contínuo deve ser o progresso da Ciência, da Religião e da Arte. Para que tal progresso se torne efetivo diante da imensa responsabilidade que temos para com a Humanidade, devemos despertar tudo quanto de bom e belo dorme em nosso seio, tratando de nos dominarmos a cada momento. Devemos fazer presentes aquelas memoráveis palavras de Epicteto*: “Tu queres ser igual aos homens vulgares, como fio de túnica, que se pode confundir com os demais fios; eu desejo, porém, me parecer à púrpura sanefa que, não brilha apenas, mas embeleza todo lugar onde é aplicada”. Nesse caso, não queiramos ser fios de túnica, para não nos confundirmos com os homens vulgares, para os quais teve Emerson estas palavras: “São viventes desculpas de não ser homens; humilham-se, desculpam-se com prolixos raciocínios e acumulam aparências, porque lhes falta a substância”.
(Dharana 87/88, 1936, pg. 535).
*Epicteto, 55 d.C/135 d.C, filósofo grego.



Todos nós sabemos que possuímos cinco sentidos; porém, ignora a maioria que cada um deles tem íntima relação com as mãos. Do mesmo modo que cada uma delas possui cinco dedos, dos quais, o polegar é o mais importante, porquanto é o único que, por si só, pode fazer o papel dos demais; assim, o sentido da vista tem por polegar a visão; o ouvido, o tato, o gosto e o olfato fazem o papel dos outros dedos da mão. (…)

Embora que a maioria dos homens não esteja hoje com os sentidos perfeitamente afinados, a educação os fará um dia mais responsivos. O certo é que existem pessoas que ao ouvirem música, cerram os olhos e veem simultaneamente a sucessão rítmica de delicadas cores. Em resumo, podemos declarar que não há uma partícula de nosso corpo que não possa responder às vibrações dos cinco sentidos. E embora estejam localizados em certos órgãos especiais, como os olhos e os ouvidos, virtualmente, todos os átomos do corpo podem ter as mesmas peculiaridades, como sucede no corpo astral, cujos átomos todos veem, ouvem e gostam, sem necessidade de órgãos especiais.
(Dharana 87/88. 1936, pg. 536/537).



O músico, ao criar uma beleza, sente antecipada a felicidade dos que a vão conhecer mais tarde; em uma palavra, todas as condições eubióticas! Tudo quanto é capaz de melhorar e fazer ditosa a vida humana está encerrado na Música. E mais do que em outra qualquer, nas de Beethoven e Wagner.

A Música teve sempre domínio sobre as almas. Porém, Beethoven e Wagner chegaram a ser os maiores magos no manejo desse Poder Colossal, que extasia as almas e as conduz pelas regiões sublimes do Espaço, em busca de sua Origem!…
(Dharana 87/88, 1936, pg. 539).



Vejamos o que representam as três “qualidades de matéria” na vida das nações:

Quando é a condição Tamásica (o Encarnado) que predomina em uma nação, isto é, por dois terços de seus habitantes encontrarem-se sob o influxo das paixões inferiores, tal povo se torna covarde e indiferente às coisas do Espírito; mas, ativo e corajoso (se o quiserem) para a defesa dos interesses pessoais e… tudo mais quanto seja harmônico com as suas passionais e inferiores ideias, segundo o termo sânscrito “KAMA” (desejo, paixão sensual etc.). Daí o aproveitamento dos mais espertos (entre eles) para se apoderarem das rédeas do governo de tais nações. E de cujo gesto ninguém tem que se queixar, segundo se acha expresso no sábio aforismo: “Cada povo tem o governo que merece”.

Quando se trata da condição Rajásica (o azul) predomina o espírito religioso, porém, sob a mais baixa manifestação, que é a do fanatismo e da superstição, porquanto Rajas nunca se manifesta só, mas acompanhado de Tamas. Dessa mescla entre o azul e o encarnado (segundo a mistura das cores matizes) aparece o “roxo”, lunático ou passional, tal como se deu na Raça Lemuriana, dirigida pelos planetas Vênus (azul) e Marte (encarnado), em cujo estado de consciência dominavam exclusivamente as coisas do Sexo. Daí ter sido nela onde se deu a sua “Separação” (do Sexo), isto é, onde os seres começaram a nascer sob a dupla forma sexual. Nesse caso, quem domina tais Nações, é o espírito religioso no baixo sentido a que já nos referimos, isto é, manifestado como Fanatismo e Superstição. Ou melhor, o Poder Espiritual (o falso, porquanto o verdadeiro sempre foi representado pelos Colégios Iniciáticos, como fiéis guardiães da Sabedoria  Iniciática das Idades), querendo assenhorear-se do Poder Temporal, isto é, ficar senhor dos dois poderes, ou melhor, dominar o mundo. (…) Em todas as nações onde estiver predominando Rajas e Tamas, ao mesmo tempo, se dará um retrocesso de vários séculos na sua evolução. E como ninguém tenha o direito de contrariar a Lei… o castigo não virá longe!

Predominam ainda, em tais nações (Rajásicas e Tamásicas ao mesmo tempo), os crimes passionais, os amores ilícitos, as revoluções repetidas e tudo mais quanto possa ser tido como “ATIVIDADE INFERIOR”…

Quando é, finalmente, Sattva (o amarelo), que predomina (o qual atrai os dois primeiros para que se dê o Equilíbrio perfeito entre as três  qualidades de Matéria) outorga aos povos a concórdia, o mútuo entendimento; a generosidade e acerto por parte dos governos, que se fazem eleitos e amigos do povo. Dirigentes e dirigidos formam uma Harmonia Perfeita, semelhante à vivida pelos antigos gregos da época anfitreônica e dos egípcios, nos seus belos tempos. É o que se pode chamar: consciência coletiva e concordância entre APTIDÃO, IDEALISMO e CARGO.

Na Idade Média, a Era feudal por excelência governava Tamas. Agora domina Tamas e Rajas, ao mesmo tempo, o que representa um período de crises, uma era de transição, de dúvidas e incertezas… para quase todas as nações do mundo, segundo aquele velho adágio oriental: “Quanto mais pesado fizeres o mundo, mas o mundo pesará sobre ti!”
(Dharana 87/88, 1936, pg. 539/540).

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Contribuição de Zélia Scorza Pires
São Lourenço, 15.09.2015

 

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PRECIOSOS ENSINAMENTOS DE HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA – 2 https://semeandoconhecimento.com.br/preciosos-ensinamentos-de-henrique-jose-de-souza-2/ Fri, 06 Nov 2015 16:30:32 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4123 O Que Vale a Pena O Amor e a Paixão Amônio Sacas IOGA Época Atual Eubiose Colégios Iniciáticos Intuição Espiritualidade e Religiões Rui Barbosa Talmud - Quando Deus Criou a Terra


 

O ator e o orador veem o seu público; o general, o seu exército; o mestre, os seus discípulos; o pai, os seus filhos; porém, eu, a vós, leitor amigo, para quem escrevo há muito tempo, e que jamais vos conheceria, a menos que viésseis aos meus braços.

Pode haver algo mais sublime do que trabalhar para os desconhecidos e pelo Desconhecido?

Surge a ideia na mente, e a pena logo a imprime no papel… Mas o que o escritor não pode saber é o emprego bom ou mau que de tal esforço podem fazer os seus leitores.

Será o veneno o ou bálsamo consolador? A virtude ou o crime? A verdade ou a mentira? A maldição ou o fruto bendito?

O bem e o mal não estão em nossos atos, mas em nosso pensamento, pelo que seremos julgados. Maior é a ferida que produz a língua do que o punhal; mais que a língua, a pena, quando dirigida por mãos inábeis…

Na atualidade, é com a pena molhada na negra tinta do ódio, da mentira, da falsidade e da vingança, que se discutem os menores assuntos da vida.

Não falemos da política…

Entretanto, graças à pena, possuímos toda a História humana. Por ela nos fazemos conscientes e livres. Por ela eternos são os pensamentos. A ideia é o Verbo que toma carne através da pena.

Eis porque sinto receio quando escrevo.

Sim, toda profissão é sacerdócio ou comércio, segundo é exercida pelo altruísmo ou pelo egoísmo. Augusto e nobre sacerdócio, pois, deverá ser o da pena. Pena vendida, pena maldita. Seus prejuízos são maiores que os da peste.

No entanto, aquele que bem escreve, isto é, escreve sobre boas coisas, nem sempre o faz para aqueles quem devia.

A maioria nos lê às pressas, sem ligar importância; outros, entretanto, o fazem com carinho e admiração. Alguns procuram ler nossos trabalhos mais de uma vez, para nos entender; mas também há quem nos calunie e macule com a sua leitura. São estes os mais perigosos.

Nosso amigo não é propriamente aquele que nos lê, mas o que medita no que escrevemos colocando uma parte leal de nossa alma. A leitura meditada é o diálogo mudo entre duas almas que em uma se confundem: o leitor e o escritor. É um fenômeno idêntico ao dos laços espirituais que devem ser mantidos entre o doente e o médico para que a cura se realize. Em verdade, não são os medicamentos que curam, mas o magnetismo que se estabelece entre essas duas polaridades humanas, pouco importando os meios… Glória aos que sabem curar desse modo, porque o fazem dentro das leis que regem os próprios Universos. Assim agiam os grandes Taumaturgos, como Jesus, Apolônio de Tiana e outros mais à frente.

A boa leitura também produz milagres; educa o caráter e salva as almas…

São, pois, sagrados os laços que se formam entre o escritor e o seu público – uma espécie de paternidade transcendente contra o que de ineficaz têm produzido os séculos.
(O Luzeiro, 1952, pg. 1 – sob o pseudônimo de Laurentus)



 

O Divino ou transcendental Amor, é simbolizado por Eros, como o seria por Cupido, sem a forma que lhe dão os não entendidos em matéria alegórica. Cupido e Eros representam o Augoeides dos gnósticos, o Princípio Crístico ou Sétimo dos Teósofos. É o símbolo incomparável da Superação da Mônada [parte Imortal do homem].

Eros tem asas nos pés para poder voar acima das próprias nuvens, ou no Além-Akasha, porque aí é o lugar onde se acha “a Fonte de toda Riqueza”, a Riqueza espiritual de todos os que aspiram a Luz sublime da Verdade. Ele é cego, justamente por ser supraconsciente. Donde “as flechas tanto de Cupido como de Eros, só atingirem os corações bem formados”, os corações onde se aninha o Único e Verdadeiro Amor, que é o da Espiritualidade, e não o amor carnal, que nada tem de comum com o outro, por ser “simples paixão” ou forma egoística de ser saciado o desejo inferior. É grande, pois, a diferença entre Amor e Paixão.
(O Luzeiro, 1952, pg. 50 – sob o pseudônimo de Laurentus)



 

         Amônio Sacas, grande e eminente filósofo que viveu em Alexandria, entre o segundo e terceiro séculos de nossa era, foi o fundador da “Escola Neo-platônica dos Filaleteos ou “Amantes da Verdade”. Nasceu de pais cristãos e era pobre. Possuía, entretanto, uma bondade tão grande, que o cognominaram, desde logo, “Theodadactos” ou “ensinado (guiado) por Deus”. Venerou a tudo quanto de bom existia no Cristianismo, porém, rompeu com o mesmo e com suas Igrejas, ainda jovem, por não ter encontrado em seu seio, coisa alguma superior às antigas religiões, mas apenas, cópias e adulterações suas.

Seus Mestres foram: Pitágoras e Platão.

Ensinou ele que “a religião das multidões sempre andou junto com a filosofia, e com esta se foi corrompendo gradualmente, por vícios de conceitos, mentiras e superstições”, puramente humanos. Era necessário, portanto, restituí-la à sua original pureza, por isso mesmo, expurgando-a da escória e interpretando-a, “pois o próprio Jesus, foi restabelecer à sua prístina integridade, a Sabedoria da Antiguidade; reduzir o domínio da superstição que prevalecia no mundo, corrigir os erros introduzidos nas diversas religiões e quanto pudesse servir de obstáculo à rápida evolução do homem, na sua marcha para o divino”. Pelo que se vê era um verdadeiro Teósofo sem deixar por isso, de ser um cristão, budista etc.
(o Luzeiro, 1952, pg. 52)

 


Todo e qualquer processo de livrar o Ego das ilusões do mundo terreno, com o fim de uni-lo à Consciência Universal, é uma Ioga. Patanjali, nos “oito passos” da ioga que tem o seu nome, ensina não apenas os métodos de desenvolvimento interior, mas também a maneira do homem se conduzir na vida para atingir esse alvo, que é a Suprema Realização, União ou Eucaristia.

Este Sistema consta de oito passos, a saber: Yama, Ni-yama, Asana, Prana-Iama, Pratyahara, Dharana, Dhyana e Samadhi. Os dois primeiros passos são restrições de ordem moral; os cinco passos seguintes, dizem respeito ao desenvolvimento interior do discípulo e ao domínio de seus veículos (domínio do físico, domínio das emoções, domínio do mental) para poder alcançar o oitavo passo que é o Samadhi, o êxtase, a União Suprema.
(O Luzeiro, 1952, pg.53)



 

A época atual é idêntica àquela que fez dizer ao apóstolo de Patmos: “A grande Babilônia tornou-se a morada dos demônios e repasto de todo animal que nos causa asco. E isto, porque todas as nações beberam do vinho da sua falta de pudor, e os reis da Terra se prostituíram com ela”.

Pelo que se vê, Prometeu continua acorrentado no Cáucaso, porque Prometeu é a própria Humanidade acorrentada no “Cárcere carnal”, enquanto o abutre da Ignorância procura devorar-lhe as entranhas. E Cristo, por sua vez, crucificado continua no Gólgota, por ter sido inútil a TRAGÉDIA.
(O Luzeiro, 1952, pg. 62 – sob o pseudônimo de Laurentus)



 

A Eubiose não admite o esforço estéril, quer para as energias orgânicas, quer para as potências mentais. Dela nos virá a finalidade e justificação de ambas as espécies de esforços, não só debaixo da face adotada, como de todas as infinitas modalidades da atividade humana. Com um critério eubiótico, por exemplo, poderiam ser organizados centros apropriados a todos os trabalhos, capazes de “dar músculos às pessoas, principalmente de profissão intelectual ou sedentária, pois que os operários já possuem semelhante esporte”. Um ofício manual também seria o melhor meio de combater o artritismo dos negociantes e a dispepsia dos intelectuais; do mesmo modo um meio de vida, no caso de necessidade, pois o dia de amanhã quase sempre é incerto. Como ainda, para poder avaliar as condições, as necessidades do operário, e por ele poder fazer alguma coisa de favorável, pois que só pode avaliar o mal alheio quem por ele já passou ou está passando… Sim, mais que elevado seria o “trabalho manual”, como condição, por isso mesmo, do operário que, dentro do verdadeiro espírito democrático – e sem necessidade de evocar doutrinas avançadas – não deve ser, de modo algum, colocado em uma classe inferior, pois são as suas mãos abençoadas que fazem manejar o grande mecanismo “produtivo” de todos os povos da Terra.

E daí nasceriam reformas plenamente eubióticas, isto é, favoráveis ao aperfeiçoamento e à felicidade dos que são o seu objeto, aperfeiçoamento e felicidade extensivos, quanto possível, ao meio social. Sim, porque, onde se pensa e trabalha, não pode haver sofrimento, fome e miséria!…

Nossa vastíssima EUBIOSE não se dedica, pois, a propiciar a volta às condições primitivas da existência humana, mas, ao que elas possuem de favorável – quer material, como espiritualmente falando à Civilização. E quanto a esta, não deseja suprimi-la, mas utilizá-la em proveito integral do homem. Basta a sua definição mais completa: CIÊNCIA DO MELHORAMENTO DA VIDA, em todas as suas formas e debaixo de todos os aspectos, com o fim imediato de assegurar a FELICIDADE a quantos à mesma se sujeitam.
(O Luzeiro, 1952, pg. 72 – sob o pseudônimo de Lorenzo Paolo Domiciani)



 

Nos Colégios Iniciáticos do antigo Egito, como nos da Grécia etc., “o neófito tinha que cursar 3 anos em cada um dos sete Portais”, perfazendo, portanto, 21 anos, para dali sair um INICIADO, ou antes, ILUMINADO. O mesmo Jesus, dos 13 aos 30 anos, desaparece por completo, como se deduz no Novo Testamento. Para Jesus, como se vê, foram exigidos apenas 17 anos. Aperfeiçoava-se num Colégio dessa mesma natureza, existente no Monte Mória, ou dos Essênios, com o nome também de NAZAREUS, por adotarem a seita de NAZAR. Seus Adeptos traziam “os cabelos à altura dos ombros”. Donde até hoje: “cabelos a nazareno”.

Muitos dos Faraós do Egito, principalmente o famoso AMENOFIS IV (ou KUNATON) – como “reis e deuses”, ao mesmo tempo, do Egito, cursaram semelhantes colégios… Daí serem grandes administradores, grandes intelectuais, portadores de todos os conhecimentos, e ao mesmo tempo guerreiros. A própria História aponta a “guerra religiosa de Kunaton” (1370 anos antes de Cristo), pelo fato da maioria dos sacerdotes, em companhia de generais do seu exército, quererem adotar uma nova forma de governo. Como é sabido, foi ELE “que tendo destronado o deus AMON-RA, substituiu-o por ATON” (o disco solar), ao qual dedicou versos iniciáticos de raríssimo valor. KUNATON, quer dizer: “O amado de seu Pai ATON” (isto é, o SOL espiritual).

Pelo que se vê, em tais Colégios já se ensinava a verdadeira EUBIOSE, mas a mesma deixou de ser praticada no mundo profano.

As músicas adotadas desde a fundação da STB são todas  EUBIÓTICAS, devido o seu caráter iniciático ou interpretativo. Do seu repertório figuram Hinos (ou mantrans, como são chamados no Oriente), inclusive o da mesma Instituição, intitulado O ALVORECER DO NOVO CICLO. Diversos bailados; cantos de grande valor iniciático, como AMOR MATERNAL (dedicado ao Dia das Mães). O PEREGRINO DA VIDA (balada, como Alegoria à Fundação da Obra, na Ilha de Itaparica, em 1899).  EXALTAÇÃO AO GRAAL (homenagem ao Templo). ODE AVATÁRICA (Resumo da Obra). ESCULPINDO UMA ESTÁTUA (música de difícil execução, e também iniciática). CHORAM AS PEDRAS DE JERUSALÉM (homenagem ao Cristo). RESSURREIÇÃO (uma das mais importantes composições, por seu magnífico valor iniciático), além de outras mais, inclusive as dedicadas aos “Pupilos” (ou SEMENTES da Nova Civilização).

Em referência aos compositores modernos, cujas músicas são mais ou menos de caráter EUBIÓTICO, o principal dentre eles é o maestro Vila Lobos, que além de se afastar do estilo dos velhos compositores, é o maior intérprete da VOZ DA NATUREZA.
(O Luzeiro, 1952, pg. 75 – sob o pseudônimo de Lorenzo Paolo Domiciani)



 

O que é intuição? Quem é capaz de defini-la? No entanto é uma realidade! Não se assemelha à inteligência, porque discorre, analisa e busca a solução a todos os problemas; informa a consciência, abstrai, dispõe princípios generalizadores; a inteligência chega a sintetizar, vai do conhecido e por argumentos tenta invadir o desconhecido; a inteligência não se contenta com observar o meramente material: aventura-se ainda no terreno do imaterial – o espiritual; vai até esquadrinhar o infinito, onde, como é natural, acontece perder-se em suas conjecturas. Nada disso é próprio da “intuição”.

A intuição, tal como a entendemos tem algo de instinto, porém mais elevado; é uma percepção espiritual, que nos prepara e, instintivamente, sem percebermos porque, nos faz agir “com conhecimento exato”. É uma simples inspiração que se assemelha exteriormente ao instinto “sublimado”; ambos têm de comum o não ser a resultante da reflexão. Porém, a intuição não se limita ao material; estende-se ao espiritual. Que é a fé senão uma verdadeira intuição? Claro é que na fé, nem sempre se esteja certo; por isso mesmo, tão pouco asseguraremos que a intuição proporcione forçosamente ideia exata. Nem sempre o homem está em condições de poder interpretá-la devidamente; do mesmo modo, nem sempre uma máquina obedece à intenção do mecânico. Não devemos esquecer que o homem é um ser material, embora que em si habite o espírito.

A fé é uma intuição. Certo que para desenvolvê-la contribui a força persuasiva do pregador; porém, não criaria raízes se não estivesse auxiliada pela intuição do ouvinte; essa intuição não se concretiza precisamente a tal ou qual crença, mas descobre na pessoa a ideia de Algo Superior, de uma futura existência ultraterrena, e essa ideia vaga a relaciona com o que disse o pregador, que deseja ensinar-lhe determinada crença.

A intuição é mais atrevida do que a própria inteligência; ela é algo assim como um farol que orienta o rumo da inteligência e, por isso mesmo, foi a voz interna que guiou a todos os descobridores, como: Galileu, Newton, Colombo e outros tantos.
(O Luzeiro, 1953, pg. 144)

 



 

Qualquer homem inteligente – excetuando os que são cegos voluntariamente – reconhece que todos os sistemas religiosos do mundo contém certas verdades que, intuitivamente, reconhecemos como tais; mas, como não pode haver mais do que uma verdade fundamental, todas essas religiões são ramas da mesma árvore, embora que as formas com as quais a verdade se manifesta, não se assemelhem.

A mais elevada verdade, em sua plenitude, não é conhecida pelo indivíduo na forma mortal. Aqueles que chegaram a um estado perfeitamente consciente da verdade absoluta, não necessitam forma que a contenha; pertencem a uma classe sem forma; não poderiam estar em unidade com o princípio universal se estivessem ligados pelas cadeias de uma personalidade; uma mente tão extensa que não possa ser contida pelo cárcere carnal, não necessita mais daquela prisão.

E daí, a impossibilidade de se querer descrever a outro o que é o conhecimento de si mesmo. Só o que possuímos em relação conosco, pode ter para nós uma existência verdadeira; o que não conhecemos não existe quanto ao que a nós se refere. Não se pode provar praticamente ao cego a existência da luz; do mesmo modo é impossível dar-se prova de conhecimentos transcendentes àqueles cuja capacidade não transponha a região dos fenômenos externos.

Não há nada mais elevado do que a verdade e, por isso mesmo, é que a sua aquisição é o mais elevado dos ideais humanos. O ideal mais elevado do Universo há de ser um ideal universal.

A constituição de todos os indivíduos formou-se segundo uma só Lei Universal e, portanto, o ideal mais puro ou elevado tem que ser o mesmo ideal para todos e ao alcance de todos. E, ao adquiri-lo, todos os indivíduos formarão uma só família ou unidade espiritual. Enquanto o homem não reconhecer o ideal mais elevado do Universo, para ele o seu ideal – seja qual for – será o superior. Porém, o fato de existir tal ideal em sua mente, não implica que não existe um outro mais elevado. E a prova é que, na maioria dos casos, todos se cansam daquele ideal que chamavam de “superior”.

Há de haver um estado de perfeição que esteja ao alcance de todos e além do qual ninguém poderá adiantar, enquanto a totalidade do mundo não o tiver alcançado. Todos os indivíduos têm o mesmo direito de alcançar o mais elevado; porém, nem todos possuem o mesmo poder desenvolvido: uns podem alcançá-lo com maior rapidez, outros podem retardar no caminho e acontece, também que a maioria cai e tem que recomeçar a subir a escada evolutiva. Outro não é o significado da “parábola do bom semeador”, atribuída a Jesus.

A Humanidade, embora que imperfeitamente desenvolvida, reconhece intuitivamente o que é verdadeiro, nessa ânsia incontida de evoluir cada vez mais.

O cientista que raciocina segundo o plano das percepções dos sentidos, é o que está mais afastado do reconhecimento da verdade, porque toma as ilusões, produzidas pelos sentidos, como realidades e repele as revelações de sua própria intuição. O filósofo incapaz de ver a verdade, procura adquiri-la por meio de sua inteligência e pode aproximar-se da mesma até certo ponto; porém aquele em quem a verdade adquiriu a condição consciente reconhece a verdade por percepção direta, por isso mesmo, a ela está unido e não pode enganar-se.

Essa condição é incompreensível para a maioria dos indivíduos –  tanto para os cientistas e filósofos, como para os ignorantes. E, no entanto, existiram e existem homens que alcançaram aquele estado. São os verdadeiros Teósofos, porquanto nem todos que se dizem teósofos o são, como tão pouco os que se dizem Cristãos são um Cristo. O verdadeiro Teósofo e o verdadeiro Cristão e até mesmo Budista ou Mahatma, são um só, porque são formas humanas em que a Alma Espiritual Universal chegou a ser consciente.
(O Luzeiro, 1953, pg. 146/147)



 

O grande Rui Barbosa – como se sabe – tinha uma cabeça grande. Mas este, porém, estava em harmonia com “a lei da relatividade”: grande cabeça em tudo, porque a sua inteligência era “desmedida”. Mas como fosse “teimoso”, maior aumento dava a sua cabeça.

Quando da Revolução seabrista* na Bahia, estando no Poder o Dr. Aurélio Viana (grande médico baiano), teve o mesmo que fugir do palácio e a seguir, lançou o seu protesto junto ao Governo Federal, onde se serviu do termo COACTO, em vez de “coagido”, para provar que foi desse modo que teve de abandonar as rédeas do Governo. Pois bem, toda a imprensa carioca fez ridículo desse termo… Foi o bastante: Rui manifestou a favor do baiano ilustre, dizendo: “É COACTO que se deve dizer, e não coagido”. E não apareceu nenhum outro “cabeçudo” para contestar o expoente máximo da língua portuguesa.
 *Bombardeio de Salvador, em 1912, episódio que traumatizou a cidade.
(O Luzeiro, 1953, pg. 19)



 

Uma passagem do Talmud diz que, “quando Deus criou a Terra, reuniu os anjos, as feras e os animais, e lhes disse: “Façamos o homem”. “Cada um deles, então, contribuiu com um pouco do seu ser. Assim, no homem se reúnem forças animalescas e bestiais, angélicas e divinas, as quais estão em luta constante”.

O Talmud, dizemos nós, tal como a Bíblia e outros livros sagrados, por terem sofrido adulterações que lhes imprimiram os homens e não os Deuses que os escreveram ou ditaram, contém erros e contradições mais que aberrantes. E como “Deuses” não sejam anjos, onde buscar as “forças divinas” a que se refere a passagem acima? Eis aí a razão pela qual a Teosofia – como Sabedoria Divina – explica melhor a Cosmogênese (a criação do Mundo) e a Antropogênese (a criação do homem), pois são duas fases bem diversas da Divina Criação da Terra e dos seres que nela habitam. Do mesmo modo, que diferença pode haver entre os termos “bestiais e animalescas”? Na própria língua francesa bête é animal.

De nossa parte só nos resta dizer:

A Terra deu ao homem a sua própria constituição, de acordo com as Três Rondas ou Reinos da Natureza: do mineral, deu-lhe os ossos; do vegetal, o sistema nervoso ou “vegetativo”; do animal, o circulatório. E assim formado “o pote de argila”, para não chamar de “manequim humano”, neste vibram três partes: a animal ou bestial (“a besta rugidora”), a angelical e a Divina. Sim, porque a angelical é aquela que separa a divina da terrena, na razão também desses dois mundos. Nesse caso, ao homem incumbe conciliar uma parte com a outra, despojando-se de tudo quanto de animal lhe reste.  

Nas escrituras orientais, chama-se a este fenômeno de “a luta entre o Eu e o Não-Eu”, o princípio superior e o princípio inferior. Daí, ainda, aquela divina súplica: “Do ilusório conduz-me ao real. Das trevas à Luz. Da morte à Imortalidade”.

De resto, convém lembrar que “o Anjo com o Demônio se confundem”. Não foi este um Anjo expulso do Céu?

Por infelicidade, nem todos podem compreender semelhante mistério…
(O Luzeiro, 1953, pg. 34)

 

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Contribuição de Zélia Scorza Pires
São Lourenço, 1º de setembro de 2015

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Recordando um dia triste… sobre a morte do Professor Henrique José de Souza https://semeandoconhecimento.com.br/recordando-um-dia-triste-sobre-a-morte-do-professor-henrique-jose-de-souza/ Wed, 30 Sep 2015 16:34:34 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4040 Recordando um dia triste…

Transcrevemos abaixo a reportagem publicada no antigo jornal “Folha do Povo” de São Lourenço, datada do dia 11/09/1963, dois dias após o falecimento do ilustre Professor Henrique José de Souza. A matéria mostra o clima de pesar que tomou conta da cidade. Além disso, tornou-se um registro histórico, porque reproduz o raríssimo inserto do Professor Henrique feito no livro do Hotel Miranda, a pedido do proprietário, sob o título “São Lourenço… sob meu ponto de vista”.

 

Foto túmulo JHS São Lourenço 1 Foto túmulo JHS São Lourenço 2

“Folha do Povo”, São Lourenço, MG, 11.09.1963
Documento Histórico.

 

Edição especial do jornal Folha do Povo*, de São Lourenço, sobre a morte do
Professor Henrique José de Souza

 

O sol, levantando-se cedo na manhã de 09 de Setembro, anunciava mais um dia bonito em São Lourenço, sem neblina. Mas no ar pairava um misto de dor e de saudade. Um cidadão, numa da lojas da rua Dr. Olavo Gomes Pinto, perguntou: “O que acontece? A cidade está hoje tão calma, silenciosa… Morreu alguma personalidade importante?”

De fato o grande pensador e educador espiritual, o Supremo Dirigente da Sociedade Teosófica Brasileira e Grão-Mestre da Ordem do Santo Graal, Prof. Henrique José de Souza, cerrara os olhos, deixando, por lei superior, este mundo em troca de outro onde continuará a cumprir sua missão em local de outras dimensões, em prol da evolução humana e da PAZ e Justiça no Mundo. Daí o reflexo calmante que pairava sobre a nossa Estância.

Muitas biografias já existem do grande patrício. O Professor Henrique era conhecido e estimado tanto pelos humildes como pelos homens de elevada posição social, homens de letras, políticos e estadistas, que sempre procuraram dele obter conselhos que os guiassem melhor na senda da evolução.

A verdadeira história desse Homem Misterioso, sob todos os aspectos e em todos os setores da vida, é muito grande.

A fim de recordar uma das mais importantes passagens da Obra, da STB e do progresso material e espiritual de São Lourenço, transcrevemos a seguir, em parte, o que já publicamos em agosto de 1957, sob o título “São Lourenço… sob meu ponto de vista”, inserto pelo Professor Henrique em antigo álbum do Hotel Miranda:

 

“Hoc opus, hic labor est”, disse a sibila de Cumes a Enéas, explicando a dificuldade que há em se sair do inferno (Eneida, de Virgílio).
         “Quando a sibila de Cumes se refere ao inferno, não se trata daquele terrível lugar onde vão penar no “fogo eterno” as almas das criaturas pervertidas por falta de Luz – mesmo porque, tal lugar não passa de um mito criado por cérebros doentios, que concebem um Deus-Pai inimigo de seus próprios filhos e como tal… um Deus vingativo!…

         “A palavra inferno provém de in-fera (lugar inferior), que outro não é, senão, este baixo ou inferior mundo de misérias, onde a maioria dos homens se debate nas horríveis chamas de uma consciência intranquila!…

É aí, pois, onde as dificuldades se apresentam a cada passo… desde que o homem se encontre diante de um problema difícil de ser resolvido!

         “Agora mesmo, grande, enormíssima é a minha dificuldade em aceder ao pedido que me fez o sr. J. Miranda de deixar neste álbum as minhas impressões no momento justo em que a minh´alma genuflexa não encontra palavras para expressar os seus sentimentos.

         “A primeira vez que pisei neste solo abençoado foi em 1921, quando atendendo à Voz Interna ou da Consciência… busquei este recanto maravilhoso da nossa Pátria, onde a Natureza – em eterna festa – não cessa de cantar os seus reais valores.

         “A segunda vez, foi no ano passado (1930) – faz onze meses apenas – mortificado por uma SAUDADE INTENSA desse abençoado lugar, onde grande parte de meu ser aí vivia e sonha mistérios, que as humanas criaturas não podem desvendar – e por isso mesmo, rever lugares que me eram mui caros!…

         “Porém, como já foi dito – das três vezes, foi a atual e mais difícil de ser relatada. Vimos render homenagens ao sacrossanto lugar onde há dez anos o FOGO SAGRADO, descendo sobre a “Sarça Ardente” – tal como aconteceu a Moisés – assim me falou:       

“Detém-te aqui! Este é o lugar santificado pelos deuses invisíveis… os quais doravante guiarão teus passos pela grande Vereda da Vida… onde outros homens fatalmente te seguirão!…

         “Para aqueles que te não compreenderem, esse Fogo Misterioso – que outro não é, senão o da Sabedoria – continuará sendo o “Ígneo elemento” que, pelo formidável metabolismo ocasionado no Seio da Mãe-Terra se converte em ÁGUAS MIRACULOSAS, que curam e aliviam os sofredores do corpo, enquanto que o outro é o Verbo Solar ou Divino, que outras privilegiadas bocas, no passado, no presente e no futuro curaram e curarão sempre os doentes do Espírito!…”

“E a Voz do “Ígneo Elemento” continuou:        

“Tome as tuas ferramentas de Obreiro do “Edifício Humano”, pois dentro em pouco dareis início à construção de um outro Edifício de grandeza inconcebível – que os “deuses imortais” desejam seja Ele erguido neste privilegiado País… que vai abrir uma nova página na História das humanas civilizações”.

“E… a Voz emudeceu, fazendo-se ouvir apenas o ruído enigmático da Natureza sempre em festa!…

         “E… os anos passaram e foi construído o gigantesco Edifício – que outro não é senão – a Sociedade Teosófica Brasileira – com sede em Niterói, Estado do Rio, e hoje disseminada entre alguns Estados da União – por meio de suas Lojas ou Ramas.

         “Nada lhe falta, nem mesmo o Zimbório – invisível a olhos profanos, mas cujos vitrais rasgados pelos raios do Sol, escrevem na nave do Templo suntuoso em letras de Fogo – as lutas e sacrifícios sustentados por uma plêiade de Homens… que se deram em holocausto pela Humana Causa!…

         “E os deuses exultaram de contentamento, por verem assim realizados os seus próprios desejos, isto é, aqueles de há muito apregoados pelos seus fiéis mensageiros: “Que o Brasil – na sua majestática grandeza… seria um dia a “Terra da Promissão” ou a “Nova Canaan”… onde todos os povos do Mundo encontrariam abrigo seguro contra as terríveis tempestades que se têm desencadeado sobre o mesmo!…

         “E… os primeiros albores desta Nova Era de Paz, Sabedoria, Amor e Justiça entre os homens da Terra… foram anunciados pela “Sociedade Teosófica Brasileira” – como Sol Espiritual que é de nossa Raça vitoriosa!…

         ‘ITA DIIS PLACUITI! (Assim aprouve aos deuses).

         “Desse modo foi solucionada a dificuldade única para desperdiçar algumas páginas deste livro com as minhas pobres garatujas!…

         “No entanto, desde já temos que pedir ao Sr. Miranda desculpas pela grande maçada que estas linhas lhe vão ocasionar, quando os seus futuros hóspedes insistirem em saber – ao manusearem este álbum “quem é o visionário que escreveu tão esquisitas e desvaliosas cousas, por isso mesmo utilizando várias páginas deste álbum”. Aconselhamo-lo, porém, a que não tenha acanhamento em conservar o máximo silêncio… deixando ao sussurrar da brisa que responda por si estas enigmáticas palavras: EGO SUM QUI SUM!

         “Com a gratidão e amizade de Henrique José de Souza, Presidente da Sociedade Teosófica Brasileira. São Lourenço, 28.08.1931”.

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Quanto ao progresso material e aumento do patrimônio do nosso Município citemos a Vila Canaan, no Bairro Carioca, onde se acham construídas pelos membros da STB vinte formidáveis residências, além de dezenas de outras no centro e nos diversos bairros da cidade, inclusive prédios de apartamentos, lojas e hotéis. Tudo isso, sem falar no Templo e no Obelisco, na Praça da Vitória, fala bem alto dos reais valores desses dois valiosos seres – o Professor Henrique José de Souza e sua esposa, Dª Helena Jefferson de Souza – que impulsionaram, assistidos por seus discípulos, o progresso material e cultural da nossa estância.

São Lourenço, materialmente falando, ainda é pequena, mas Graças à semente lançada pela STB e que vai crescendo dia a dia, o seu valor espiritual já grande por si mesmo, tende a aumentar  cada vez mais, e está repercutindo no longínquo Oriente e em Lourenço Marques, na África, onde se aponta em Minas Gerais no Brasil, como já tivemos ocasião de publicar em números anteriores, numa estância hidromineral com o nome de São Lourenço, um Templo “como o único no gênero, cujas vibrações espirituais alcançam todo o orbe terrestre”.

 

O Sepultamento

Desde as 13 horas de segunda-feira, na Praça da Vitória, automóveis e ônibus vindos de todos os recantos do Brasil, trazendo membros da STB, estavam estacionados, aguardando a chegada do corpo do ilustre morto que, em carro próprio se dirigia para esta cidade, onde, de acordo com a sua vontade, deveria ser sepultado. O ambiente que, na expectativa da dolorosa espera, ia se tornando pesado, traduzindo-se nos olhos úmidos de todos os discípulos e amigos, transmudou-se subitamente, quando sob os acordes do Hino do Graal, o corpo dava entrada no Templo. A presença serena do querido Mestre e amigo do povo trazia a todos a tranquilidade e a paz que sempre transbordava em caudal de seu imenso coração. Algo de indefinível se espalhou, tocando a todos como uma bênção de luz, que só pode ser comparada à RESSURREIÇÃO introduzida na inacabada e não conhecida 10ª Sinfonia de Beethoven.

O Templo e as suas escadarias eram pequenos para conter todos os que desejavam prestar ao Professor Henrique a sua última homenagem.

Entre os presentes registramos representações dos municípios dos Estados de Minas, São Paulo e da Guanabara e da União. Não temos elementos e nem espaço para citar todos os nomes, porém, destacamos o Deputado Ângelo Zanini, representando o Governador de São Paulo, Dr. Adhemar de Barros, e, entre as representações locais, o Sr. Prefeito, Vice-Prefeito, Presidente da Câmara Municipal, Juiz de Direito, Juiz de Paz, Promotor Público, Vereadores, Gerentes e funcionários de estabelecimentos bancários, funcionários públicos, tabelião, fiscais e outras autoridades municipais, estaduais e federais, comerciantes, industriais, hoteleiros, Presidente e Companheiros dos Lions e Rotary Clubes locais, médicos, advogados, dentistas, escolas, merecendo menção especial o Colégio São Lourenço que, além de se fazer representar pelo seu Diretor, Prof. J. R. Franqueira, suspendeu suas aulas; entre as fronteiras de crenças religiosas, prestaram ao Professor Henrique sua última homenagem.

De São Paulo, da Loja Maçônica Estrela do Ocidente, veio a comenda “Estrela do Ocidente” (Mentor), cujo diploma respectivo traz a assinatura do Ven. Mestre Álvaro Solon Coelho, os quais deveriam ter sido entregues ainda em vida ao Professor Henrique José de Souza, sendo deles portador o Ven. Irm. Raul F. Cruz, que em breves palavras entregou-os à viúva.

Não houve discursos. Só poucas palavras de saudosas recordações e agradecimentos. O Diretor-Social da STB deu publicamente a conhecer que Dª Helena Jefferson de Souza, conforme indicação do Professor Henrique José de Souza, assumirá o compromisso de legítima representante da AGARTHA na face da Terra. Dª Helena, por sua vez, ao ecoarem os últimos acordes dos hinos executados, assegurou ao seu saudoso esposo que podia descansar em paz, prometendo-lhe continuar a Obra em que se acha empenhada a STB.

Anunciada pelo alto-falante da Matriz de São Lourenço a hora da saída do féretro, do Templo, em ambiente de paz e harmonia foi o corpo conduzido para o cemitério local, onde se deu o sepultamento no túmulo há muitos anos adquirido para esse fim.

A penumbra da noite já envolvia a cidade quando o corpo baixou à sepultura, e pouco a pouco o cemitério foi se esvaziando, ficando finalmente o Professor Henrique na solidão, descansando os seus restos mortais.

Foi um acontecimento inédito para São Lourenço, dado o respeito e grande estima que votavam ao Professor Henrique José de Souza os seus inúmeros discípulos e amigos.

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“É sempre salutar ser atacado pelos maus,

pois que os bons não atacam a ninguém”.

Henrique José de Souza

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*Folha do Povo, propriedade de Otto Jargow, membro da STB e padrasto de Valéria Vera de Souza Reis, integrante da mesma Instituição. Ambos já falecidos. 

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