Semeando Conhecimento https://semeandoconhecimento.com.br Adiel - São Lourenço Sat, 27 Jun 2020 00:21:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.4 MENSAGEM DA SOCIEDADE “DHÂRAN” AO POVO BRASILEIRO https://semeandoconhecimento.com.br/mensagem-da-sociedade-dharana-ao-povo-brasileiro/ Sat, 27 Jun 2020 00:21:39 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4471 Redator       :           Dr. Cícero dos Santos

Data            :           Dhâranâ nº 0 – 2º Semestre de 1925

Atormentados por mil e um obstáculos e tendo-os de vencer um por um, retardamos a publicação da nossa Mensagem ao Povo Brasileiro, que deveria ser inserida no primeiro número da nossa Revista.

À vista da incerteza do seu aparecimento, resolvemos aceitar o seu gentil oferecimento do Exmo. Sr. Diretor do “O Estado”, que prontificou-se a inseri-la nas colunas do seu conceituado jornal. Hoje, repetimos a publicação nas páginas de Dhâranâ, para a sua maior divulgação possível em território pátrio e endereçamos a “O Estado” um sincero “muito obrigado” pela generosa solidariedade prestada à nossa Obra de propaganda moral.

I

O altruísmo é o mais nobre privilégio e trabalhar pelo mundo, é a mais alta recompensa da vida. Filosofias, Ciências e Religiões valem por aquilo que nos fizeram mais úteis à Fraternidade Humana. (A. B.)

1 – Que é “Dhâranâ”?

Uma Sociedade mental espiritualista criada no Brasil por determinação de uma das Confrarias Brancas do Oriente (sendo a quinta das sete espalhadas pelo mundo), e com o fim de tornar uma realidade, a Paz e a Fraternidade no planeta que habitamos.

Vejamos o que é uma Confraria se lhe assiste o direito de intervir nos destinos humanos e sociais, e no caso afirmativo, se o momento atual comporta essa intervenção.

Perde-se na noite dos tempos, a história da existência das Confrarias. Basta que se diga que saiam delas, os famosos Faraós, esses sapientíssimos administradores do antigo Egito, e cujos nomes ainda hoje despertam a curiosidade da História, porque sobre os seus despojos, sonegados ao silêncio e respeito multisseculares dos sarcófagos, reconstitui com facilidade, a vida feliz e gloriosa do país que gerara aqueles semideuses.

Nas Confrarias, pois, eram preparadas as personalidades que deviam exercer no mundo a atividade social que as necessidades do momento exigissem. Artes, comércio, ciência, indústria, política, religião, etc., tudo isto, era alimentado pela seiva sagrada que corria daqueles maravilhosos mananciais. Entretanto, existia ainda nas Confrarias do Oriente, um agrupamento de elite, destinada ao sacerdócio das Ciências Ocultas. Eram homens escolhidos e selecionados por uma iniciação especial e onde aquele que recebesse o grau de Adepto, havia revelado, exuberantemente, o valor indispensável para o seu penoso e delicadíssimo mister. E deste modo, quando a humanidade ia progressivamente se afastando do cumprimento dos seus deveres humanos e sociais, e que as nações compostas e dirigidas  pelas criaturas assim transviadas, chegavam ao apogeu da sua degradação, coincidia aparecerem no mundo certos indivíduos que, pela sua inteireza de caráter e de censura, profligavam o proceder dos corrompidos edificando o assombro dos auditórios pela sua linha austera de exemplar conduta.

O último destes iniciados pregadores foi Jesus, o Cristo. Antes do seu calvário físico de dor, Jesus se havia crucificado voluntariamente no madeiro mais pesado e mais cruel da Renunciação. Este sacrifício é complemento da mais alta das virtudes, a qual, praticada, dispensa a leitura dos volumosos códigos de moral humana, porque ela, sozinha, sintetiza todos os Decálogos de Amor e de Perdão. Esta virtude chama-se Altruísmo.

Examinemos atentamente os mandamentos de todas as Religiões e vejamos se todos eles não são um salutar convite para que cada homem cuide um pouco menos de si e lembre-se um pouco mais de servir à Deus e a seu próximo…

Pela Renúncia, abandonamos a pátria, a família e os amigos, as honras, os prazeres e os direitos sociais, e nos dedicamos exclusivamente à Humanidade… Pelo Altruísmo, não abandonamos as cousas e as pessoas, mas auxiliamos o seu uso e o seu progresso. A Renúncia produz iniciados. O Altruísmo gera a Fraternidade. Os primeiros vivem nas Confrarias, e os segundos, esparsos pelo mundo. É claro, portanto, que aqueles podem e devem intervir nos negócios que interferem com a evolução da Humanidade.

2 – Segundo a letra das Sagradas Escrituras, a Terra é visitada periodicamente pelos Missionários da Paz e da Concórdia, e a sua vinda é assinalada pelo aparecimento simultâneo de grandes cataclismos, guerras, miséria, epidemias, perturbações políticas, sociais e religiosas, tudo isso seguido do torpor natural em que fica o espírito humano, atordoado pelos flagelos que o acendiam e impotentes para os debelar. Os derivativos buscados na exacerbação de todos os gozos sensuais, só conseguem reafirmar mais a mesquinhez e a fragilidade dos míseros flagelados. E é justamente, no pandemônio da orgia dos sentidos que se esboça, nitidamente, o horrível contraste da Dor e da Miséria, dos que não podem tomar parte nas bacanais, levadas a efeito para disfarçar a degradação do gênero humano. E dessa forma, a majestade suprema do Rei da Creação, apeia-se desfigurada do seu trono de poder e de domínio e vem refocilar-se no tremedal dos crimes e dos vícios, imbecilizada totalmente pela embriaguez de tanto despautério!…

A Pátria fica sendo mito e a sociedade um prostíbulo onde se ajusta num comércio ignóbil, o preço de todas as cousas!… Aqueles que conseguiram escapar incólumes, dessa tremenda rajada de loucura, vão legislar grandes remédios para os grandes males, e assim vemos a Lei inexorável e forte: decretar a pena de morte, regularizar a prostituição, estabelecer penalidades para os que roubam, matam e se abastardam com o uso e abuso de tóxicos, criando hospitais, espalhando casas de detenção, difundindo hospitais, asilos, etc, etc, etc, tudo guardado pela força repressora, dum considerável exército policial, civil e militar.

Levantai o olhar destas linhas apavorantes de horrorosa descrição e passai em revista os acontecimentos mundiais… Lede os lacônicos telegramas do estrangeiro e os chistosos noticiários das desgraças humanas (a fonte que melhor abastece as colunas dos nossos jornais), para dizerdes em seguida à vossa própria consciência, a espécie de futuro que espera esta geração!

Durante quatro longos anos, o velho continente empestiou a atmosfera deste planeta, de cólera e de sangue, e emprega quase o dobro desse tempo, preparando o adubo onde estão sendo lançados os germens de novas guerras… A Rússia, a Alemanha, o Japão, a África e as Índias, como mais ninguém, as torturas de violentas comoções intestinas sacodem o jugo opressor das velhas formas de governo, impondo pela razão e mesmo pela força,  a sua independência político, social e econômica, ou então, contemplam horrorizados o desaparecimento sob as águas ou sob as cinzas, de grandes extensões dos seus territórios e de milhares dos seus habitantes.

3 – O Brasil participa das influências cíclicas terrestres, embora resguardado por uma pretendida situação privilegiada. Este privilégio não existe. Admitindo-se mesmo, por hipótese, a sua existência, ele só servirá para por em evidência a precocidade dos seus erros e dos seus vícios, que, como nação nova, imita inconscientemente das mais velhas e decrépitas. A sua grandeza é apenas física, material, oriunda da extensão e uberdade do seu território e das riquezas incalculáveis que ele encerra. A discordância aparente entre a exuberância vital deste país e a fraqueza da raça que o habita, não significa que esta seja indigna da casual oferta, mas, que a obrigatoriedade em praticar as virtudes relativas ao seu merecimento é a única condição de posse imposta previamente ao povo assim favorecido.

Dizem que quanto mais livre é um povo, mais feliz ele é. E sem analisarem esta afirmação, que por si só equivale a um compêndio da mais sutil filosofia, as histórias pátrias referem episódios comoventes de renúncia à vida, onde eram e são heróis, indivíduos que se dão em holocausto, que oferecem abnegadamente as suas existências, levando conscientemente para os túmulos a certeza de que o seu sangue, assim oferecido, possa resgatar uma nação oprimida.

Tristíssima decepção!

Não há independência mais e mais infeliz do que seja a do Espírito, esta centelha “mater” que vivifica o Universo criado e que aprimora as obras que são executadas nas suas mágicas oficinas, dando-lhes sempre aquele cunho invariável de perfeição e de grandeza!

Felizmente, porém, o Espírito não se escraviza. Reflexo como é de Deus, a Absoluta Verdade, goza na Sua imaterialidade da mais completa e perfeita libertação. O homem, entretanto, que foi distinguido como o ser mais capaz de receber e transmitir aquele reflexo, não soube manter a pureza cristalina do espelho e conservar a lisura impecável da sua superfície. Este espelho é o nosso corpo físico e a sua alma correspondente. Manchado pelos vícios e carcomido pelas paixões que o atacam, reduz ele aos poucos o seu poder refletor, perdendo completamente o brilho cintilante das suas irradiações! Não fica, assim, escravizado o Espírito, mas, e o que é pior, fica poluída a sua alvura imaculada!

Temos, porém, como individualidade social, a nossa liberdade restringida. Sujeito ao cumprimento de uma multiplicidade de deveres que a vida coletiva nos impõe, o homem aumentará tanto mais a sua liberdade quanto mais permitir que a do seu semelhante se amplie. E o limite máximo da sua elasticidade é dado pela fórmula: “de que a liberdade de cada um termina onde começar a do outro”. Ora, sendo a liberdade, o poder que tem todo o homem, de fazer tudo aquilo que deve, é imprescindível que este poder e este dever, sejam regulados pelo respeito e pela tolerância.

Falta a esta filosofia agora aqui emitida, a essência científica e o espírito religioso que a consagrem como tese para discussão. É do nosso dever tolerar que cada pessoa que a quiser discutir, escolha uma das pontas do dilema: “ser, pela posse e pelo uso desta liberdade, um Escravo dos homens na terra ou um Senhor dos anjos no céu”.

5 – Iludem-se redondamente todos os homens que supõem usar a sua liberdade, fazendo tudo o que devem. Nem de outra fonte surgiu a ideia do Direito. Desde que realizando um ato volitivo, atropelamos ou diminuímos a liberdade de alguém, criamos para este alguém o direito de reação. Este atentado à liberdade alheia e a consequente defesa desta pelos vitimados, generalizando-se do indivíduo ao povo, e do povo às nações, geraram as guerras e as revoluções, esta febre de sangue e de extermínio que reduziu o homem à mais baixa condição da série animal, comprometendo seriamente a sua reputação de homo-sapiens.

Mas não é tudo ainda. Empanando a transparência luminosa da sua inteligência, emprega, o homem, todos os esforços para corrigir e adaptar, segundo as fantasias do seu mórbido raciocínio, as leis e os ditames da Natureza. Assim, por exemplo, não lhe bastando a já difícil e dispendiosíssima civilização, inventa ele, diariamente, os mais complexos e disparatados costumes sociais, inverte o dia pela noite, alimenta-se consultando o seu extravagante e embotado paladar, usa e abusa dos alcoólicos e narcóticos, impõe-se à exibição de uma indumentária esquisita e torturante, em desacordo sempre com as condições higiênicas e do clima do seu país, seja por excesso, seja por deficiência; em suma, regula a sua vida pública e privada, pelos manuais da “moda e do bom tom”, vindos “de carregação” pelo primeiro vapor dum país estrangeiro qualquer…

E se quiséssemos prosseguir, citando, o que diríamos da mulher brasileira exposta ao perigo contagioso desta tão apregoada civilização? O que diríamos da sua boa-fé, sempre atraída pelos falsos ouropéis de uma falsa liberdade, que procuram conquistar avidamente, palmo a plamo, à custa, só Deus sabe, de que grandes e vexatórios sacrifícios? Como deveríamos classificar e entender este seu progressivo e cada vez mais acentuado afastamento do “lar” e a sua aproximação vertiginosa do “mundo”, em cujo turbilhão de vícios e paixões masculinas, se deseja precipitar? Com que pesar não falaríamos, agora, do banimento do seio da família brasileira, dos saudosos e agradáveis serões de música melodiosa e calmante, e de danças elegantes e honestas, para dar-se lugar à epidemia bombardeante dos latoeiros e às danças de desarticulação e de bamboleios trotados e colados?

Poderíamos, ainda, nesta Mensagem, falar com linguagem limpa e decente, do famoso carnaval brasileiro? Que poderíamos recapitular de proveitoso e útil ao “povo brasileiro”, destes três dias de indescritível loucura, deste período completo de licenciamento, incompreensivelmente tolerado pelo governo, pelo clero e pelo povo? Seríamos ouvidos imperturbavelmente e com serenidade, por todos os apologistas desta festa de origem pagã, perfilhada carinhosamente pelos países essencialmente católicos?

Respondam-nos os senhores chefes de família, responda-nos a mulher brasileira, guarda avançada da honra das suas tradições, anjo tutelar da inocência dos seus filhos e da pureza do seu lar, onde, como num Santuário, não devem ser escritas nem pronunciadas quaisquer palavras, senão pelos que sejam os seus naturais e legítimos sacerdotes!…

5 – Relembrando a vida artificial que a própria humanidade constrói, envenena e falseia, para ser a primeira a sofrer as suas horríveis consequências, temos somente em vista frisar a inutilidade deste complicadíssimo mecanismo social lubrificado de quando em vez com o óleo da civilização, pois do contrário as suas rodas ficariam perras e enferrujadas. Raras são as descobertas humanas que, alardeando prerrogativas intelectuais e morais dos seus descobridores, não terminem por cobri-los de opróbrio, tais foram os fins hediondos a que tais descobertas mais tarde se destinaram.

A “neurose” do homem é destruir; quando faltam os motivos, existem os pretextos…

O maior de todos os pretextos para a destruição é: “a guerra”. No entanto, era necessário animar o ardor dos combatentes, pois repugnava-lhes matar sumariamente e sem preâmbulos, os seus semelhantes, sem causa gravíssima que “justificasse” o homicídio. Nasceu, então, a convenção de chamar-se “assassinos” aos homens que na paz trucidam os outros homens, e “heróis” aos que na guerra fazem a mesma cousa.

Não houve até hoje, “lógica humana” ou “castigo divino” que impedissem o massacre humano. Congressos de Paz, de Arbitramento, de Consultas e de Tutelas (!) têm sido inócuos e… íamos dizer: contraproducentes. O Congresso, agora conhecido sob o nome de “Liga das Nações” (o maior de todos eles, pelos seus fins), enquanto legisla as condições do armistício solicitado, vai assistindo com surpresa e de braços cruzados ao alastramento do terrível e prolífero “morbus” da guerra, contaminando as nações que ainda não o foram na Conflagração européia, e acabando de carcomer as que ficaram arfando no seu estado de coma. Não é mais pelo insulto das nações entre si ou pela conquista de terras alheias que se trucidam mutuamente cidadãos armados. Basta que um país qualquer escravizado tenha ímpetos de independência e liberdade, correm os seus tutores imediatamente, para conter-lhes aqueles pruridos de “barbaria”, oferecendo-lhes uma “civilização” que eles não podem recusar…

É então nos transes mais dolorosos desta vida, convulsa e efêmera, neste caos em que o homem não mais se reconhece como a imagem do seu Creador, pois apenas se vê através  ou no reflexo dos seus semelhantes, como uma ridícula caricatura em que se descobre o aspecto nobre e sublime da missão religiosa. É no quadro tétrico da Miséria geral, sempre emoldurada de sangue e fumaça, que se percebe a angélica figura da Fé, levando o bálsamo suave e confortador da Caridade, nas pessoas dos seus sacerdotes. Aqui, é o padre levando o pão ao órfão faminto, a irmã de caridade impondo o crucifixo nos lábios do moribundo, para que aquele ósculo de amor também seja de perdão; ali, o pastor consolando os aflitos, difundindo a luz do espírito que salva e esclarece, mais além, o espírita fazendo o mesmo por processos outros e em diferentes meios; adiante, os positivistas, realizando com exemplos a edificação do Monumento Social, em cujo lema o AMOR é o princípio de todas as cousas e o Progresso o fim de todos os seres. Em suma, teosofistas, espiritualistas, ocultistas, etc, etc, etc, concorrendo, a seu modo e a despeito de todos os sacrifícios e decepções, para que sejam enxutas todas as lágrimas, para que se diminuam todas as dores, para que se esclareçam todas as mentes, confraternizando os homens num amplexo de paz e solidariedade, evitando qualquer vibração dissonante na Harmonia das Esferas !

Glória, pois, a tais Apóstolos da Luz! Hosanah, a estes Sacerdotes das Cores! A todos vós que servis à Única Religião sob cores diferentes, fazendo convergir a policromia variegada e deslumbrante dos seus raios para o Disco Alvinitente da Verdadeira Luz Branca, o nosso respeito e a nossa sincera admiração nesta “Mensagem” de AMOR, de Paz, de Luz, e de Progresso!

II

“Quando se busca a Verdade, não se contam os sulfrágios”. Leibnitz  “As maiores Verdades, são também, de certo modo, os maiores absurdos”. Proudhom  “Há uma só VERDADE, embora os homens lhe dêem nomes diferentes”. RIG-VEDA  

6 – Orientados por Ela e para Ela, publicamos esta Mensagem! Mensagem que por dizer a VERDADE, despertará o amor próprio dos que procuram velá-la ou encobri-la, descrevendo a malícia das suas intenções.

“Verdade” que mostrada em toda a plenitude de sua nudez, encorajará a pudicícia estudada dos hipócritas, afirmar ser Ela a proclamação dos maiores absurdos e a recusar assentimento à Sua divulgação. Mas não importa, “Dhâranâ” sabe e diz bem alto que a “Verdade” é uma só, embora apresentada pelas conveniências sociais e pelos preconceitos dos intolerantes, com nomes diferentes e várias personalidades.

Os preconceitos e a intolerância, serão reduzidos às suas verdadeiras proporções, disfarçados como se acham sob as máscaras do “orgulho”, da “ambição”, do “egoísmo” e da “vaidade”. Estes quatro “Flagelos” que a humanidade idolatra como sendo os reguladores do seu falso equilíbrio. Quatro cancros cruéis e incansáveis, empenhados vivamente na corrosão minaz do aparelho social! São eles que escravizam as humanas criaturas, dissolvendo-lhes a vontade, reduzindo-lhes cada vez mais as condições já precárias de existência do planeta!

Sessenta anos de existência dão hoje ao homem, o qualificativo de macróbio. Denomina-se este período de tempo, de idade avançada! No entanto, tal macróbio não viveu mais de 20 anos, em três etapas distintas de trabalho, folga e repouso. Oito horas para cada fase em que se descontam ainda a infância e a adolescência, quando o seu cérebro não possui capacidade para pensar com retidão, nem a sua alma desenvolvimento consciente para “querer”. Reduzida ainda, como se viu, a sua etapa de “folga”, dela o homem deve descontar também o tempo de moléstias, de viagens, de divertimentos e de mil e uma futilidades, inclusive a de pensar no que ele é e no seu destino no Planeta… Que tempo dedicaria um homem medianamente instruído, para resolver esta “tolice”? E ao morrer, com a convicção de ter de prestar contas a Deus (pois que todos morrem levando tal convicção) do que fez de útil a si mesmo e aos seus semelhantes, recordando-se de “todo mal que fez e do bem que deixou de praticar”, como partirá para o ALÉM a alma dessa criatura? Pode-se avaliar perfeitamente sua tranquilidade ou a sua aflição, em relação à vida que a espera post-mortem, pelo CARÁTER que tal criatura soube dotar a sua personalidade.

Pelo caráter subentende-se o apreço que o homem dá aos seus deveres e o “ambiente”, a “atmosfera” de repulsa ou simpatia que ficou “em torno” da sua memória. Morre um homem potentado e ninguém indaga qual foi a sua religião, a sua política, a sua nacionalidade e a sua origem, mas o “bem” que fez ao seu próximo enquanto vivo. Ora, se esta curiosidade preocupa tão intimamente os que ficaram, é porque, realmente, ela é digna de respeito e consideração. Se nenhum opulento leva para a tumba os bens térreos que possuiu, se dinheiros e propriedades vão constituir a herança dos novos donos, porque não cultivamos com mais interesse e carinho a formação do nosso caráter, “deixando e levando”, quando morrermos, uma fortuna considerável que a todos aproveitará? Em piores condições julgamos o que é orgulhoso.

Se alguma vez na vida se admira de alguma cousa, é “a sua promiscuidade com a gentalha que ele odeia e não suporta”, para dali a instantes, ficar espichado na mesma terra dum mesmo cemitério, tresandando na mesma podridão e roído pelos mesmos vermes… e justamente ao lado dos “mesmos” corpos físicos das pessoas cujo contato fê-lo estrebuchar com aquela careta característica de quem traz permanentemente sob as vendas, essência legítima das sentinas imundas.

No entanto, se nós lhe perguntássemos o que ele entende por “gentalha” talvez não respondesse. E poderia mesmo impressionar-se se lhe disséssemos que “gentalha” é esta multidão pobre e humilde, que no intenso labutar diário, na conquista da mísera moeda que lhe permita enganar o corpo, quando este sente frio e fome, prepara os custosos vestuários, as riquíssimas carruagens e os manjares esquisitos, que permitam ao homem orgulhoso, não se promiscuir com tão “baixas criaturas”.

Gentalha, são milhões de “trapos humanos” espalhados pelo mundo, que insultam os acariciados pela sorte, com a sua impertinência de querer dispurtar-lhe o teto, a luz e o pão! Gentalha, são estas legiões de famintos e esfarrapados, que irmanados pela mesma miséria e enxotados pela vaidade humana, que para eles legisla com despotismo e crueldade, ajudam-se reciprocamente como podem, repartindo as suas migalhas pelos outros que nem isto têm. Gentalha, são as vítimas indefesas dos quatro demolidores do Edifício Social. São os desgraçados que tendo perdido todas as esperanças de felicidade na vida, vão afogar as suas desventuras num copo de cachaça ou buscar na voluntária imbecilidade o almejado embrutecimento que os faça esquecer a sua qualidade de humanos.

Com este passo, acaba-se a tragédia da vida, para dar lugar à apoteose final: as neuroses, os crimes, os hospitais, as prisões, os manicômios e finalmente a morte. Desse modo, orgulhosos e humildes, vivem na Terra a etapa restrita às alegrias; só nivelando entre si, quando as pandemias e as pestes obriga-os ao reconhecimento da sua nulidade como matéria.

7 – De que valem, pois, as contínuas pregações de Amor e de Fraternidade, se tais discursos devem ser praticados e não somente ouvidos e lidos pelos que não cedem uma linha, na sua conduta egoísta e ambiciosa? Como amanhar estes terrenos sáfaros, a fim de que germinem, floresçam e frutifiquem as sementes benditas da Paz Universal? Curvam-se amedrontadas as humanas criaturas, quando contemplam a obra infalível da chegada dos tempos. E querem aplacar o que elas, na sua ignorância, classificam de “cólera divina” por meio de procissões, mortificações, jejuns e preces pelas ruas!

Mas o Pai Celestial é AMOR, não é “cólera” – é BENÇÃO e não “maldição” – é HARMONIA e não “discórdia” – é VERDADE e LUZ e não “mentira e trevas” – porque não procuram, de preferência, pelo AMOR – os acovardados com os efeitos dos tempos chegados – iluminar as suas almas para compreenderem a VERDADE?

Temos o dever de anunciar que, efetivamente, os tempos que se esperavam já chegaram… Estamos neles e neles vamos desenvolver a nossa atividade, definindo sem subterfúgios e conscientemente, a nossa situação. Somos nós, homens, que criamos este ambiente de horror e desespero que após queremos conjurar com palavras e atos, mas, que por esse meio não ficará destruído. É o tempo, portanto, de voltarmos as nossas vistas para os assuntos que consultam ao progresso espiritual dos homens. Devemos procurar os caminhos que nos conduzem àqueles conhecimentos e pedir o auxílio dos que podem prestá-lo com vantagem e segurança. No Oriente, encontramos a sabedoria Filosófica e Religiosa que difunde pelo mundo inteiro os ensinos teóricos e práticos, para o estudo da Ciência Eterna e Sagrada. Quando o Príncipe Sidharta apareceu nas Índias para esclarecer os pontos controversos das especulações doutrinárias, as suas palavras não foram de pronto compreendidas. Os “brahmanistas” e os “saakyas”, os “vedantistas”, etc, não puderam admitir que Sidharta pusesse de lado a “forma” das suas doutrinas e desejasse tão somente a divulgação da sua essência.

Do mesmo modo, que seiscentos anos mais tarde, Cristo condenava a malícia, a hipocrisia, o egoísmo e o formalismo dos fariseus, doutores da lei, que nas Sinagogas só procuravam interessar ao povo rude e humilde nas cerimônias externas do culto, e em uma igreja que não era a sua, calando completamente a interpretação esotérica dos textos e dos rituais. Sidharta também censurou nos “brahmanes” o seu apego radical à letra dos evangelhos, a preocupação pelas formalidades litúrgicas e o exclusivismo egoístico das suas práticas, criando o privilégio das castas e as regalias antifraternais que desfrutavam. Sidharta explicava que as especulações a respeito de Deus não deviam ser feitas por aqueles que nem sequer sabiam o que era o mundo e o que era o Homem.

Se este ignorava até a causa do seu próprio sofrimento, como pretendia penetrar nos arcanos da vida do Creador? E dizia: “a causa do sofrimento é o DESEJO de viver e gozar as delícias do mundo e, em última instância, a IGNORÂNCIA de que este desejo procede. O meio de abolir esta ignorância e, por conseguinte, o de abolir também o sofrimento, é a aniquilação deste desejo, renunciação ao mundo e o MAIS ILIMITADO AMOR A TODAS AS CREATURAS”. Sidharta estabelecia como ponto de partida deste AMOR, a afeição filial. O AMOR MATERNO era a síntese de todos os outros, e achava dificílimo que de um mal filho pudesse provir um HOMEM DE BEM…

E à medida que Sidharta espalhava os seus ensinos, iluminava com a sua sabedoria os caminhos que conduziam à VERDADE, vindo-lhe daí o cognome “BUDHA”, que quer dizer “ILUMINADO”.

Ser “Budha”, portanto, é ter realizado esta iluminação e compreendido o alcance da sua doutrina, praticando-a com perseverança e com esclarecida consciência. Eis porque nas Índias os grandes iniciados são denominados “Budhas”, ou seres que conseguiram, pela perfeição intensa do seu caráter, realizar a conquista suprema da Espiritualidade, ou seja, atingir quase o término da sua paciente e acidentada peregrinação.

As várias maneiras de cada um expressar o culto externo da sua religião dependem da época e do preparo intelectual da humanidade. As religiões também evoluem, acompanhando pari-passu o avanço progressivo dos povos. Os próprios Instrutores da Humanidade comparecem à Terra segundo as necessidades desta.

Moisés veio evangelizar um povo corrompido pela idolatria. Era natural que empregasse no momento os meios indispensáveis para chegar a seus fins. Passando a fio de espada os idólatras e quebrando indignado as Tábuas da Lei, nem por isso deixou de ser o Grande Iluminado que todos nós reconhecemos. Tampouco isto o impedia de manobrar, como ocultista que era, as Forças da Natureza, fazendo jorrar água do monte Horeb e separando as águas do Mar Vermelho para dar àqueles homens ingratos, insatisfeitos e murmuradores, a posse de uma Pátria!

Para a Grécia veio Orfeu, mavioso e sonhador, com a arte mágica de arrancar da sua Lira, arpejos melodiosos que comoviam e faziam gemer as próprias pedras!

Jesus, o doce e meigo rabino, deixou-nos a história emotiva do seu nascimento, vida, paixão e morte, onde a humanidade atual procurar tecer os seus deliciosos ideais de regeneração, de amor, de fraternidade… Esbofeteado numa face, Ele apresenta ao réprobo a outra, dando-nos o mais sublime, o mais edificante, o mais incompreensível exemplo de cordura e de resignação!… O que fez Ele, porém, quando os vendilhões do Templo prostituíam a “Casa de seu Pai”? Vergastou-lhes as caras, expulsando-os de lá, fremente de santa indignação. Por que este gesto violento, que contrasta, à primeira vista, com a Sua Infinita Humildade? Por que a Obra de Seu Pai era Divina, era a VERDADE ETERNA e INFINITA, que para aparecer rutilante e majestosa, põe abaixo todo um sistema planetário, quanto mais uma centena de traficantes!…

E assim, sucessivamente, vão aparecendo e desaparecendo religiões, vão surgindo e submergindo continentes, vão nascendo e se transformando as raças. Tudo isso, porém, é imprescindível como aparelhamento para desobstruir, preparar e iluminar os caminhos que nos conduzem ao conhecimento da VERDADE. E todos estes sistemas filosóficos que nos servem de intérpretes para a função religiosa, vão passando pelo mundo como velharias após terem preenchido todas as formalidades, como razão de ser da sua época. O que hoje se propaga como a última palavra da essência religiosa, como sendo a última Vontade do Pai Celestial, é, com efeito, o foco luminoso que nos conduz até Ele. Amanhã, porém, tudo isto estará no rol das velharias, por já ter aproveitado a evolução das raças, ajudado o progresso da humanidade atual e já haver outros faróis de maior potência luminosa que continuarão a sua grande Obra.

8 – Eis porque “Dhâranâ” vem propor a todos os brasileiros uma fórmula conciliatória de felicidade mundial: respeitar todos os credos, tolerarmo-nos reciprocamente e fazer ao nosso próximo o que queremos que ele nos faça. Não é nova a idéia proposta, nem abre precedentes na história das Religiões. Gesto sublime de audaciosa tolerância para os graves momentos do progresso humano, teve Abdul–Baha (Abbas Effendi), prestigioso Chege do movimento “Bahista”, quando num domingo de Setembro de 1912, visitando um templo de Londres, e após o sermão do reverendíssimo Campbell, dirigiu-se ao púlpito e sobre a Bíblia aí depositada para a pregação, escreveu as seguintes palavras: “Este é o livro santo de Deus, de celestial inspiração, é a Bíblia da Salvação, o nobre Evangelho. É o mistério do Reino e sua luz, é o dom divino, sinal do governo de Deus”. (Assinado) Abdul-Baha Abbas.

Este gesto impressionou e comoveu profundamente à assistência. Um mulçumano em um templo cristão falando aos fiéis da VERDADE, do ESPÍRITO SANTO, o DEUS DA PAZ!… demonstrando publicamente a maior prova de amor e tolerância. Exemplo edificante dado aos homens para que terminem as suas lutas e rivalidades, baseados em meras diferenças de forma, quando em todos os corações mora o mesmo Deus e em todas as mentes brilha a mesma Luz do Verbo.

Demos também nós, na altura das nossas forças e coragem, uma prova concreta de igual amor e de fraternidade. Poderá ser suspeitado de desejos inconfessáveis quem pede o auxílio dos homens para a prática intensiva e sincera do amor, da paz e da perpétua confraternização, que nos assegure os poucos momentos de felicidade a que temos direito na terra? É possível que sob esses auspícios volte a Paz à Família Brasileira e já seja discutível a idéia da realização desta apregoada Fraternidade Universal.

Pouca cousa é exigida como contribuição pessoal para semelhante desideratum. Basta que cada um, no sossego do lar, à noite, pense durante uns cinco minutos na PAZ deste planeta. Que no descanso reparador de suas lides, diariamente, seja dedicado um quarto de hora, pelo menos, para se falar na PAZ e a sua influência na felicidade da família e na HARMONIA do UNIVERSO.

“Dhâranâ”, como sociedade mental-espiritualista que é, considera o PENSAMENTO HUMANO a maior “força oculta” armazenada num potencial elevadíssimo na mente de cada um. Posta a vibrar sob a atuação da vontade e pela influência da FÉ, aquela “força” produz maravilhas extra-terrenas e imprevistas pelas ciências naturais, razão pela qual o mundo ignorante ou supersticioso denomina-as de “Milagres”.

Não é difícil conciliar o sono e dele despertar, convergindo o pensamento para este fator da própria felicidade pessoal. Onde reside o obstáculo único e principal desta proposição, é no descaso de sua prática, de sua execução. Ora, uma Mensagem para nos impelir e nos ensinar a “Pensar”!. Sim, caríssimos patrícios e prezadíssimos irmãos, apenas uma singela e desataviada Mensagem!…

Na América do Norte e nas outras partes do mundo, publicam-se volumes e mais volumes destinados a nos ensinar o PODER DO PENSAMENTO.

Onde “Dhâranâ” se afasta das sociedades congêneres que trabalham pelo mesmo ideal, é “na realização”, e não na “pregação” – é nos “fatos” e não nas “palavras” – ensinando o modus-faciendi deste simplicíssimo problema.

Como conseguiu a Índia homogeneizar o ambiente mental do seu país e dos seus habitantes? Pela concentração e aplicação do “pensamento”. Onde foi o inesquecível e saudoso Presidente Wilson buscar a força poderosa e invisível, com que na América do Norte pode favorecer a cessação das hostilidades e o terminar da conflagração européia? Na concentração e aplicação do “pensamento”, dirigindo uma Mensagem ao seu povo, na qual determinava que diariamente, às 12 horas em ponto, fossem suspensas todas as atividades por cinco minutos e que durante este tempo, “pensassem todos” na deposição das armas e na PAZ UNIVERSAL.

Woodrow Wilson foi aquele “utopista e visionário”, que na Europa tomou parte no “Congresso de Arbitramento” e que apresentando os seus célebres 14 princípios para a aceitação de uma Paz honrosa, conseguiu apenas pasmar aqueles tigres ainda sangue-sedentos e desvairados pelos lucros do saque e da pilhagem, com a ingenuidade da sua proposta: “uma paz sem anexações e sem indenizações”. A tanto se reduziam os 14 itens do seu memorável trabalho, que a história guardará com zelo e ufania, pois ele, sozinho, realça com eloquência e com glória a visão imponente de um Espírito e a grandeza generosa de uma raça!…

9 – A tolerância religiosa para o estabelecimento da liberdade dos cultos, não basta por si só para assegurar esta liberdade. É imprescindível ainda o “respeito”, neste é que reside a verdadeira virtude. Pio X, o Pontífice bondoso e inteligente, culto e evoluído, cuja lembrança a humanidade conserva com admiração e saudade, deu ao mundo inteiro, e principalmente aos fiéis da sua igreja, este exemplo de respeito e tolerância, que aumentou consideravelmente o prestígio do catolicismo. Quanto mais acesa e crepitante estava a fogueira da guerra européia, pediu o santo velhinho aos chefes de todas as religiões e aos crentes de todos os credos, que “orassem ao Pai Celestial, rogando a cessação das hostilidades e o restabelecimento da Paz Universal… “ era somente pela elevação do PENSAMENTO até Deus que tal pedido, porém, podia ser cumprido.

Não fosse Lourenço Sarto um Papa culto e evoluído… Outrora, a cegueira e o fanatismo, erguendo nas praças públicas as fogueiras regeneradoras da fé católica ameaçada. Hoje, os mesmos príncipes da Igreja contemplando a contaminação rápida das fagulhas por todo o orbe terráqueo, mandando apagar os incêndios do ódio e da intolerância com a água redentora e puríssima da FÉ UNIVERSAL…

Morrem as pessoas, desaparecem as coisas, extingue-se a matéria, mas a essência espiritual que produz a tal virtude que transporta montanhas é imortal. Foi o Mestre dos Mestres quem nos assegurou a imortalidade da Fé, dizendo que “onde estivessem duas ou mais pessoas reunidas em Seu nome… aí estaria Ele”… FILHO DA VERDADE, por ser dela uma partícula, Jesus é a VERDADE mesma e todos nós temos na consciência, o santuário próprio para a instalar. Se o altar está purificado e se a crença em Jesus (este Budha Celeste), permanece firme, conseguimos achar a VERDADEIRA RELIGIÃO…

A ignorância e a preguiça são os principais “impecilhos” à prática da tolerância e do respeito que nos merecem as crenças alheias.

A religião “A” supõe ou pretende que o seu Deus é melhor e superior ao da religião “B”. E os adeptos desta tratam aos daquela com compaixão e desprezo. E por mais que se lhes diga que tal procedimento está em desacordo com a moral dos Evangelhos e que estes continuam como um caminho para a VERDADE, teimam eles em afirmar que conseguiram já chegar ao fim e atingi-la. Nem mais um passo para a frente… e se insistindo, lhes mostramos, só por curiosidade, a continuação da vereda tornamo-nos os objetos dos seus sarcasmos e antipatias, e não raro, de suas insólitas agressões. É a manifestação ostensiva da maldita vaidade humana!

Aos que, porém, praticam humildemente os preceitos evangélicos de amor e de caridade, faltam geralmente a sede de luz e as ânsias de perfeição. Luz que o Creador concede até ao estado de deslumbramento! Perfeição que Ele dá até a culminância da DIVINDADE!… São bondosos, são fraternais, mas não querem mais iluminação. Tendo direito a muito, contentam-se com pouco, pois desse modo poucos serão também os seus deveres. Lembram a cada passo, a máxima cristã: “ao que muito se deu, muito se exigirá”… e por voluntária indolência, reduzem ao mínimo a parcela das suas responsabilidades…

No entanto, nenhum deles se lembra de que a nossa marcha para a perfeição é contínua e obrigatória, por ser um compromisso assumido desde quando nos reencarnamos. A princípio, não nos recordamos deste pacto solene, mas as sucessivas reencarnações vão nos trazendo, paulatinamente, primeiro a desconfiança, e depois a certeza da obrigatoriedade do contrato. A demora do seu cumprimento retarda a boa marcha dos negócios espirituais e as leis inexoráveis da Natureza, que fiscaliza com rigor os nossos atos, consigna a indiferença como a causa da demora, na satisfação do grande débito.

Retroceder não é possível, parar não é permitido – só há uma solução: é Prosseguir.

10 – A Sociedade “Dhâranâ”, por meio desta “Mensagem”, convida a todos os brasileiros a iniciarem e a prosseguirem a grande viagem para a realidade dos seus únicos Destinos. Sem princípios filosóficos preconcebidos, onde sejam calcados os seus ensinamentos, ela recebe os raios coloridos de todas as religiões existentes, fazendo-os convergir na lente poderosíssima da VERDADE, para obter a síntese de todas elas ou a LUZ BRANCA pura e alvinitente.

Se o Budhismo fosse de fato uma religião, em toda a plenitude do vocábulo, a Sociedade “Dhâranâ” não hesitaria em perfilá-la, atendendo à pureza dos seus ensinos, à elevação das suas exigências e à fraternidade dos seus costumes, sendo, portanto, um conjunto harmônico de focos luminosos que iluminam os caminhos da morada do Nosso Pai Celestial. É, como já vimos, uma “filosofia científica e religiosa”, que nos torna ILUMINADOS…

Para nós (ocidentais), talvez tenha o Budhismo o defeito de não ser “parisiense”, mas deveis ter sempre em mente que a Filosofia do Espírito nasceu nas Índias. Sim, é um país de contrastes: teve um Budha, mas gerou, também, um Charvack. Ali existe abundâncias e esterilidades, riquezas de Rajahs e misérias de párias, há luzeiros que deslumbram e trevas que cegam. É o país dos iogues, mas também o é dos faquires…

Ora, são os nossos próprios Mestres do Oriente quem nos adverte da diferença de seus homens. O Iogue é o homem espiritual iluminado que não exibe os seus poderes. O faquir é aquele que ostenta a sua potência psíquica e não demonstra uma genuína espiritualidade. E para desenvolver esta espiritualidade, é imprescindível um combate metódico, mas enérgico, às nossas paixões, aos nossos vícios, à nossa ignorância, aos nossos impuros desejos. E o principal trabalho consiste, portanto, em moderar todas estas tendências, enfraquecendo as suas raízes, sem as destruir totalmente, pois os desejos assemelham-se às brasas, que se extinguimos repentinamente, ficam adormecidas sob as cinzas à espera de um sopro mais áspero da brisa que as faça recrudescer impetuosas e céleres.

A existência humana é uma sucessão de hábitos. Conserva-los melhorando até extirpar completamente os maus e aprimorar radicalmente os bons, é a árdua e gloriosa tarefa que nos foi imposta e que será levada a efeito no laboratório alquímico do nosso pensamento. Depende da habilidade e do jeito maneiroso dos operadores o bom êxito da temerária transformação. Esta é, pois, a Mensagem de Paz, de Luz e de Progresso, que “Dhâranâ” lança ao Povo Brasileiro. Mensagem que enviamos aos praticantes de todas as seitas, aos filiados de todas as Igrejas e aos que, finalmente, não tenham nem igreja, nem religião.

Os pais de família examinem o sentido destas palavras e, com rigor, julguem da sua oportunidade. Que os nossos jovens patrícios de ambos os sexos, reformadores do conceito calamitoso que pesava sobre a nossa raça, como sendo de doentes, incapazes e macaqueadores, o sejam também desta calúnia mais pesada, que nos faz passar aos olhos do mundo inteiro, como sendo um povo sem mentalidade, sem cultura e sem ideais, para chegar ao nível das raças que se impuseram à veneração dos pósteros, pela luta, pelo trabalho e pelo esforço!

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O Simbolismo do Natal https://semeandoconhecimento.com.br/o-simbolismo-do-natal/ Mon, 24 Dec 2018 18:49:11 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4366 Professor Henrique José de Souza 

Um dos mais belos e significativos acontecimentos do ano é, sem dúvida alguma, o Natal. O mundo cristão comemora nesta data o nascimento de Jesus, o Cristo. Aquele que os cristãos consideram o Salvador do Mundo e que os verdadeiros Teósofos e Ocultistas reconhecem, além do mais, como a manifestação cíclica do Espírito de Verdade, ou seja, como um Avatara Divino. Nessa data, plena de encantamento e de amor, as famílias cristãs se congregam em reuniões as mais íntimas e santas para cultuarem no recesso de seus lares o simbolismo do Natal.

Na noite de 24 para 25 de dezembro, conhecida há perto de vinte séculos como a Noite de Natal, comemora-se em todo o mundo cristão o nascimento do Menino-Deus, com as manifestações do maior regozijo e da mais pura devoção. Papai-Noel faz nessa noite sua visita tradicional aos petizes, deixando-lhes uma lembrança no sapatinho posto à beira da cama. Nos lares, engalanados com enfeites multicores, há o Presépio e a Árvore de Natal. Desse modo, ano após ano, de uma forma inconsciente e agradável, é transmitida de geração a geração uma tradição extraordinariamente bela, cuja origem se perde na noite dos tempos, anterior mesmo ao advento do Cristianismo.

O simbolismo do Natal oculta transcendentes mistérios. À luz dos conhecimentos eubióticos, procuraremos levantar uma pontinha do denso véu que encobre, aos olhos profanos, tais excelsitudes.

Diz a tradição que o Anjo Gabriel apareceu à Virgem Maria e Lhe anunciou o nascimento do Filho de Deus.

As religiões de todos os povos possuem as suas Virgens-Mães, Marias ou Mayas que são: Adha-nari, a brâmane; Ísis, a egípcia; Astaroth, a hebraica; Astarté, a síria; Afrodite, a grega; Vesta, a romana; Herta, dos germanos; Ina, da Oceania; Isa, a japonesa; Ching-Mu, a chinesa, e muitas outras, inclusive a que o nosso tupi denomina de Jaci, “a mãe dos frutos”, etc., pois como é sabido, Maria provém de Mare – o Mar – simbolicamente “a grande ilusão”. Entre os iorubanos da África, Iemanjá, o orixá feminino, é a mãe d’água ou o próprio mar divinizado, equivalente no seu culto àquilo que em tais religiões simboliza a Virgem Mãe, Ísis, a Lua, desde que Osíris representa o Sol.

Os egípcios acreditavam que o pequeno Hórus era filho de Osireth e de Oset, cujas almas se transformaram respectivamente nas do Sol e da Lua, depois da morte desses personagens.

Os antigos israelitas, muito antes da nossa Era, chamavam a rainha do céu (ou “Regina Coeli”) de Mênia, donde se derivou Neomênia (Nova Lua), que vem a ser a mesma Maria (em seus diversos nomes), mãe de Deus encarnado, nos vários cultos religiosos.

Quanto ao lugar do nascimento do Menino Jesus, diz a Igreja que ele se deu em Belém, cidade da Palestina, tendo sido a criança recém nascida colocada numa manjedoura. A palavra Belém é formada de duas letras hebraicas, Beth e Aleph, significando cabalisticamente a Casa de Deus ou Templo de Deus. Este é também o significado da palavra Apta, muitíssimo mais antiga, pois provém da submersa Atlântida, tendo sido o nome de sua oitava cidade, a Shamballah ou “Região dos Deuses”, que mantinha a espiritualidade entre as demais cidades que se podem interpretar também como províncias ou países, governadas pelos “Sete Reis de Edom”, Reis que eram na Terra as expressões humanas dos Sete Dhyans-Choans. Seria supérfluo assinalar a identidade de sentido entre Edom e Éden, o bíblico Paraíso terrestre.

APTA tem ainda o significado de “creche”, manjedoura, presépio e também “O lugar onde nasce o Sol”. O simbolismo do presépio é uma cópia fiel do que existe nos ritos bramânicos, além de outros. Segundo Bournouf, assim se explica sua origem: A cruz Suástica (não confundir com a Sovástica do Nazismo que tem a rotação em sentido contrário, símbolo portanto da involução) é representada por dois pedaços de madeira que, para não se moverem, são cravados com quatro pregos e na junção dos braços da cruz passa uma corda que, pela fricção, produz fogo. O Pai do Fogo Sagrado é o divino carpinteiro Tuashtri, que prepara a cruz e o pramanta que deve gerar o filho divino. A Mãe do Fogo Sagrado é Maya, que eqüivale à Virgem Maria cristã.

Quando o pequeno Agni nasce (Agni é fogo em sânscrito; Agnus, em latim, é o Cordeiro. “Agnus Dei Qui tollis peccata mundi”…) – é colocado num berço (manjedoura) entre animais, e ao lado fica a Vaca mugidora. Ora, Vach (o mesmo que vaca), em sânscrito significa o Verbo Sagrado, Palavra Criadora ou Logos Criador.

Procuremos agora relacionar esses fatos com aquela conhecida passagem bíblica: “No princípio era o Verbo, e o Verbo se fez carne e habitou entre nós…”

O sacerdote brâmane toma o pequeno Agni em suas mãos, coloca-o sobre um altar untando-lhe o corpinho com manteiga clarificada, do que se originou a sagrada unção pelos santos óleos adotada pela Igreja nos batismos. É justamente quando o menino Agni recebe o nome de Ungido (Iluminado), Akta em sânscrito e Christos, em grego. Torna-se ele resplandecente, pois que tudo em seu redor se ilumina. As trevas desaparecem e os demônios fogem espavoridos ao clarão de sua luz cintilante.

Ele é o Guru dos gurus (ou Maha-Guru, Grande Instrutor, etc.) o Mestre dos mestres e toma o nome de Jâtavâdas: Aquele em quem a Sabedoria é inata.

Como se vê, a tradição da Sagrada Família aqui no Ocidente representada por Jesus, Maria e José (o carpinteiro), se encontra nos Vedas, a escritura sagrada dos hindus, com uma antigüidade de 3100 anos anterior à nossa Era.

A mãe de Krishna, que surgiu na Índia cerca de 3500 anos A.C. se chamava Devaki, linda e virtuosa princesa, irmã do Rei de Madura, em torno da qual se criaram as mesmas lendas relativas a outras Virgens-Mães ou Marias. É curioso também assinalar a estranha semelhança de grafia e de som entre a expressão latina Jesus Christus e Ieseus Krishna…

Escreve Blavatsky em sua Doutrina Secreta: “Desde os rischis indianos até Virgílio, e de Zoroastro à última sibila, todos, sem exceção, desde o começo da Quinta raça-mãe, profetizaram, cantaram e prometeram a volta cíclica da Virgem e o nascimento de uma criança divina, que faria voltar a “Satya Yuga”, a idade de ouro sobre a Terra. Logo que as práticas da Lei estiverem na ocasião precisa de terminar o ciclo da “Kali Yuga” (idade negra, em que ainda vivemos), um Aspecto do Ser Divino, que existe em virtude de sua própria natureza espiritual, na pessoa de Brahmâ, e que é o Começo e o Fim (Alfa e Ômega), descerá sobre a Terra. Ele nascerá na Família de Vishnujasha, como um Eminente Filho de Shamballah e Senhor dos oito poderes do Iogui. Por seu imenso poder, destruirá Ele todos aqueles cujo mental é voltado à iniquidade. Então a Justiça se fará na Terra, e os que viverem até o fim da “Kali Yuga”, despertarão com o mental transparente e puro como o cristal”.

Nenhum Ser de tão elevada expressão como Jesus, nasceu jamais num estábulo… Pelo contrário, em todas as teogonias, o nascimento de Seres Iluminados se verifica sempre no seio de famílias nobres, abastadas, de sangue real.

Gautama, o Buda, era o Príncipe Sidarta, de Kapilavastu; abandonou riquezas, palácios, títulos e bens terrenos para conviver com os humildes da plebe, viajando como um nômade, ensinando as verdades do espírito para plantar a semente da salvação sobre seus passos e criou gerações de discípulos cujas luzes iluminam os séculos dos povos orientais. Seu nascimento foi marcado pelos mesmos mistérios que envolvem o de todos os Seres da Divina Hierarquia. Um deva de luz ou anjo o anunciou à sua mãe que, antes de concebê-lo, teve a visão de um elefante branco ostentando o Loto das Mil Pétalas, como símbolo da Centelha Divina manifestada na Terra.

Os grandes iluminados nunca nasceram de pais indigentes, muito menos em um cocho ou manjedoura. Se assim fosse, menores teriam sido seus sacrifícios e renúncias em favor da humanidade. Não poderiam sentir em todos os seus horrores as agruras da miséria dos homens se nela tivessem nascido.

Jesus, o Cristo, cujo nome original era Jeoshua Ben Pandira (O Filho de Deus, melhor que “o filho do homem”) não nasceu nas paupérrimas circunstâncias descritas pela tradição exotérica, por isso que era um Ser proveniente de Salém, a Cidade Luz das escrituras hebraicas, que é a mesma misteriosa SHAMBALLAH das tradições orientais, “a ilha imperecível que nenhum cataclismo jamais poderá destruir”.

Segundo a lenda cristã, quando Jesus nasceu foi visitado por três Reis Magos do Oriente. Qual a verdade que se oculta nessa lenda? Eis a nossa resposta: os Três Reis Magos representam os Três Chefes do Governo Oculto do Mundo (sob o ponto de vista de Governo Espiritual). Representam os Três Chefes ou Triumvirato governador da AGARTHA, que são: o Chefe Supremo que possui o título de Brahâtmâ ou Brahmâtmâ (apoio das almas no Espírito de Deus) e seus Dois Assessores ou Colunas: o Mahâtmâ, representando a Alma Universal, e o Mahanga, símbolo de toda a organização material do Cosmos. Segundo Ossendowski, o Mahâtmâ conhece todos os acontecimentos futuros e o Mahanga dirige as causas desses mesmos acontecimentos; quanto ao Brahâtmâ, pode falar com Deus face a face.

O Mahanga oferece ouro ao Menino-Deus, e o saúda como Rei; o Mahâtmâ oferece-Lhe incenso e o saúda como Sacerdote; enfim, o Brahâtmâ oferece-lhe mirra (o bálsamo da incorruptibilidade, imagem de Amritâ), e Lhe dá as boas vindas como Profeta, o Mestre espiritual por excelência. Desse modo, o Cristo recém-nascido é homenageado nos Três Mundos, como sendo seus próprios domínios. Maitréia significa, igualmente, o Senhor das Três Mayas, ou dos Três Mundos.

Na tragédia do Gólgota, diz a tradição vulgar, a cruz de Jesus é ladeada pelas de dois “ladrões”. Na Maçonaria o grão-mestre é ladeado por duas “colunas”, J. e B., iniciais de Jakim e Bohaz, que coincidem, significativamente, com outras da biografia daquele Iluminado: Jeoshua Ben Pandira, os nomes das cidades onde nasceu e expirou, Belém e Jerusalém, o nome de João Batista, seu Arauto ou Iokanã que o batizou no Rio Jordão, no momento em que sobre Ele desceu o fogo do Espírito Santo simbolizado na pomba imaculada.

Todos os grandes seres, antes de consignarem sua presença entre os homens através do ventre de uma mulher “eleita”, são anunciados por outros seres também de grande excelsitude, que são os Iokanãs. Este vocábulo pode ser decomposto em Io, com o significado de “o grande princípio universal feminino” (Ísis, Maya, Lua, etc.), e Canã ou Canaã, a terra da promissão. Na melhor interpretação, Iokanã é aquele que conduz, anuncia alguém, pelo Itinerário de IO ou de Ísis, o Caminho Real por onde deve passar um novo clã, família, raça. Caminho de IO ou de Ísis é o caminho percorrido pelas Mônadas. IO dá ainda a figura aritmética dez, podendo ser relacionado com a décima lâmina do Taro divinatório dos boêmios que simboliza a Roda da Fortuna, a roda dos nascimentos e das mortes nos três mundos. Quem faz girar essa Roda é o Divino Rotan, o Chakravarti, o mesmo Senhor dos Três Mundos.

Duplicando-se o monossílabo IO, temos IOIO, que pode também significar mil e dez; substituindo-se a segunda e quarta vogal por S, temos ISIS, e permutando-se a posição dos dois últimos algarismos (01) forma-se o mil e um que faz lembrar as Mil e Uma Noites dos maravilhosos contos iniciáticos, nos quais se encerram profundos mistérios ligados ao longo e sinuoso Itinerário de IO ou de ISIS. Tais mistérios, na sua totalidade, são conhecidos apenas pelo Supremo Arquiteto como Logos Criador, do qual se têm emanado ciclicamente os Avataras Divinos, que vêm com a Sua palavra (a Boa Nova de cada ciclo) impulsionar as mônadas (para tanto “julgadas” aptas) pelo extensíssimo IO.

Assim foi com Krishna, Buda e Cristo e com todos os outros Iluminados que têm vindo a este mundo inferior. E há de ser assim em futuro próximo, isto é, no começo do século XXI com a Nova Manifetação cíclica do Grande Senhor, o MAITRÉIA BUDA. Este Glorioso Ser, o Kalki-Avatara das tradições multimilenares, é também denominado o Cavaleiro Akdorge, que virá esmagar o dragão do Mal que ameaça devorar a Bela Princesa acorrentada à porta do palácio, que outra não é senão a própria humanidade encarcerada nas trevas das superstições e da ignorância, mãe dos erros de toda espécie.

Maitréia, o Senhor dos Três Mundos ou das Três Mayas, cavalgando seu corcel branco, simboliza o Ternário Superior do Espírito, dominando e dirigindo o Quaternário inferior da persona, e pessoa do homem físico, ou seja, o veículo denso através do qual o Som, o Verbo se expressa…

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Quanto ao Papai Noel, este bom velhinho de longas barbas de neve carregando às costas um grande saco de brinquedos e presentes para alegrar os corações de crianças e adultos no dia 25 de dezembro, quem é Ele? Quem inventou essa personalidade tão generosa quanto pontual no cumprimento do seu dever de renovar anualmente as esperanças da humanidade?

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Quem diz todos os anos, diz “ciclicamente”. Podemos vislumbrar nessa maravilhosa personalidade natalina o Pai Onipotente, de infinita bondade, que se manifesta de ciclo em ciclo para premiar os homens que se mantiveram fiéis ao Espírito de Verdade, presenteando-os com a Boa Nova, isto é, com novos conhecimentos que propulsionam o progresso das mônadas, através de mais uma etapa no longo Itinerário de IO.

E a Árvore de Natal, essa dadivosa planta que nos oferece no fim de cada ano brilhantes frutos simbolizados nas bolas de ouro, de turquesa, esmeralda e rubi? Ela exprime a Árvore Sefirotal, representa a Árvore dos Avataras, sendo o seu tronco o Bija ou Semente de todos Eles, a Árvore da Vida plantada no Quaternário da Terra, que floresce e produz maravilhosos frutos de ciclo em ciclo. Ela nos diz também da Árvore de Bodhi, ou da Sabedoria divina, cujos vários ramos com seus frutos multicores significam os diversos aspectos e as múltiplas expressões da Verdade Única, da Eterna Verdade apregoada aos homens pelos Avataras cíclicos.

Fiat Lux!

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Adeus a Adiel – Zélia Scorza Pires https://semeandoconhecimento.com.br/adeus-a-adiel-zelia-scorza-pires/ Sun, 22 Jan 2017 11:53:00 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4310 Caros Amigos-Seguidores do Semeando Conhecimento,

Informamos que a Estimada e Venerável Zélia Scorza Pires (Adiel) fez sua passagem nessa madrugada do dia 22 de Janeiro de 2017 as 2hs da manhã.

Tinha 85 anos muito bem vividos.
Seu corpo será velado na Santa Clara 2 em São Lourenço – MG e será sepultado Amanhã (23).

Adiel foi o pseudônimo de Zélia Scorza Pires e Significa:

“Meu Ornamento é Deus”

Nascida em Valongo, antiga enseada da cidade do Rio de Janeiro, hoje bairro Saúde.
Em 1967 filiou-se à Sociedade Teosófica Brasileira, colégio iniciático que desde 1969 passou a denominar-se Sociedade Brasileira de Eubiose, e cujos ensinamentos Adiel tem procurado difundir em artigos esparsos, livros e poesias.
Em 1983, após aposentar-se veio residir em São Lourenço, MG.

Seus dois primeiros livros publicados:
JOANA E AS SEMENTINHAS e A ROSA E O EDIFÍCIO, a Fundação Educacional e Editorial Universalista (FEEU), de Porto Alegre, também editou para distribuição gratuita às crianças.
Em seguida Adiel publicou A BORBOLETA FILÓSOFA E A MARIPOSA DISTRAÍDA, AS LETRAS NA MONTANHA DA ESPERANÇA, OS NÚMEROS E AS SUAS QUEIXAS,
OS GÊMEOS ESPIRITUAIS, CARTILHA DO PUPILO,
QUANDO DEUS É FEITO HOMEM Vol.1 (História contada pelos bichos), MUITO POUCO DE MUUUUUUUITO Vol. 2 (Conversa entre bichos).

Que sua Jornada continue esplendorosamente abençoada por Deus nesse trabalho incansável pelo bem da Humanidade!
Ficou seu exemplo de vida para nós, e seus Preciosos Livros cheios de Verdades. Continuaremos empenhados nesse Valioso trabalho de Semear Conhecimento.

Até Sempre Venerável Irmã!

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Doando Livros em Prol da Fundação Henrique José de Souza https://semeandoconhecimento.com.br/doando-livros-em-prol-da-fundacao-henrique-jose-de-souza/ Wed, 07 Dec 2016 00:31:02 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4299

Doando Livros em Prol da Fundação Henrique José de Souza

Adiel – Zélia Scorza Pires, doou seus preciosos Livros para ajudar na manutenção da Fundação Henrique José de Souza (menina dos olhos do Professor Henrique José de Souza desde sua criação).
Agora ao adquirir os livros, além de se envolver num universo mágico e Verdadeiro, cheio de conhecimentos iniciáticos, o leitor também estará ajudando esta preciosa fundação.

VER LIVROS ]]> Ação Social em Angra dos Reis https://semeandoconhecimento.com.br/acao-social-em-angra-dos-reis/ Fri, 10 Jun 2016 11:07:51 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4282 No dia 12 de Maio de 2016 em Angra dos Reis, por iniciativa da Estimada Margareth Padilha Simões, foi realizado um “teatro-discussão” sobre o nosso livrinho Joana e as Sementinhas na Escola Frei Bernardo, no bairro Vila Mambucaba. Exemplares que foram doados para essa ocasião foram distribuídos para as crianças.

Ficamos muito contente e agradecida por tão valorosa iniciativa.

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O SEGREDO DA ELEVAÇÃO DE BONAPARTE E DE SUA QUEDA – Henrique José de Souza https://semeandoconhecimento.com.br/o-segredo-da-elevacao-de-bonaparte-e-de-sua-queda-henrique-jose-de-souza/ Sat, 04 Jun 2016 14:20:22 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4278 O SEGREDO DA ELEVAÇÃO DE BONAPARTE
E DE SUA QUEDA
Henrique José de Souza
28 de Setembro de 1941

O fim parecia ter chegado, quando as armadas francesas, vitoriosas, poderiam ser lançadas, imediatamente, sobre a Europa e ser implantada uma vasta Federação de Estados. Quem foi que realizou tal coisa? Um homem, cuja história interior não era conhecida. Tal vida oculta de um ser, que tanto foi admirado por uns, como desprezado por outros, vamos desenhá-la em rápidos traços:

Começamos por declarar que Napoleão I foi um “traidor”, do ponto de vista iniciático. E foi a razão única de ter sido deportado para Santa Helena. Dito isso, comecemos a narração.

Um general francês da República encontrava-se no Egito… E era o primeiro a proclamar aos seus soldados: “de cima dessas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam”. Ilustrava-se ele por suas coragem e capacidades. Era um homem de gênio, como o mesmo S. Germano, já o previra, naquela profecia quando ainda criança, chamando-o de Bonaparte. De há muito as Sociedades secretas, para não dizer algo de maior valor… lançavam as suas vistas para a referida “criança”, e por isso mesmo, aproveitavam a melhor ocasião para fazê-lo chegar à sua presença, estando no Egito. Entre os civis que o acompanhavam, houve alguém que se incumbiu de semelhante coisa, no que ele acedeu de boa vontade, recebendo, desse modo… uma iniciação nas galerias subterrâneas, bem próximas das mesmas pirâmides, se é que não se unem todas, entre si, unindo-se também, com a Esfinge… Foi em tal momento, que se lhe prometeu a maior proteção secreta, se quisesse ele trabalhar a favor da organização dos “Estados Unidos da Europa”. Bonaparte aceitou. E depois de ter prestado juramento, diante de inúmeras testemunhas, volta à França. Tinha ele apenas vinte e sete anos. Inicia-se a campanha da Itália, Bonaparte a dirige. Era informado de tudo. Inúmeros agentes encontravam-se à sua disposição, inclusive o tradicional “homem da capa encarnada” (raio de Marte…). Por isso, tornou-se vitorioso nas famosas batalhas, que o leitor está farto de conhecer. Tornou-se Imperador dos Franceses e Rei da Itália. Que fez ele? Colocou seus irmãos e irmãs nos tronos da Europa. Resiste-lhe o Papado; ele se revolta, pois que, completa mudança se tinha dado com ele… Traiu então, o seu Juramento, tudo querendo realizar em proveito de sua ambição pessoal. Ele julga que “seu momento havia chegado, e menospreza as “Ordens dos Superiores Desconhecidos”. Mais uma vez o “Homem da capa vermelha” procura chegar à sua presença, mas… o ingrato o recebeu debaixo de ridículo. Chegou mesmo a exasperar-se com o seu fiel Conselheiro de outrora, quando este lhe faz lembrar o “Juramento nas galerias subterrâneas das pirâmides…”. E quando vai dar “ordem para que o prendam”, o mesmo desaparece de suas vistas, como se fora um fantasma…

Desde então ficou ele abandonado às suas próprias forças. Começa a perder todas as batalhas, que se findam, lamentavelmente, na de Waterloo. As tropas que deveriam socorrê-lo chegaram demasiadamente tarde. E ele perde a Coroa, como a perderam os próprios Reis divinos, nos dias trágicos da Atlântida…
Finalmente, a Inglaterra se apodera do “traidor” e o encerra em Santa Helena, onde ele pôde meditar à vontade… sobre semelhante “traição”. Pobre Napoleão Bonaparte!
Semelhante história, por completo desconhecida, não diminui, entretanto, as suas glórias… E isso também concorre para que a França, por sua vez, fosse gloriosa perante os demais povos do mundo. Podemos, pois, admirar semelhante gênio, que venceu todos os generais da Europa, e que realizou milagres que hoje, pela lei da relatividade – não mais poderiam ser realizados, mesmo com os processos de destruição muito mais avançados que os daquela época!
Eis aí, a França desmembrada. Os Maçons começam a fazer sua pequena história de libertação das inteligências pelo ateísmo. Assim agindo, eles, por sua vez, vão de encontro à Maçonaria Universal, por isso mesmo, são postos de lado, aparecendo então, a Franco-Maçonaria, que mesmo assim não deve ser confundida com aquela.

A seguir, aparece um outro homem na Itália. Seu nome é Louis-Napoleon-Bonaparte. Iniciado no Carbonarismo, jurou lançar o Papa por terra. Note-se bem que era livre tanto em o fazer como em não o fazer… Jura, ainda, “sem que ninguém lho pedisse”, que tudo fará para aniquilar o Papado, se lhe desse o Poder. Ele sobe ao trono, por meio de um golpe de Estado, que se qualificou de irregular, mas que se tornou regularíssimo, como sempre, por parte daquele que sai vitorioso. Uma vez no poder, Napoleão III esqueceu tudo quanto de “motu-próprio” prometeu. Não pensa que existe um Papa, nem uma Itália. Então, se lhe enviam vários bilhetes que ele encontra atravessados, sempre, por um punhal. E como continuasse a não ligar importância, se lhe envia um tal Orsini, que antes lhe dirigiu uma mensagem toda especial. Desta vez, ele compreendeu. Tropas francesas são mobilizadas e enviadas para a Itália. O Papa é privado de seu poder temporal (que nunca deveria ter, diga-se de passagem, como o mesmo Antônio Vieira foi o primeiro a demonstrar… “que o Poder Temporal é um, e o Espiritual, bem outro”). Napoleão III esquece de novo a sua promessa. Foi então, que se passaram os seguintes fatos, que em síntese vamos relatar:

A missão de formar um grupo com todos os Estados da Europa foi confiada a um novo soberano. Era Guilherme I, rei da Prússia. Comprometido por juramento, a constituir a Federação dos Estados Alemães, e mais tarde, a dos Estados da Europa, foi admiravelmente auxiliado na primeira etapa, por um chanceler sagaz e um tanto brutal, mesmo em seu modo diplomático de “golpe de punho um tanto fácil”. Chamava-se Bismarck, como o mundo inteiro o sabe. Com semelhante auxiliar, foi capaz de cumprir a sua promessa. Poderia ter colocado os membros de sua família em todos os tronos da Alemanha, e, no entanto, não o fez. Poderia ter escolhido melhor alguns personagens de mérito, para esses mesmos lugares. Se errou, não o fez por maldade. Do mesmo modo, não se deixou conduzir, como outros o fizeram, pelas famílias reinantes da Alemanha. Todos conhecem a que ponto chegou o referido País, no que diz respeito ao seu formidável poder industrial, comercial e até militar, e ninguém ignora finalmente, a rivalidade existente entre ele e a Inglaterra, que já em 1914, mediam forças, ao lado da França etc. Em tal época, a Alemanha sob o férreo pulso de Guilherme II, que “acaba de morrer no exílio, no seu castelo, em Endem, na Holanda”, e que, por sua vez, embora o mundo ignore, também estava ligado por um Juramento idêntico ao de Napoleão, com certas Associações secretas… acabou por se sentir tão poderoso, que ouvidos não mais quis dar a nenhuma delas… E o resultado, foi aquele que se viu…

Uma grande reviravolta, entretanto, se deu no mundo. E já então, passa à mesma Inglaterra* uma outra missão que infelizmente não podemos apontar neste estudo, nem em outro qualquer, de modo minucioso. Diremos apenas que é por essa mesma razão, o poderoso e eficacíssimo apoio que lhe dá a América do Norte, arrastando os demais Países da América do Sul.
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* Não pertencem seus reis à Maçonaria escocesa (rito de York), sem que isso jamais afetasse à religião por eles adotada? Grave erro, entretanto, o de se negar direito de continuar no trono ao atual Duque de Windsor, pelo fato de “ter amado uma mulher que não era de sangue nobre”. Ou melhor, de não ser aquela que, politicamente falando, deveria ser a sua esposa. Quantas vezes foram insinuadas várias princesas para este lugar… e quantas vezes se negou ele a aceitá-las como tal. O arcebispo de Londres, através de Lord Baldwin, um fanático religioso, os que mais concorreram para o referido erro. Nostradamus, já há quatro séculos prognosticara tal coisa. Mas o fato é que, dentro da “lei do livre arbítrio”, acompanhando a própria evolução do mundo, permitiria algo justamente contrário. Nessa união ou casamento, esotericamente falando, estaria firmado o “futuro pacto político (ou união) entre Inglaterra e América do Norte.

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AS MISTERIOSAS PERSONALIDADES DOS CONDES DE CAGLIOSTRO E S. GERMANO Henrique José de Souza (Dharana 110, 1941, páginas 85 a 98) https://semeandoconhecimento.com.br/as-misteriosas-personalidades-dos-condes-de-cagliostro-e-s-germano-henrique-jose-de-souza-dharana-110-1941-paginas-85-a-98/ Wed, 27 Apr 2016 18:18:46 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4265 O mundo ignaro – como acontece sempre com todos os Iluminados que se apresentam em diversos períodos críticos da História – formou em torno da Personalidade do Conde de S. Germano um bem tecido véu de diabruras e calúnias; porém, através de semelhante véu acabam por transparecer – por pouco que se estudem os estranhos poderes taumatúrgicos, a sabedoria e a elevada moral de tão incompreendido Ser, a quem um homem tão frívolo e de intenções um tanto duvidosas, como era Voltaire, considerou “como possuidor de um saber universal”, e a quem a condessa Ademar compara com o Zanoni de Bulwer Litton, “cuja obra” – embora alguns defeitos de ordem cabalística – “parece calcada nos maravilhosos fatos realizados pelo primeiro”.
Daremos ao leitor – transcrevendo as Memórias da Condessa Ademar pela Sra. Isabel Cooper Oakley – uma sucinta ideia das principais passagens à mesma acontecida, nos tempos a que nos referimos:
“Certo dia, pela manhã e com o pseudônimo de Saint-Noel (1) penetrou S. Germano no apartamento da Condessa, lépido, jovem, como se os anos não tivessem passado desde a época de Luiz XV, cuja amizade havia ele cultivado. Madame Ademar logo entabulou uma conversa a respeito dos bons augúrios que se faziam, naquela ocasião, a respeito do sucessor de Luiz XVI, ao que o conde contestou, segundo consignam as referidas Memórias:
— Senhora, sinto não ser de vossa opinião. Este reinado será fatal… Formou-se gigantesca conjuração para derrubar o existente, reedificando-o debaixo de novo plano (o novo plano, dizemos nós, estava velado por baixo daquela frase, do aviso lançado por Cagliostro, ou seja o do “novo Templo de Jerusalém”. Tal palavra, como se sabe, interfere, de modo direto, na do rei Melki-Tsedek…). A família real, o clero, a nobreza e a magistratura, estão ameaçadas de morte. Há, entretanto, tempo ainda, para salvá-las, se me for facultado chegar à presença do rei, mas que o ignore o seu inepto ministro (Maurepas), que é quem precipita a nação à sua total ruína. (2)
— Senhor Conde, suas palavras são bastantes para o conduzir imediatamente à Bastilha, até o fim de seus dias… replicou madame Ademar, que depois de lhe ter relatado várias coisas sobre o estado do país e as intrigas da Corte, prometeu que no dia seguinte o levaria à presença de Maria Antonieta.
Antes do mesmo partir, perguntou-lhe a condessa:
— O Sr. Conde vai fixar residência em Paris?
— De modo algum, senhora condessa. Passará mais de um século, ou sejam três gerações, antes que eu tenha de voltar…
E eu, continua a sua narração a condessa Ademar, não pude contar estrepitosa gargalhada, ao ouvir semelhante promessa completamente fora das leis naturais, por sua vez correspondida pelo sorriso de superior desdém, com que o Conde de S. Germano costumava receber qualquer réplica que se fizesse às suas palavras. No mesmo dia fui a Versailles entrevistar-me com a rainha, que informada do acontecido, teve estas palavras:
— É assombroso! Ainda ontem recebi uma nova carta de misterioso e anônimo amigo, fazendo-me ver que, no dia seguinte se me faria uma importante revelação a que, de modo algum, seria conveniente não atender… Diante disso, pode trazer a minha amiga, esse misterioso Conde, disfarçado com a libré de vossos lacaios.
E tal aconteceu.
— Não duvido, Conde – disse a rainha, na entrevista marcada – que tendes grandes coisas para me revelar.
— Rainha – respondeu este, sem lhe dar o título de Majestade e em tom solene – procure examinar, na sua sabedoria, o que lhe vou revelar: o partido enciclopedista deseja o Poder, e como não o obtenha sem a queda definitiva do clero, para consegui-lo terá que derrubar a Monarquia. Tal partido, que hoje procura encontrar um chefe entre os membros da família real, pensou no Duque de Chartres. Este príncipe se fará um dócil instrumento de pessoas que acabarão por sacrificá-lo. Ser-lhe-á oferecida a coroa de França, e em lugar do trono, encontrará o cadafalso; porém, antes de semelhante data, quantas desgraças e quantos crimes não se despenharão sobre a pobre França! As leis não mais serão protetoras do bem, nem aterrorizadoras do perverso, pois que serão estes que arrebatarão o Poder com as suas mãos ensanguentadas, abolindo a religião católica e a magistratura…
— De sorte que não ficará, senão, a realeza? perguntou a rainha com febril impaciência.
— Não ficará sequer a realeza, mas uma República caótica, cujo cetro será o chicote do verdugo.
— Senhor – interrompi indignada – tendes em conta o que dizeis diante de quem o fazeis?
— A gravidade das circunstâncias desculpa o meu atrevimento – replicou friamente S. Germano. Eu não vim aqui para render à rainha as homenagens de que já deve estar enfastiada, mas, para apontar-lhe os perigos que ameaçam a sua coroa, se não tomar imediatamente as providências que o caso requer. Ademais, sendo estrangeiro, toda vassalagem em mim, é um ato gratuito.
— Senhor – observou a rainha, aparentando uma certa frieza – o verdadeiro pode, muitas vezes, tornar-se enganador…
— Pode, respondeu o conde – porém me permitireis fazer-vos lembrar que, Cassandra predisse a ruína de Tróia e ninguém acreditou em suas palavras. Eu sou Cassandra, e a França, o pobre reino de Príamo. Alguns anos se passarão sob enganadora calma… mas, depois, surgirão de várias partes, homens ávidos de vingança, de poder e de dinheiro, que destruirão tudo quanto se anteponha a sua marcha… Um delírio frenético de roubos, assassinatos e proscrições se apoderará de todos os cidadãos, em plena guerra civil. Então, muitos deplorarão, embora que inutilmente, não me terem ouvido…
Dizendo isto, logo o Conde manifesta à rainha a necessidade de falar com o rei, sem a presença do seu inimigo pessoal, o inepto Maurepas, mas a rainha, apresentando razão de Estado, negou-se, peremptoriamente a atender ao seu pedido. Com isso, ficou sem efeito a entrevista, embora que, antes de partir o Conde, a frívola soberana, admirada, lhe perguntasse pelo lugar de seu nascimento.
— Nasci em Jerusalém (novamente o termo ligado a Melki-Tsedek, e consequentemente, dizemos nós… com o “reino da Agartha”), faz tanto tempo, que nem desejo lembrar-me… Não gosto, também, de dar a minha idade, pois isso pode trazer desgraça… Basta apenas, acrescentar que todo ato de obediência, por minha parte, é de pura cortesia… Não desejo ir à Bastilha nem tampouco que outro por mim vá ter a semelhante lugar…
— E que importa isso, desde que, com semelhantes poderes, será capaz de passar através dos próprios muros e das grades da prisão?…
— Prefiro, senhora, não ter que recorrer a milagres… Só vos digo que se o Rei me chamasse, aqui tornaria a voltar…
— Porém, como poderíamos chamá-lo?
— Não vos preocupeis por tão pouco, rainha… Não me faltam meios para sabê-lo… (outras palavras reveladoras, dizemos nós).
Nas Memórias da Condessa Ademar vem logo a entrevista da rainha com o rei e deste com Maurepas, com o resultado negativo previsto por S. Germano:
— “Conheço esse solene impostor, senhores – disse Maurepas à Condessa, em sua entrevista com a mesma alguns dias depois. Só uma coisa nele me surpreende, como é que continua aparentando a idade de quarenta anos, enquanto nós, vamos, cada vez mais, envelhecendo?… De qualquer modo, nossos policiais em breve darão com ele, e nada de mau sucederá ao truão, a não ser que será conduzido à Bastilha, onde, bem hospedado e alimentado, permanecerá até que se digne revelar onde pôde saber coisas tão interessantes…
Mal acabara de pronunciar tais palavras, a porta do gabinete se abriu, para dar passagem ao Conde, em pessoa, o qual se defrontando com Maurepas, arrojou-lhe na face estas julgadoras palavras:
— Senhor conde, o rei necessitava de um conselho valioso e desinteressado, mas vós vos incumbistes de mantê-lo afastado, sobre o frágil pedestal em que vós mesmo vos encontrais. Opondo-vos a que eu com ele me defrontasse, acabastes de aniquilar a Monarquia, pois não me resta senão pouco tempo para dedicá-lo à França, o qual uma vez transcorrido, só tornarei a ser visto depois de esgotadas três gerações… Tive ocasião de dizer à rainha tudo quanto me foi permitido revelar-lhe; uma entrevista minha com o rei, entretanto, mais completos e concisos seriam os meus conselhos, se não tivésseis servido de barreira. Ninguém, pois, poderá acusar-me de indiferente à mais feroz anarquia que se vai desencadear sobre a França… Ela estava entre dois dilemas: o de erguer-se ou o de esboroar-se (o DESTRUERE e o CONTRUERE da própria Justiça agartina, a que já nos referimos…). Preferiram o segundo, mas chorarão por não me terem ouvido. Quanto a tais horrores, vós não os vereis; porém, só o fato de terdes concorrido para a sua manifestação, bastará para que vossa memória seja execrável. Sim, ministro frívolo, mentecapto e odioso, dos muitos que arruínam os povos!…
E tais palavras proferindo, desapareceu o conde de S. Germano. Inúteis foram todos os esforços para ser o mesmo encontrado…
E tal fato se deu – continua a Condessa Ademar – em 1788; porém, antes de 1793 já a catástrofe havia chegado… Não posso resistir ao desejo de falar de certa carta que recebi do conselheiro Sallier, enviada antes dessa época.
— Ah! Senhora! Tudo treme sob os nossos pés. E só agora, infelizmente, começo a crer que o vosso Conde tinha razão…
A rainha fez-me chamar no dia seguinte. Trazia na mão uma carta escrita em versos proféticos, onde já era apontada a execução da própria família real.
Procurando tranquilizar-se, começou a falar como se estivesse sozinha:
— Quem será esta personagem que há tanto tempo vem se interessando por mim, sem querer revelar a sua identidade sem a menor recompensa, mas… dizendo sempre a verdade? Quanto aos demais que me cercam, nem vale a pena falar a seu respeito… “os reis estão condenados a se enfastiarem sós…”.
Depois da proscrição dos realistas em 1789, novo aviso recebeu a rainha, do desconhecido que tanto se preocupava com ela (além do mais, dizemos nós… em relação com algo de interessante passado em uma de suas “vidas anteriores”, coisa que aqui não pode ficar demonstrado).
Na dolorosa cena de despedida, a que assisti, entre a rainha e a proscrita duquesa de Polignac, tive ocasião de ouvir o que a mesma dizia:
— Desde a minha chegada à França e em todos os acontecimentos importantes da minha vida, misterioso protetor me preveniu sempre de tudo quanto me ameaçava (3). Lede esta carta:
“Senhora: Fui Cassandra. Minhas palavras caíram no vácuo e a tempestade já se desencadeou como eu previra… Todos os Polignac e seus amigos serão condenados à morte: seus carrascos serão os mesmos que acabam de servir ao Corregedor e aos oficiais da Bastilha”.
Nesse ínterim, deu entrada o Conde de Artois, relatando, com todos os detalhes, a proscrição dos realistas. Ao chegar à casa, por minha vez, encontrei uma carta que me era dirigida, e que tinha os seguintes dizeres:
“Tudo está perdido, senhora condessa. Este sol será o último que alumiará a monarquia. Amanhã ela não existirá, substituída pelo caos da anarquia (sim, dizemos nós, o próprio Karma de quem não quer atender à sábia Voz da Razão… Nada pior aos homens, por mais elevados que estejam, do que se julgarem inabaláveis, indestrutíveis… firmes, enfim, em seus tronos, se a vida no mundo é transitória!). Já agora sabeis a razão de todas as minhas tentativas para imprimir aos negócios públicos uma marcha completamente diferente; porém, desdenharam os meus conselhos; agora é tarde. Conheço a obra preparada pelo demônio de Cagliostro (sim, como o destruere para o construere, que era ele mesmo, S. Germano. Ai daqueles que não quiserem ouvir a Palavra da Lei!… Acontecerá o mesmo que outrora na Atlântida… e em todos os tempos que se lhe seguiram, quando um ciclo entra em franca decadência…). É a Justiça divina, manifestada como terrena. Ninguém o duvide!… Dies irae! Dies irae!… (mais reveladoras, ainda, semelhantes palavras, donde, o termo Jehovah, daquele aviso de Cagliostro aos maçons franceses e ingleses…).
“Mantende-vos afastada, que eu velarei por vós… Se fordes prudente, vivereis ainda depois que a tempestade a todos tenha destruído… Resisto ao desejo que tinha em ver-vos agora, pois sei que me suplicaríeis algo impossível: salvar aos reis e demais membros da sua Família. Tudo tem a sua hora apropriada: passada esta, nada mais se pode fazer em contrário… Os homens ignoram tal coisa! O duque de Orleans, que triunfará amanhã, atravessará em louca disparada para o Capitólio… e logo depois será precipitado pela rocha Tarpeia. Entretanto, se quiserdes ainda ver este velho amigo que mais uma vez vos escreve, procurai-o às 8 horas da manhã, na igreja dos “Enjeitados”, na segunda capela da direita… Vosso: Conde de S. Germano”.
Não pude reprimir um grito de surpresa, ao ler a assinatura: vive ainda o homem a quem todos considerávamos morto em 1754 ou em 1780!… Era uma hora da madrugada quando li semelhante carta; inútil dizer que passei toda a noite em claro… Às oito da manhã já estava no lugar indicado, deixando um lacaio, de toda minha confiança, postado à porta da igreja. Mal concentrei meu Pensamento em Deus (o grifo é nosso), vi aparecer S. Germano com o mesmo frescor de juventude com que o conheci em 1760, enquanto que eu, pobre de mim!… estava envelhecida devido aos anos que haviam passado!…
— Donde saiu, Sr. Conde? – perguntei-lhe, depois de me ter beijado, reverentemente, a mão. (4)
— Venho da China e do Japão, respondeu, ou melhor, do outro mundo (sim, do mundo agartino ou Jina…). Porém, quem quer que tenha conhecido, como eu, a França de Richelieu e de Luiz XIV, poderá reconhecê-la hoje?… “Quem semeia ventos colhe tempestades”, disse Jesus, no Evangelho, mas não antes de mim, talvez… (nova revelação, e das mais preciosas, sobre a sua elevada hierarquia! Só os néscios não o compreenderão…). Como vos disse em minha carta, nada mais posso fazer. Há períodos, já disse certa vez, em que se pode retroceder, e outros, nos quais a sentença, o JULGAMENTO se tendo pronunciado, mister se faz ser cumprido (mais outra revelação… Sim, dizemos nós, na razão do Destruere et Construere!).
— Vereis a rainha? perguntei-lhe.
— Não, já foi sentenciada.
— Sentenciada?… A que?
— À morte!
………………………………………………………………………………………….

Depois de diversos detalhes relacionados com os infelizes Reis, o Conde acrescentou:
— Completa será a ruína de todos os Bourbons (não esquecer das 3 iniciais que o mesmo Cagliostro trazia no peito, isto é,
L.P.D. “Lilia Pedibus Destrue”), os quais em menos de um século, passarão à mais baixa categoria, expulsos, como serão, de todos os seus tronos… A França atormentada, agitada, desviada… será reino, república, império e estado misto, numa sucessão verdadeiramente apavorante. Tiranizada por hábeis perversos, passará de ambiciosos a ambiciosos, dividida, despedaçada, tal como o Baixo Império. Dominará o orgulho, abolidas serão as distinções, não por virtude, mas por vaidade (é nosso o grifo). E por vaidade também se volverá às mesmas. Os franceses, como verdadeiras crianças, jogarão aos títulos, honras e cordões.
E… sob a ditadura dos filantropos, os retóricos e os pronunciadores de belas frases (esses “discursos”, dizemos nós, inúteis, e até prejudiciais), a Dívida do Estado montará a muitos milhões…
— Mas, Sr. Conde – fiz-lhe ver – tornou-se um terrível profeta! Quando o tornarei a ver?
— Ver-me-eis, senhora, apenas cinco vezes. .Não procureis encontrar-me a sexta vez. Vou deixar-vos para tomar a diligência que segue para a Suécia. Um grande crime se prepara, também ali, e eu preciso – como sempre – evitá-lo. S. M. Gustavo III, interessa-me. (Sim, o “rei dos reis”, o Rei do Mundo, no seu mais amplo sentido espiritual… não pode deixar de se interessar pelos “reis” de sua superfície, apenas. Sim, “reis transitórios” mas de qualquer modo, “dirigentes de povos”, dizemos nós…). Sim, porque vale mais do que se afigura a sua fama.
E como a condessa ficasse alarmada com semelhantes profecias, respondeu justamente, ao despedir-se:
— Tal acontece, sempre, a nós, “os Filhos da Verdade”… A Humanidade só recebe bem ou com louvores, aqueles que a bajulam, enganando…
E desapareceu. Meu criado nem sequer pôde descobrir por onde o mesmo tinha saído”.
E em uma nota solta:
“De fato, tornei a vê-lo cinco vezes. E sempre, possuída de grande emoção; a primeira, quando da morte da rainha; a segunda na véspera do Dezoito Brumario; a terceira, quando morreu o Duque de Enghien; a quarta em janeiro de 1815, e… a quinta, na véspera do assassínio do Duque de Berry. Espero – termina o diário em 1821, um ano antes da morte de sua autora – a sexta visita de meu amigo, quando Deus for servido”.
“A transcrição – acaba dizendo Isabel Cooper Oakley – defende as diabruras lançadas contra o Mestre (bondosa amiga condessa Ademar! diria ele se novamente aparecesse…) e as asserções do Dr. Bester, a respeito de sua morte em 1784. S. Germano, como todos os Enviados (muito mais Ele, do que qualquer outro…) pode repetir a famosa frase: “Eu sou a Voz que clama no Deserto!… De nada serviram à França, tais advertências com o fim de a desviar da desgraça”.
Pobre França, dizemos nós, na humildade de nossa própria hierarquia de “homem vulgar”. Quanto ao resto: Honni soit qui mal y pense!…
Franz Graffer por sua vez, relata as repetidas “aparições” do Conde de S. Germano em Viena, “com uma missão relacionada a negócios futuros; nada menos que, com o século XX, esse mesmo século, dizemos nós, onde nos encontramos exaustos, deprimidos, esmagados… com os horrores de uma guerra, mil vezes mais séria do que a anterior. E em cujo começo de século, também vínhamos do Oriente, depois de cumprirmos o nosso dever…
“Uma dessas vezes” diz o mesmo autor, “veio o Conde a Viena para visitar Mesmer” (o primeiro experimentador do Magnetismo, no Ocidente; donde o termo “mesmerismo”), com quem discutiu, de porta cerrada, sobre o “Elixir da Vida”, como aquele que “lhe assegurava, sua eterna Juventude (eterna não é bem o termo, mas algo que se deve manter até realizada uma missão por completo… Depois, o próprio mistério da Agartha).
As várias Lojas maçônicas, citadas anteriormente, também testemunharam diversas reações alquímicas realizadas pelo Mestre, em companhia do mesmo Cagliostro (nada mais claro e mais lógico, podemos afirmar).
Ao volver, certa vez, ao seu consultório, Rodolfo, irmão do mesmo Franz Graffer, como narrador do que estamos agora transcrevendo, ouviu de seu criado, o seguinte: “Faz uma hora senhor, que um nobre de porte elegante, aqui esteve, sem que eu pudesse saber como entrou… e foi logo dizendo: “Encontro-me em Fedalhofe, na mesma casa que habitava Leibnitz em 1714”. “Quando lhe quisemos falar, já havia desaparecido, deixando-nos aterrorizados”.
“Abrimos o laboratório – continua Graffer – e não pudemos conter uma exclamação de assombro: S. Germano estava ali, manuseando uma obra de Paracelso (outra revelação! Não esquecer que dois séculos antes, profetizava aquele… “a queda da Flor de Lis dos Bourbons”!). A descrição feita pelo empregado, bem longe estava da realidade.
Brilhante auréola, continua o narrador, parecia envolvê-lo. Toda a sua pessoa respirava majestade e domínio… Com voz sonora, melodiosa e sem afetação, foi logo me dizendo: “Sei que tendes para mim uma carta de apresentação do senhor Seingalt. Esse senhor é o Barão de Linden. Sabia que os dois estariam aqui a esta hora. Tendes, também, uma outra carta de Bruhl. Pobre amigo! Seu pulmão está arruinado e por isso vai morrer a 8 de julho de 1805. Um homem, que no momento é ainda uma criança (enormíssima revelação, que aqui não pode ser dita…) chamado Bonaparte, será a causa indireta de sua morte. Conheço muito bem os vossos leais procederes. Em que posso, pois, servir-vos?”
Linden tratou de preparar uma rápida refeição, com pastéis, colocando-os diante do Conde, e depois se dirigiu para a adega. O conde fez sinal a Graffer para que se sentasse, fazendo ele o mesmo… Graffer encontrava-se muito impressionado… Linden volta e coloca duas garrafas de vinho velho sobre a mesa…
S. Germano ao vê-las, sorri com indescritível dignidade. Linden, envergonhado, prepara refrescos para substituir o vinho. Novo sorriso do Conde, que foi logo dizendo: “Qual a pessoa que já me viu comer ou beber?… Este Tokay não veio da Hungria, mas, de minha grande amiga Catarina da Rússia. Ela, agradecida pela pintura da batalha de Modling, enviou-lhe um tonel deste vinho estando o pintor enfermo”.
Graffer e Linden ficaram assombrados. Tinham, de fato, comprado o vinho ao grande Casanova! Depois, o Conde dividiu uma folha de papel ao meio e colocando cada metade em separado, tomou uma pena, em cada mão, e encheu-as até mais de meio, depois, subscrevendo-as, disse: — Escolhei, cada qual de vós, uma delas para a vossa coleção de autógrafos. “Isto é Magia, exclamamos os dois, assombrados”. Justapostas as duas folhas de papel, as escrituras concordaram, perfeitamente! O Conde, então, sorriu e pediu que entregassem a outra folha a Ângelo, o companheiro do príncipe de Lichtenstein. (5) “O portador, dizia receberá uma caixinha que… “Neste ponto, S. Germano tornou-se, instantaneamente, pálido, rígido, como se fora uma estátua além de perder o fulgor dos olhos, pois que, desdobrado… naquele momento, realizava, à distância, a materialização da referida caixa (quantos fatos idênticos se deram na STB, no seu início, restando, ainda, muitas coisas, no seu arquivo, inclusive “caixinhas”… onde vieram os mais preciosos perfumes!”…). Logo se reanimou e com a mão erguida, despediu-se de nós, dizendo: “Parto para Constantinopla e depois irei à Inglaterra, para ali… lançar as bases de dois inventos (melhor dito, “descobertas” pois que, Nihil novi sub sole… dizemos nós) de que muito necessita agora a Humanidade: estradas de ferro e embarcações a vapor. As estações mudarão pouco a pouco; virá primeiro, a primavera e depois, o verão. É o gradual decreto dos tempos; o prenúncio do… fim do século. Vejo-o claramente. Astrônomos e historiadores nada sabem. Deviam ter estudado, como eu, nas Pirâmides. Muito há ali para se aprender; já não falo das profecias que elas trazem internamente… No fim do século, desaparecerei do Ocidente, para volver no começo do outro, do Oriente… Esta será a minha nova Obra! Dito isso, os dois discípulos do Conde, deixaram, por alguns momentos a estância, imensamente comovidos. Então repentinamente começou a chover e a trovejar, como se a abóbada celeste quisesse vir abaixo…! Quando os dois discípulos voltaram da chuva, o Mestre havia desaparecido…”

MISTÉRIOS SOBRE MISTÉRIOS
Duas horas da madrugada e diante de misterioso palácio existente em uma das ruas menos movimentadas de Strasburg, para uma carruagem… Um dos cocheiros, embuçado em longa capa se dirige para o grande portão de ferro e faz soar a aldraba por meio de três avisadoras pancadas (6). Dentro de alguns instantes, trazendo na mão uma lanterna de azeite, aparece o porteiro, por sua vez envolvido em grossa e longa capa, além do mais, porque o inverno era dos mais rigorosos…
Saudando ao porteiro, o homem que acabava de saltar da carruagem, manda anunciar ao Conde de San Lorenzo “que a mesma estava às suas ordens”.
Dentro em pouco, também, um casal de nobres, acompanhado pelo velho porteiro, sempre trazendo a lanterna para alumiar o caminho, descia a escadaria de mármore, que ficava à direita do misterioso palácio, dando para uma alameda cercada de simétricos arbustos, que se aprofundando pelo terreno, ia ter à cavalariça e às casas dos empregados.
Saudado o casal, mui respeitosamente, pelo cocheiro que havia dado o aviso, e o outro, que se mantinha ereto na boleia, entraram na carruagem, fechando sem estrépito, a portinhola, donde se destacava o brasão do Conde de San Lorenzo. E os cavalos, no começo, “em marcha lenta e cadenciada”, arrastaram a carruagem até a primeira esquina, tomando daí em diante, maior velocidade, principalmente ao passar pela grande praça onde se ergue ainda hoje a famosa “Catedral de Strasburg”.
Uma hora não havia passado, e já outra carruagem, parava à porta do referido palácio. Nova chamada… e o mesmo porteiro, abrindo o grande portão de ferro que rangia nos gonzos, de modo estranho, erguia a lanterna acima da cabeça, para que um outro casal, que acabava de sair da mesma carruagem, pudesse alcançar a escadaria de mármore e a porta que à esquerda do patamar, dava entrada para o hall, donde partiam as várias ramificações internas de tão rico, quão enorme palácio. Na porta os esperava a velha esposa do porteiro, que aos mesmos recebeu – num misto de respeito e de alegria – conduzindo a Sra. Condessa Serafina para os seus régios apartamentos, que ficavam logo à esquerda do corredor, onde ia ter a escadaria interna, que era vista desde a entrada. Seu esposo, entretanto, dirigiu-se para uma espécie de laboratório, onde um rico candeeiro pendente do teto, repleto de velas, iluminava, por completo, principalmente a mesa cheia de livros e papéis, ali deixados, propositadamente, para que outras mãos prosseguissem o mesmo trabalho iniciado pelas primeiras: as do Conde de Cagliostro substituindo as do Conde de S. Germano, justamente, aquele que, ao lado também da sua companheira, acabava de deixar tão “misterioso palácio”.
O fato, entretanto, não se dava pela primeira vez.
Pela manhã, os vizinhos, os conhecidos, ou melhor, os poucos que logravam divulgar as figuras de qualquer dos dois casais, não se aperceberam, nem poderiam aperceber-se dessa troca tão necessária… Ademais, além de parecidos ambos os casais, nada melhor para encobrir, outrora, semelhante disfarce do que as famosas cabeleiras à Luiz XV.
Sim, o verdadeiro nome do Conde de S. Germano no que diz respeito à parte mais esotérica de sua missão, era LORENZO PAOLO DOMICIANI, cujas iniciais são as mesmas que o Conde de Cagliostro trazia pendente do pescoço, e costumava mostrar às Associações secretas de antemão prevenidas pela Ordem de Malta, ou mesmo, às do Egito etc., donde ele procedia… Como tudo na vida de caráter esotérico, as três referidas iniciais, possuíam sete chaves interpretativas, tendo por origem o referido nome do Conde de S. Germano; a seguir, o da missão do mesmo Cagliostro, ou seja, LILIA PEDIBUS DESTRUE desde que, se a Voz do primeiro (seus conselhos etc.) não fosse atendida, teria este que desaparecer, tomando o seu lugar, o segundo. Como o dissemos em outros lugares, na razão do Destruere et Construere.
Alexandre Dumas, no seu imortal romance As Memórias de um Médico, confunde – como outros mais, a esposa do Conde de Cagliostro com a do de San Lorenzo ou melhor, com a de LORENZO PAOLO DOMICIANI, ou o mesmo S. Germano, chamando-a de Lorenza, quando o daquela era Serafina (7).
Lorenza Feliciani Domiciani, era o nome por inteiro da esposa do Conde de S. Germano, por sua vez, possuidor como se viu, de mais dois nomes: Lorenzo Paolo Domiciani e Conde de San Lorenzo… E se ao invés de Paolo (o nome de ambos composto de três, na razão simbólica da mesma Trindade que ambos representavam…) possuía ela o de Feliciani, para indicar que a mesma, “representava o aspecto feminino do referido Ser”. Sim, e além do mais, porque as duas cruzes egípcias (a chamada cruz ansata), muito conhecidas daqueles que se dedicam a semelhantes leituras, a do Sacerdote é fechada, enquanto a da Sacerdotisa é aberta; na mesma razão o P para o F…
Quantas coisas novas que os próprios Ocultistas e Teósofos, ignoravam por completo!…
Já não queremos falar nas dolorosas ofensas, que o escritor português Camilo Castelo Branco, quis fazer ao casal, Cagliostro-Serafina (para outros, Lorenza) no seu romance bem pago, intitulado José Balsamo. Por infelicidade, ou melhor, por seu mau Karma, teve o fim de vida desastroso, que todos conhecem: o suicídio. Em nada adiantaram os bondosos conselhos que lhe deu o genial poeta Guerra Junqueiro. “Quem semeia ventos, colhe tempestade”. Ou então, “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Castelo Branco, que “negro” se fez vendendo a sua prodigiosa pena aos “Jesuítas”. Sim, os mesmos que meteram na prisão do Castelo San Ângelo, esse mesmo Cagliostro! além de destruírem pelo fogo, todos os documentos que lhe pudessem servir de defesa, mas ignorando até hoje, que existe um livro, como cópia fiel dos referidos documentos, que virá ainda à luz do dia… como virão outros documentos, que hão de fazer morrer de vergonha, os que tão criminosamente levaram às inquisitoriais fogueiras tantas almas verdadeiramente “santas”…! Como já dissemos, quer H.P.B., quer o mesmo Roso de Luna, bem longe estavam de saber, ao certo, todos os mistérios, que envolviam as vidas dos Condes de Cagliostro e S. Germano.
Nas descrições feitas por H.P.B. existem algumas coisas verídicas, mas outras completamente errôneas…
Não desejamos apontá-las, muito menos, comentá-las… Preferimos o testemunho, mais do que insuspeito, de um cartão postal romano que, de modo idêntico ao primeiro estampado neste estudo, veio ter às nossas mãos, por sua vez, na presença de inúmeras pessoas. Quem o enviou, teve a gentileza de assinalar com uma seta, a janela por onde escapou o mesmo Conde de Cagliostro, deixando um outro em seu lugar, que nada sofreu, nem poderia sofrer, pelas razões que abaixo vão apontadas:
O Conde de Cagliostro, como “um ser agartino”, não podia deixar de ser uma “criança trocada”. Por isso também “não podia deixar de ter um pai terreno”… E esse, era irmão do famoso Cardeal de Rohan, por sinal que, amigo de Cagliostro, e muitas vezes salvo por ele… (8)
Quando o mesmo Sr. de Rohan… soube quem era seu filho (e isso por um Adepto…), correu imediatamente à presença do Papa, embora que disfarçado. Apresentado o seu cartão à S. S., foi ele imediatamente recebido. Sim, por ser o Grão Mestre da Ordem de Malta, à qual também pertencia o referido Papa… Este, já ao par de tudo quanto lhe relatara o Conde de Rohan, tomou as devidas providências a fim de que “o Conde de Cagliostro pudesse fugir da prisão onde o meteram os membros… da santa Inquisição…”

"Postal Romano" que faz parte do Arquivo particular do Presidente Geral da STB. Tal "postal" se comenta por si mesmo... E muitissimo mais se fosse possivel mostrar na integra, de público, a mensagem contida no verso... C'EST DEFENDU.

“Postal Romano” que faz parte do Arquivo particular do Presidente Geral da STB. Tal “postal” se comenta por si mesmo… E muitissimo mais se fosse possivel mostrar na integra, de público, a mensagem contida no verso… C’EST DEFENDU.

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(1) Noel lido anagramaticamente, equivaleria a Leon (ou Leão), que além de outros sentidos, possui o do signo do Sol. No entanto, devido à sua brusca aparição diante da sua amiga, a condessa Ademar, fazia o significativo papel do “Papai Noel”, embora que não portador de “presentes” nem de boas novas, e sim, de preciosos conselhos… Voltar

(2) Note-se que S. Germano possuía o papel do Construere, enquanto Cagliostro, o do Destruere. Por isso, procurava aconselhar antes, para que a mão da Justiça (a sua coluna da direita, para a esquerda, Sabedoria…) não se manifestasse, com o rigor kármico de todos os erros da época. Voltar

(3) O fato se reproduz sempre com todos os dirigentes de povos. Sim, para que estes por sua vez, sejam salvos, bem guiados, instruídos etc. Em outros estudos já falamos dos “homens de capa, desta ou daquela cor”, de acordo com a sua própria linha, ou hierarquia, se o quiserem… Nem todos, entretanto, gostam de aceitar conselhos, pensam que tudo sabem, por isso mesmo, resolveram sós, todas as dificuldades. Não foi assim que se deu com Napoleão que, embora tenha ouvido outros conselhos do “homem da capa encarnada”, não aceitou o último, justamente, quando “a sua estrela se encontrava em exílio?” Que aconteceu? Respondem: Waterloo e consequente “exílio” na ilha de Santa Helena… Voltar

(4) Nunca é demais dizer que a condessa Ademar, por sua vez, estreitamente ligada estava ao mesmo Conde de S. Germano, quer naquela vida, quer em outras… anteriores. Riam aqueles que não acreditam nas duas sábias leis da Reencarnação e Karma. Mas, rirão como pobres ignorantes que são. Por isso mesmo, sofrem.Voltar

(5) Considerado o Conde de S. Germano como uma personagem enigmática pelos escritores modernos – diz H.P.B. em seu Theosophical Glossary e em A Modern Panarion – Frederico I da Prússia afirmava que “ninguém poderia compreendê-lo”. Era extraordinariamente belo, falava inglês, francês, italiano, português, espanhol, russo, alemão, sueco, dinamarquês e muitas línguas eslavas e orientais, como se pertencesse a tais países. Riquíssimo, presenteava os seus amigos com soberbas jóias; era um músico maravilhoso que tocava todos os instrumentos, sendo o violino o seu favorito. “Neste, S. Germano rivalizava com o próprio Paganini”, disse em 1835 um octogenário belga, depois de o ter ouvido. Enfim, um barão da Lituânia, que havia ouvido aos dois, exclamou: “Paganini é S. Germano ressuscitado, que toca violino no corpo de um esqueleto italiano” (Maneiras de dizer, primeiro porque pairam muitas dúvidas a respeito da espécie de magia empregada por Paganini… e segundo, porque S. Germano nunca foi “italiano”. E se sabia tantas línguas, era por conhecer a “língua-Jina” ou agartina, como “língua universal”, que bem poucos conhecem).

Nunca pretendeu possuir poderes taumatúrgicos, porém, mil vezes provou que os possuía. Passava de trinta e seis a quarenta e oito horas sumido em transe mortal… E sabia tudo quanto queria saber, como o provou centenas de vezes. Prognosticou a Luiz XV e XVI, os seus destinos. Não são poucos os que testemunham a sua maravilhosa memória. Lia um escrito por inteiro, só em lhe passar os olhos e jamais se esquecia do conteúdo. Escrevia com ambas as mãos, muitas vezes, ao mesmo tempo, verso com uma, e prosa com outra. Lia cartas fechadas sem tocá-las. E era um alquimista de tal ordem, que tanto fabricou ouro, como brilhantes de imenso valor; arte essa, que dizia “ter aprendido com certos brâmanes, que lhe ensinaram a cristalização do carbono” (na Agartha, dizemos nós, não há necessidade de fabricação dessas preciosidades… Tudo existe ali com fartura. O filme Horizonte Perdido, que foi passado em alguns cinemas, é um mísero arremedo do que se passa nessa “região” conhecida como “mundo dos Imortais”… Nas mesmas condições, o romance e filme “Ela”). Em certa visita que fez ao embaixador francês em Haia, em 1780, com um martelo dividiu um diamante de tal forma, que vendeu um dos fragmentos a certo joalheiro, por 5.500 luíses afirma um nome insuspeito, que é Kenneth Makenzie. Foi grande amigo de Frederico, o Grande, da Prússia e de outros sábios e príncipes. Como era natural, também tinha muitos inimigos, que o caluniaram a mais não poder… A maneira pela qual trataram os escritores ocidentais (inclusive, as enciclopédias, do mesmo modo que, a Cagliostro e Paracelso), a um tão elevado Ser, representa verdadeiro estigma à natureza humana. E assim, outros mais que tiveram o grande pecado de quererem trabalhar, em várias épocas da História, pela felicidade e grandeza da mesma Humanidade.

Contrariamente aos que asseguram – sem documento algum de valor – ter o mesmo morrido em 1783 (trata-se de um ciclo misterioso, que teve lugar em tal época, ou seja, um século antes do de 1883, tido nas mesmas condições etc.), respondem a entrevista privada de 1785, com a imperatriz da Rússia, sua aparição na província de Lamballe, quando a condessa desse nome se achava diante do Tribunal, ou seja, momentos antes que um carniceiro a decapitasse, e também, a Jeanne Dubarry, amante de Luiz XV, quando subiu à guilhotina nos dias do Terror, em 1793. Respeitável membro da Sociedade Teosófica de Adyar, residente em uma cidade russa, possui importantíssimos documentos acerca de tão excelsa personagem, os quais vingarão, a seu tempo, um dos mais elevados caracteres da época moderna (de todas as épocas, seria melhor dizer…). O Conde de S. Germano foi, finalmente, o Adepto Oriental de maior alcance espiritual que a Europa teve ocasião de ver durante os últimos séculos. Talvez, entretanto, que o reconheça melhor… no próximo Terror (quando novamente estiver presente na face da Terra, como ele mesmo o predisse), e que afetará a toda Europa, e não a um ou dois países…” (o próximo Terror, referia-se à guerra atual [2ª Guerra mundial).

Em resumo: Se Tróia teve uma Cassandra e Israel, uma plêiade de profetas, França e outros lugares… um S. Germano; a verdadeira História, que não se desmente, em suas leis, nos apresenta sempre, antes das grandes catástrofes, prodigiosos Seres, que procuram evitá-las, sem ir de encontro à essa lei sagrada e inviolável de homens e povos, a que denomina de Karma, ou Lei de Responsabilidade.

Já há 14 anos, nos números 13 a 17 desta Revista, em artigos dedicados à Obra em que a STB se acha empenhada, ao tratarmos de Seres dessa natureza, dissemos as seguintes palavras:

“Christian Rosenkreutz está chefiando atualmente uma missão no continente americano (o preparo do campo onde se dará o advento das 6ª e 7ª, sub-raças do ciclo ário), cercado por abnegados discípulos de outrora, que O servem conscientemente e, sem temores nem restrições de espécie alguma. (Quem serve à Lei não deve ter preocupações do bem ou mal que lhe possa advir).

“Os tempos são chegados! Os albores de uma Nova Era exigem dos filhos da América latina um esforço conjugado para o mesmo fim, isto é, em prol da Grande Obra espiritual que tão diretamente nos atinge.

“Todos os grandes centros de atividade espiritualista, pela mão oculta do principal Dirigente de tão excelso Movimento, se agitam – pouco importa se conscientemente ou não como verdadeiros formigueiros nas entranhas da Terra, para que dentro em breve o Grande Trabalho possa entrar em franca atividade, isto é, com maior eficiência, quando a maioria dos seus componentes houver compreendido que, intolerância, desrespeito, hipocrisia, orgulho, vaidade, mentiras ou falsidades, que atingem ao máximo dos crimes de lesa-Lei, ou seja, o da Traição, não são as ferramentas de que se serve (embora que, para demonstrar o dever que incumbe a todos os espiritualistas dignos desse nome, se tenha que usar de palavras, para muitos, tomadas como condizentes com o que antes é condenado) quem O dirige, e seus principais auxiliares, para a Construção de tão suntuoso Edifício.

“Para o verdadeiro Iniciado, não existe nem tempo nem espaço. Por isso mesmo, tanto lhe faz trabalhar para algo que tenha resultado imediato, como para aquele que se realize alguns séculos depois. Sim, por não visar recompensa alguma, nem mesmo “o reino do céu”, que em si já representa “interesse”, ou mesmo temor de algo que não conhece, tal como uma criança que estuda as suas lições, visando qualquer dádiva por parte de seus pais (um brinquedo, um passeio, a ida ao cinema etc. etc.), e sim, o cumprimento do Dever que lhe incumbe na presente vida, e ao qual se pode denominar de “missão” (donde provem o de messias), pois, não há um só homem na Terra, que não tenha a sua: o médico, o verdadeiro sacerdote, o Chefe de Estado etc. etc.

“Para aqueles que conhecem as sublimes leis da Reencarnação e Karma, uma vida não é mais do que um milésimo da Eternidade. Mas sabem, também, que uma vida perdida inutilmente, representa um borrão difícil de ser apagado no Grande Livro da Evolução Humana.

“Daí a necessidade que tem o homem – o Pequeno Arquiteto – de imitar a sua própria Origem ou seja o Grande Arquiteto, na sua eterna faina de construir, edificar… coisas belas e perfeitas.

“Trabalhemos, pois, todos sem exceção alguma, pouco importa os credos religiosos ou ideais a que pertençamos, além do mais, respeitando as leis de nosso País, e também as dos outros, pois somos todos sem exceção alguma as células de que se compõe esse Grande Todo, que se chama Humanidade”.

Em anotação de um dos citados artigos, transcrevendo palavras de Blavatsky, transmitidas a pequeno número de teósofos por A. Besant, fomos obrigados a fazer alguns comentários sobre o assunto:

“O fundador de todo o Movimento espiritualista moderno (não apenas o moderno, dizemos nós, se já provém de Kunaton, como a Origem de todas as Associações secretas) foi Christian Rosenkreutz que, procedente do Oriente (da Agartha, deveria ela dizer) criou, com outros doze Mestres (tal como o “Rei Artus e seus Doze Cavalheiros” etc.) a famosa Instituição ROSACRUZ. Cada um desses Doze membros trazia a missão de facilitar o desenvolvimento da Ciência Moderna (a Renascença), impulsionando o cultivo da antiga Terapêutica, com a fundação da ciência médica atual (por infelicidade, repleta ainda de erros…); o da Astrologia, base de nossa Astronomia (e com a qual já se preocupa o mesmo Einstein); o da Alquimia, base da Química etc. Cada um desses Doze Mestres tinha, por sua vez, um discípulo adequado, por isso mesmo, capaz de perpetuar a respectiva Ciência do Mestre.

“Rosenkreutz reencarnou em Hunjadi Jainos (um tulku seu, e não ele mesmo reencarnado naquele…), célebre defensor da Hungria (todas as vezes que em jogo estiver qualquer trabalho político, veja-se sempre um outro lhe servindo de escudo, de “cobertura exterior” etc. porque, o Poder Temporal é um, e o Espiritual, bem outro). E depois, em Bacon Verulanio (outro erro, chamem a este, de tulku, se o quiserem, ou de outro nome qualquer, para semelhante função…), o grande escritor e filósofo inglês, fundador de outro organismo de caráter rosacruciano (novo engano…) e depois, no húngaro Rakowski, príncipe real que, desaparecendo depois, salvou seu país na luta com a Áustria. E sua personalidade continuando através dos séculos, é a mesma do Conde de S. Germano no século XVIII, preclaro discípulo da Loja Branca ou dos Arhats (novo engano, cuja correção já foi dada em outro lugar deste estudo…). Um amigo e discípulo, por sua vez, de S. Germano foi o austríaco Zimsky, mais conhecido como “Irmão José”. S. Germano e Zimsky trabalharam juntos no século XVIII, fundando muitas sociedades secretas, algumas delas de caráter maçônico, e nas quais eram admitidas, indistintamente, senhoras e homens (dentre as senhoras, a própria mãe de Maria Antonieta, Maria Teresa de Áustria…). Os dois referidos Seres (S. Germano e Cagliostro, pouco importa o nome Zimsky…) tudo fizeram, quando lhes foi possível, para estender o Ideal da Fraternidade entre os povos porém, a Europa, não estava preparada para semelhante Movimento (haja vista, “a queda da Flor de Lis francesa ou dos Bourbons…). Este ensaio, sim teve êxito na América, que estava melhor preparada para recebê-lo (Besant se refere apenas, ao que ela sabia, isto é, Norte América, além do mais, como “mônada anglo-saxônica”… E por isso responde com dois secos Rien! Rien! a Roso de Luna quando lhe diz que pretende ir à do Sul lançar os primeiros alicerces da Missão em que hoje se acha empenhada a STB…”. Sim, pois foi ele, o seu verdadeiro Arauto ou Yokanan, como Blavatsky o foi para a primeira, mas errou, juntamente com Olcoott, em volver às Índias, na razão de um “passado morto”…), com a instauração e independência da grande República, enquanto fracassava na Revolução francesa (não esquecer que, de 1789 para 1899, que foi a Brasileira… vai um século justo! Que poderia saber ela, Besant, a respeito?… Rien! Rien! dizemos, também hoje, repetindo suas próprias palavras de outrora ao incomparável Teósofo, antes citado). Segundo as palavras que S. Germano deixou consignadas em suas Memórias, “ele voltará a apresentar-se no começo do século XX”. Voltar

(6) Nos velhos tempos, onde não havia ainda a “campainha elétrica, era desse modo que uma visita ou alguém que desejasse falar com o dono da casa, avisava estar à espera do lado de fora”. Inúmeras são as casas, dos tempos coloniais, em diversos estados brasileiros, senão mesmo na Europa, que ainda conservam a “aldabra”.
Na cidade do Salvador, por exemplo, a mesma se distingue – como na do misterioso palácio a que nos referimos, em Strasburg – por u´a mão voltada sobre si mesma, sustendo uma bola de metal amarelo, que era justamente o que, batendo em uma placa do mesmo metal, servia de “aviso”. Voltar

(7) Já estamos a ouvir dizer aos pseudo-rosacruzes de hoje: “S. Germano não era casado. Nem um só dos documentos que se conhece a seu respeito, diz semelhante coisa”. O termo em nada influi ao caso, se em outros lugares deste estudo já demos a razão de ser de um “aspecto feminino”… Fique, pois, cada qual com a sua opinião, pois que não será isso que influirá a favor da “redenção do mundo”. Voltar

(8) Cagliostro não era um agente da Ordem dos Templários, da de Malta ou de outra qualquer, como julgam os mais famosos escritores ocultistas e teosofistas, dentre eles Eliphas Levi (pseudônimo do Abade Alphonse Constant), Saint-Yves de Alveydre e outros mais. Como se viu no texto, era um Ser procedente da Agartha, do mesmo modo que o era S. Germano, além de um terceiro (S. Germano representando o próprio Rei do Mundo, Melki-Tsedek etc. e Cagliostro e o outro, seus dois Ministros, Colunas vivas, o nome que lhes quiserem dar). Todas as Ordens Secretas, Instituições de valor, as próprias religiões, reis, imperadores, dirigentes de povos, sejam eles quais forem, dependentes se acham de semelhante Governo Oculto do Mundo, para não dizer, sob a sua proteção. No momento em que se desviarem da Lei (lei de Amor, de Verdade e de Justiça), abandonados ficarão a si mesmos e, consequentemente, a tudo quanto lhes possa acontecer, se tal proteção deixar de existir. Por isso, essa mesma Representação Ternária, quando nas grandes debacles do mundo, para não dizer, em ciclos maiores ou menores, se faz sentir através de um Movimento Oculto da maior transcendência, para que tenha lugar um novo equilíbrio, tanto de ordem material, como espiritual, na face da Terra. Em ciclos maiores, como se sabe, tal fenômeno (ou Movimento) vem direto dos céus, através de um avatara. Assim se deu com Rama, Yeseus Krishna e outros mais, o que não deve ser confundido, entretanto, com o aparecimento de outros Seres. Os termos deuses, semideuses e super-homens são bastante claros para definir tudo quanto fosse possível dizer em uma simples anotação como esta. Inútil, portanto, dizer que o Conde de Cagliostro não podia deixar de se cercar dos mais bem tecidos véus (os “véus de Maya”, ou da “ilusão dos sentidos”), no que diz respeito a profanos, para que ninguém, ao certo, pudesse saber quem ele era, muito menos donde provinha e qual a sua missão. Muito mais, ele próprio servindo de “cobertura exterior”, uma espécie de escudo, ao lado de outro, em defesa da Coluna Central, que – como foi dito – era S. Germano. E este, por sua vez, ao referido Governo Oculto (ou espiritual) do Mundo, o próprio Melki-Tsedek, reconhecido pela mesma Índia como Bhagavan Narayana (“Poderoso Chefe da Jerarquia Espiritual”). Há uma frase que, a cada passo se encontra nas escrituras ocultistas e teosóficas, a que até hoje ninguém ligou a menor importância, ou melhor, passou despercebida aos mais eminentes representantes do Neo-espiritualismo. Referimo-nos àquela onde se diz “que cada globo de um sistema serve de corpo ao respectivo Planetário”. Sim, aquele que, espiritualmente o dirige. Logo, tal Ser, Força, forma arcangélica, o nome que lhe quiserem dar, não podia deixar de ser representado por este mesmo Governo a que tanto nos referimos: o Governo Espiritual (ou oculto) do Mundo. É ele que faz manter a Lei (ou Dharma) na face da Terra. Quer por meio da referida Tríade (a mesma que sempre se apresenta nas ocasiões de certos Movimentos da mesma natureza, como se disse anteriormente), quer pelos próprios Adeptos da Boa Lei (o nome o diz), ou sejam, os preclaros Membros da Excelsa Fraternidade mais conhecida como Sudha-Dharma-Mandalam. Reconhecem Eles como Lei: A Causa desconhecida dos efeitos, que podem ou não ser observados, chama-se Vida Una, imutável em sua eternidade, essência de tudo quanto não poderia existir sem Ela, que não teve princípio nem nunca terá fim, do qual emana Mahat, o mental ou Inteligência Universal, como Síntese de todas as Inteligências, diferenciadas, por sua vez, em todas as manifestações existentes, inclusive nos seres humanos. É o movimento eterno e imutável, que governa as demais leis da Natureza, que regem, por sua vez, o equilíbrio dinâmico dos Universos e a Harmonia perfeita que envolve, soberana e completamente, tudo quanto nos é possível sentir ou observar na mesma Natureza, excedendo tudo quanto a nossa mais do que cega inteligência possa abranger ou compreender. Tal Movimento ou a Suprema Lei que a rege, é a Única Divindade Eterna e Absoluta que um verdadeiro Teósofo pode conceber. Por isso mesmo prefere dar-lhe o nome de LEI. Sim, a Lei que a tudo e a todos rege. Por tudo isso e muito mais ainda, serviram-se tais Seres (Cagliostro, S. Germano etc.) de processos fenomênicos, com o fim de atrair discípulos da Sabedoria Iniciática das Idades, como fiéis auxiliares desses mesmos Movimentos, que se apresentam no mundo, em tais ou quais épocas.
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Colaboração de Zélia Scorza Pires
São Lourenço, 21.04.2016

 

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CAGLIOSTRO FOI O SOLAPADOR DA REVOLUÇÃO FRANCESA – Henrique José de Souza https://semeandoconhecimento.com.br/cagliostro-foi-o-solapador-da-revolucao-francesa-henrique-jose-de-souza/ Mon, 25 Apr 2016 16:49:57 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4260 Vemo-lo através de todas as peripécias mal contadas que por aí se vendem – desde o imortal Dumas a do agiota Castelo Branco, que vendia até a alma para arranjar dinheiro, (…) que fingindo soerguer dos escombros imundos da crítica universal, o nome de um Iluminado, estropia os fatos, adultera quase todas as passagens da sua última vida – pelo fato de ter sido muito bem pago pela famosa Companhia de Jesus.
Ninguém fala no verdadeiro papel de Cagliostro, que foi o solapador da Revolução Francesa, a não ser mui ligeiramente o provecto escritor francês A. Dumas. Lorenzo ou Cagliostro foi de fato o chefe ou cabeça de todo aquele movimento, que abriu uma nova página na História do mundo. Inclusive o Brasil, bastando dizer que a nossa República foi estabelecida um século justo depois, isto é, em 1889, ano que era o 6º depois do nascimento de um “quidam” qualquer, que se conhece hoje com o nome de Henrique.
O nosso Cagliostro estava ao lado de Lorenza Anunziata Feliciani, de cujos poderes psíquicos se servia para a realização de sua Obra. Porém, somos forçados a abordar outros pontos interessantes da vida de todos os nossos personagens, para que a nossa história não fique, como se costuma dizer “sem pé nem cabeça” (…).
A fortuna de Cagliostro dava para comprar centenas de títulos maiores ou menores do que o de Conde de Cagliostro. Assim é que existiam, ao mesmo tempo, dois Cagliostros… sem falar em outros mistérios – inclusive de que S. Germano era uma contradição para aquele. Todos compreenderam, portanto, que Cagliostro era
S. Germano e este, Cagliostro… para todos os efeitos. E isso… para desconcertar, ou antes, despistar os inimigos da Lei.
Quando o Conde de Cagliostro punha por assinatura uma Serpente com uma maçã na Boca (mistério do Edem ou Paraíso terrestre…) e tal fruto atravessado por um punhal Rosa-Cruz, o mesmo dos Arqueiros, como Cruz, em nosso Templo e Ordem… falava bem alto do Chefe dessa Ordem, como S. Germano ou Lorenzo Paolo Domiciani, cujas iniciais, LPD, ele mesmo as trazia no peito e foi reconhecido (como revelou muito bem Dumas, nas suas Memórias de Um Medico, embora que ali existam muitas intromissões suas, e até ofensas, com os manuscritos por ele encontrados na Polícia de Paris, ou seja, da Mão dos terríveis jesuítas, qual aconteceu com o Conde de Monte Cristo, e a Mão do finado, para destruir o primeiro…).
A Revolução Francesa destruindo a Flor de Lis dos Bourbons, destruía a falsa Monarquia na França, com o Loto sagrado agartino (…). Esse Loto sagrado outro não era, senão, o Conde de S. Germano ou o Único e verdadeiro Rei do Mundo, com o nome de Melki-Tsedek, do qual Cagliostro era o seu Escudo, e nesta vida, como Ele mesmo o chamava, ao insigne Akadir (o mesmo Cagliostro), “minha ama seca”, porque nunca o largava”.
Cagliostro apresentava-se como Conde desse nome, José Balsamo, Conde de Fênix etc. O mesmo quanto a S. Germano, cujo verdadeiro nome na Agartha era Lorenzo Paolo Domiciani (embora que nome itálico), trazia aquele para fazer jus ao LPD do Lilium Pedibus Destrue, com o qual foi destruída a Bastilha. E assim por diante. Por isso que tanto aqueles como Nostradamus, como o mesmo que estas linhas escreve, a todos podem responder quando lhe perguntam por seu verdadeiro nome: EGO SUM QUI SIM, isto é, Eu sou quem sou…
Por possuir diversos nomes, “talvez por isso e “o famoso colar da rainha” em que esteve envolvido um tal José Balsamo, que não era o verdadeiro, mas se assenhoreou do mesmo para prejudicar àquele, também foi charlatão, mas provando sempre o contrário. Em uma aldeia da Suíça ainda existe um monumento que lhe foi dedicado, e cujas palavras o enaltecem como benfeitor da mesma, tendo feito curas milagrosas etc.”
Em todas as vidas onde a Missão era “Destruir para Construir”, havia um outro fazendo o papel do “mal”. Cagliostro “encobre” S. Germano, passando por Ele… (…)
O falso José Balsamo, aparecendo com este nome a fim de desmoralizar o verdadeiro, foi arte diabólica para aniquilar com os três: S. Germano, Cagliostro e José Balsamo. E a Queda da Bastilha, foi questão política, sendo que a família imperial dos Bourbons ou da Flor de Lis francesa, incluindo a austríaca teve papel tremendamente contrário ao espiritual (…).
Por conta da Igreja, Castelo Branco escreve um romance com esse nome desmoralizando, ao mesmo tempo, Cagliostro e José Balsamo, tidos como o mesmo Personagem. O roubo do Colar da Rainha firma a maior intriga do romance. Quem sabia fazer ouro, não precisava roubar coisa alguma, além do mais, porque o seu colar [de Cagliostro] é o Fio de Sutratma! (…) A trama é por demais delicada para ser tecida em romances, sejam eles quais forem. Drama, sim, oculto nos seus próprios Bastidores, a bem dizer, com as gambiarras apagadas pelo véu mayávico dos próprios acontecimentos”.
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Nota: Neste pequeno trecho de um rico comentário sobre Cagliostro, o Professor Henrique homenageia seus Tulkus, mas como seria impossível ele “falar de um a um, de vida em vida, além da própria Lei não permitir”, fez questão de ressaltar o trabalho do injustiçado Cagliostro e José Balsamo na Destruição da Bastilha, através do LPD, frisando sempre que Cagliostro passava mil vezes por São Germano ou Lorenzo Paolo Domiciani.
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A Reforma fez perder ao Papado todo o Norte da Europa. (…) O movimento que se seguiu ao da Reforma, foi designado pelo nome de Revolução Francesa. Existem ingênuos que abrem livros de história, onde realça uma bela figura representando certo “senhor” que gesticulando, exclama: “Á La Bastille!” Tais pessoas julgam que a Tomada da Bastilha foi levada a efeito, graças ao furor da populaça, provocado pelo gesto soberbo do referido tribuno. Enganam-se redondamente, como se costuma dizer, aqueles que pensam de tal modo, porque necessários foram quarenta e dois anos para preparar o famoso grito de Camille Desmoulins. Para que a Bastilha se rendesse, foi preciso fazer entrar na Ordem Maçônica, todos os oficiais que davam guarda a Versailles, na referida data; foi preciso, ainda, assegurar a cumplicidade tácita ou proposital dos mais altos servidores de S.M. o rei Luiz XVI; armar todo o povo de Paris, a ponto de ter finalmente, como os mais eficazes demolidores da mesma Bastilha, os canhões que foram postados à frente… mesmo assim, transportados dos Inválidos quinze dias antes, por homens devotados à Causa; em resumo, como o mais importante fator entre os demais, que fosse o Conde de Cagliostro, quem fomentasse uma revolução tão séria, que foi capaz de lançar os Parisienses ao assalto da “intransponível fortaleza de Estado…”
Vindo do Egito, depois de prestar solene Juramento a alguém, a que aqui chamaremos de Ptahmer, foi ter a Malta, senhor de certas instruções secretas, passando pela cidade de Roma, certas partes da Espanha, de Inglaterra, Paris, Alemanha e Rússia. Em França, dizem, comprometeu a autoridade real através do famoso processo do “Colar da rainha”, mas, em verdade, quem o fez, foi outro Ser, que adotava o primitivo pseudônimo daquele, ou seja, José Balsamo – uma das dolorosas provas, ou antes, terríveis obstáculos, por que teve ele, Cagliostro, de passar, a fim de levar avante a famosa profecia que, dois séculos antes, fora feita por um outro Iluminado, ou seja, o famoso Paracelso na razão do LILIA PEDIBUS DESTRUE, ou sejam as mesmas iniciais (LPD) que o Conde de Cagliostro trazia pendente, em uma corrente de ouro, em seu peito…
Rapidamente se torna ele popular, em França, e é chamado o “Divino Cagliostro”. Ele prediz a queda da realeza e anuncia a M. de Launay, que “se lhe cortará a cabeça”, e com ela se passeará pelas ruas da cidade, na ponta de um chuço; que a Bastilha seria destruída, tornando-se, depois, um jardim público. M. de Launay, recebeu tal prognóstico com um sorriso amarelo, misto de escárnio e de terror. No entanto tudo isso foi realizado…
Os acontecimentos se precipitam. Luiz XVI, embora que se preocupando apenas com a arte de “serralheiro e de relojoeiro”, é conduzido a um tribunal onde aqueles que o acusam e a sua esposa, Maria Antonieta, traziam o “barrete frígio”. E, com os seus, é encerrado no Templo donde sai para ser conduzido ao cadafalso. Os Iniciados compreenderão: por um lado, era o velho Jacobus Molay, Chefe dos Templários, quem se vingava, mas… por outro, o soerguimento da verdadeira Flor de Lis, que é o Loto Sagrado, Símbolo da Consciência Universal – mantido nas Fraternidades, tanto do Egito como da Índia etc., mas, achincalhado pela “Família dos Bourbons”, pois que, não se preocupando com as necessidades de um povo prestes a morrer de fome, como o prova “suplicarem pão em frente ao portão principal dos jardins de Versailles”… calcavam sob os pés, o excelso Símbolo, também, da Agartha, para não dizer, desde logo, do “Culto de Melk-Tsedek”.
Mais uma vez o dizemos: “Culto de Melk-Tsedek”, que tanto vale por Amor, Verdade e Justiça. Por isso mesmo, reis ou dirigentes de Povos que não forem harmônicos com esses Três espirituais princípios, mais hoje, mais amanhã terão que ser punidos, através de outras três palavras julgadoras, que são as mesmas que se manifestaram no Festim de Baltazar: Mane-Thecel-Phares. Pesado, Medido e Contado, e não “contados serão os teus dias”, como julgam os não Iniciados nos Grandes Mistérios da Vida, por tais palavras se referirem ao karma do próprio rei de Babilônia.
Transcrição de um aviso maçônico, cifrado, que foi cuidadosamente espalhado pelos “auxiliares do Conde de Cagliostro”, todos eles pertencentes à Maçonaria, tanto na França como na Inglaterra:
“A todos os verdadeiros maçons, em nome de Jehovah! o tempo é chegado em que se deve começar a construção do novo templo de Jerusalém. Tal aviso é para convidar a todos os verdadeiros maçons, em Londres e em Paris, para se reunirem em nome do Grande Chefe, que se apresentará mascarado, como sempre, se Ele representa na Terra uma divina Trindade, amanhã à noite, 3 do corrente do ano de 1786, às 9 horas, na taverna de Reilly (no aviso inglês, dizia: Great Queen Strect, ou “Grande Rua da Rainha”), para tratar de um plano de grande valor, colocando assim a pedra fundamental do verdadeiro Templo visível…
Assinado: Cagliostro”.*

* A reprodução de semelhante aviso, além de figurar em certas Fraternidades iniciáticas do Ocidente, faz parte de uma obra rara, intitulada: O Túmulo de Jacques Molay.

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São Lourenço, 15.04.2016
Colaboração de Zélia Scorza Pires
Trechos de C.R. e páginas 82/83 de Dharana nº 110, ano 1941

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À PEQUENA GRANDE IZABEL RIBEIRO PANZERA https://semeandoconhecimento.com.br/a-pequena-grande-izabel-ribeiro-panzera/ Thu, 31 Mar 2016 16:55:43 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4221 Conheci Izabel após ingressar no Departamento do Rio de Janeiro da então Sociedade Teosófica Brasileira, quando ela, ainda solteira, trabalhava no Banco Londres, no centro da Cidade. Muito ativa, não recordo de alguma vez ter visto Izabel simplesmente olhando as nuvens… Diligente, era muito solicitada a fornecer dados sobre este ou aquele assunto abordado pelo Prof. Henrique, em suas Cartas, assim como muitos lhe pediam que indicasse em qual Dharana poderiam encontrar determinada matéria. Atenta às notícias de jornal, sempre que encontrava alguma notícia ou reportagem interessante, recortava, datava, criando assim pastas interessantes e versáteis. Ativa em pesquisar, dificilmente deixava de encontrar o que encarecidamente lhe pediam. Imbuída em criar a Biblioteca Esotérica da O.S.G., dedicou todo o seu tempo a organizar o valioso patrimônio dos escritos do Professor Henrique.

Quando a conheci, seu pai já era falecido, tempos depois faleceu a mãe, em seguida o irmão e por fim a irmã, esta quando Izabel já aposentada, residia em São Lourenço. Primeiramente Izabel residiu em casa alugada, sempre no Bairro Carioca, mas não era mesmo de ficar parada. Logo tratou de vender livros num espaço cedido a ela na Fundação Henrique, ajudando assim a própria Fundação, ao mesmo tempo em que criava uma biblioteca diversificada com os livros que adquiria, vendia e trocava. Biblioteca até hoje existente no último andar do mesmo prédio. Às vezes ia ao Rio de Janeiro visitar a irmã e sobrinhos. Nesse meio tempo casou-se com Hildebrando Panzera, viúvo aposentado residindo também em São Lourenço e discípulo da Obra. Extremamente ativa, um dia, em visita ao casal, achei muito engraçado Hildebrando queixar-se de que Izabel não sentava… O seu maior feito, porém e objeto de nossa homenagem, foi ela implantar em São Lourenço a Biblioteca Esotérica, até então inexistente e não da forma como se espera que seja uma biblioteca. Existiam muitas cartas arquivadas em pastas, mas literalmente coladas de cima a baixo em papel pardo, desses que se fazem pacotes. Como uma abelhinha-humana, Izabel pacientemente pôs de molho uma a uma dessas Cartas coladas até que do papel grosseiro naturalmente se desprendessem. Os volumes encadernados pelo habilidoso Irmão Octávio Boin, há um ano falecido, foram custeados por Izabel, nascendo desse cuidadoso trabalho mútuo a Biblioteca hoje conhecida, numa iniciativa que precisa ser valorizada. Acreditamos que a cola usada naquele tempo deva ter sido feita em casa e não industrializada como hoje acontece.
Atualmente Izabel está muito fragilizada pelo avanço da idade e porque está doente. Devidamente medicada, continua no mesmo quarto que há anos ocupa na Fundação Henrique José de Souza. Está sob os cuidados de três atendentes. A uma delas, de nome Rosylene, pedi que conseguisse uma foto antiga de Izabel para pôr no blog. Como não conseguiu, valeu-se de um encontro de Izabel com as Irmã Maria de Lourdes Nieri, outra notável obreira que se encontrava com suas filhas: Helena e Fátima e também Alcinia e Rosylene.

Izabel-Amigas
Este é o modo singelo de homenagear Izabel pelo muito que fez pela Obra do Eterno e continua a fazer com a sua presença entre nós. Dia 15 de julho deste ano completará 86 anos.

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Zélia Scorza Pires
São Lourenço, 29 de março de 2016

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A MISTERIOSA PERSONALIDADE DE CAGLIOSTRO – Henrique José de Souza https://semeandoconhecimento.com.br/a-misteriosa-personalidade-de-cagliostro-henrique-jose-de-souza/ Mon, 14 Mar 2016 13:09:02 +0000 http://semeandoconhecimento.com.br/?p=4199 A MISTERIOSA PERSONALIDADE DE CAGLIOSTRO
Henrique José de Souza

Publicando a fotografia de um “adepto” tão mal compreendido pelo mundo profano, e sob quem pesa uma fama tão injusta, aliás, pela obra nefasta dos “eternos inimigos dos Portadores da Verdade”, tomamos como dever dizer algumas palavras em defesa do mesmo, para que outra opinião seja formada a respeito de quem nada mais foi do que “um instrumento do Karma” a favor da coletividade.

A História – essa mãe bastarda da Humanidade – que não nos diz com exatidão os fatos mais recentes de nossa época; ela que até hoje desconhece o berço natal do grande descobridor do Novo Mundo – Cristóvão Colombo ousa atirar sobre a memória de Cagliostro a pecha de charlatão e… até de conivente ou pior ainda, principal autor do furto do célebre “Colar da Rainha”, estribada única e exclusivamente no que subsiste de falso e de perverso nos Arquivos da Polícia parisiense, obra maquiavélica da “Companhia de Jesus”, pois até mesmo os seus livros foram queimados em uma fogueira pública, por ordem da respeitabilíssima “Santa Inquisição”.  

No entanto, despreza tudo quanto ele fez em benefício da Humanidade – como um fiel e dedicado membro da Maçonaria egípcia – ou o Tronco de onde emanou “Aquela que em todos os tempos foi considerada “a gloriosa Mensageira da Verdade e do Bem, que através dos séculos vem abrindo largo sulco de caridade e justiça”.

Em um dos cantões da Suíça, por exemplo, se poderá encontrar lendo uma obra que se diz da autoria dele e cujo título é “O Evangelho de Cagliostro”, foi erguido um monumento em homenagem aos habitantes daquela localidade, e no mármore, cantados em versos os seus gloriosos feitos. Uma cópia da dita estátua se acha na fachada principal da mesma obra.

Baseados ainda nos falsos arquivos da Polícia parisiense foi que o ilustre romancista português Camilo Castelo Branco inspirou-se para escrever o seu livro “José Bálsamo”, e também o insigne escritor francês Alexandre Dumas, sendo que este ainda fez outras buscas em diferentes lugares por onde dizem ter passado o “misterioso adepto”, para escrever as suas “Memórias de um médico”, tal como as demais obras suas, um verdadeiro repositório de ensinamentos iniciáticos.

O mundo teosófico, por sua vez, através a erudição de A. Gedalor, de quem o dicionário “Rhéa” se serve para descrever a personalidade de Cagliostro, diz dele o seguinte: “Este “iluminado” de quem tanto bem como mal se diz, nem é digno “desse excesso de honra”, nem dessa indignidade. Fundador de um “Rito egípcio” (seria ele mesmo o fundador? perguntamos nós), procurou, evidentemente, aliar as formas maçônicas com o “Iluminismo” e serviu-se da magia, do hipnotismo, do mesmerismo etc. etc. (isso, muita gente boa o tem feito até mesmo Jesus, porquanto a Humanidade para não viver afastada da Lei, exige que se lhe faça milagres). Ele tomava, então, o título de “Grão-Copta”, e por outra parte, foi conhecido sob diversos nomes. Desgraçadamente envolvido (diz-se) no assunto do “colar da Rainha” (com vistas às batinas de sua época…), ele perdeu pouco a pouco o crédito e morreu (o grifo e demais interpolações são nossos), fora da França, no Castelo Santo Ângelo, em Roma (“si non é vero é bene trovato!”), onde dizem que pelos maus tratos que lhe deram seus carcereiros (?), foi forçado a suicidar-se. Nada é menos seguro, entretanto (ainda bem!) e o mistério paira sobre o fim desse original adepto das ciências secretas”.

Motivos que não desejamos interpretar levaram nossa amada Mestre H.P.B. a dar uma opinião toda pessoal a seu respeito (dele Cagliostro), tal como se pode ver em seu “Glossário Teosófico”, pg. 126, edição espanhola, aumentada por J. Roviralta Borrell, Barcelona, 1916: “Sua história corrente (diz ela) é conhecida de sobra, para que haja necessidade de repeti-la, enquanto que a sua verdadeira história nunca se relatou (é nosso o grifo). Finalmente foi processado e sentenciado em Roma, como herege, e diz-se que foi forçado a suicidar-se em seu cárcere. Entretanto, seu fim não foi de todo imerecido, porquanto Cagliostro havia sido infiel aos seus votos em alguns conceitos… e quebrado o seu estado de castidade e cedido à ambição e ao egoísmo”.

Quando outro não menos “misterioso ser” assim se expressa… Principalmente quando para conduzir “os sequiosos da Luz” através a Vereda dos Mestres, por sua vez forçado a lançar mão dos “véus mayávicos da Iniciação” (1), tal como a todo instante dizia o seu dedicado auxiliar Cel. Olcott, “que não sabia se tal ou qual fato era real, mas se devido à “maya hipnótica” de H.P.B”, que poderemos nós, míseros discípulos dizer desse seu julgamento para com o “pobre” Cagliostro, senão aquilo que a nossa opinião pessoal nos induz a fazê-lo, embora com todo respeito que a sua memória nos merece, e como fiéis servidores de sua Obra grandiosa no mundo?

É opinião de alguns que Cagliostro afastou-se da Lei etc. etc. No entanto, tendo a Mestra H.P.B. tomado parte na batalha de Mentana, ao lado de Garibaldi, onde foi ferida mortalmente… estando, portanto, de armas na mão lutando contra irmãos, não deixou com isso de ser “a excelsa inspiradora dos ensinos teosóficos no mundo, como discípula eleita da Loja Branca”.

Não, absolutamente não!

Do mesmo modo Cagliostro cuja missão até hoje desconhecida, como a própria Mestra o afirma, foi o escolhido para uma missão mais que espinhosa, principalmente para a corte de um “rei devasso…” e em época de céticos e maliciosos como os Voltaires, os d´Argens, os Diderots e outros muitos!…

Assim foi, na mesma época, a missão do Conde de São Germano!

Diz o adágio: “Cada povo tem o governo que merece”, cujo adágio pode muito melhor ser aplicado ao verdadeiro governo oculto que dirige os destinos humanos.

Sim, Cagliostro era um charlatão; porém, desde que a opinião pública fez dele o “divino Cagliostro”, ele devia operar prodígios… e foi o que aconteceu.

Joana d´Arc também era charlatã, porque o ”charlatanismo quanto triunfa é, pois, em magia, como em tudo mais, um grande instrumento de poder”. Joana d´Arc era, portanto, magia à frente do exército, mas em Rouen a pobre moça não foi feiticeira.

Levada à fogueira inquisitorial, no entanto hoje seu nome e as suas práticas de feitiçaria, outrora condenadas pela Igreja Romana… e demonstradas pela eminentíssima pena do Marquês de Mirville, como obras satânicas… se transformaram, por sua vez, segundo a MÁGICA Igreja… em “milagres” de uma “santa”, digna de figurar no “Flos Sanctorum!…

Napoleão à frente de suas tropas era um verdadeiro mago… Mas deixou de sê-lo quando ele próprio pronunciou as memoráveis palavras: “a minha estrela já não mais me protege”.

Dizem, ainda, os sábios e historiadores, que São Germano era enviado especial de Paris, enquanto que Cagliostro vinha de Nápoles.

Achamos esses dois lugares demasiadamente “exotéricos” para serem, em realidade, os pontos de onde os mesmos vieram em missão especial para o mundo!…

Assim, preferiríamos, antes, afirmar que o primeiro procedesse da Índia ou mesmo do Tibete… E o segundo, de misteriosa Fraternidade africana… Lugares esses para onde deveriam ter voltado após realizadas as suas missões, embora isso prejudique a lenda do suicídio em Santo Ângelo e outras tantas fantasias que correm sobre o nosso biografado de hoje.

Quem nos poderá negar que a “Queda da Bastilha” não houvesse sido de fato, um dos muitos manejos ocultos empregados pelo “misterioso adepto” enviado do Egito?

Do mesmo modo que São Germano, Cagliostro poderia dizer a respeito de seus pais: “Com sete anos de idade fui proscrito e vaguei com minha mãe na floresta…” Sim, porque a sua verdadeira mãe era a ciência dos “adeptos”; os seus sete anos, a dos Iniciados promovidos ao grau de Mestres; as florestas são os impérios privados da Verdadeira civilização e da verdadeira Luz, “como ainda a gloriosa Agartha ou o Sacrossanto lugar onde se realizam as grandes Assembléias dos deuses!

Salve Cagliostro; é outro charlatão quem te defende!…

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Niterói, 18.11.1928 – Dharana n. 29/36.

(1) Que seria de Dharana – Sociedade Mental Espiritualista [hoje Sociedade Brasileira de Eubiose], se não houvesse empregado os mesmos recursos para poder fazer a tão difícil separação do “bom trigo do joio”, para transformá-la no que hoje é: uma agremiação de homens que vivem na mais perfeita harmonia, que se compreendem e se justapõem como peças da mesma máquina, como dedos de uma só mão?

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